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Correio da Manhã

Desporto
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MARTELINHO FUTEBOLISTA E PRESIDENTE

“Não há eleições. O clube é democrático, mas o presidente é o dono do clube”, esclareceu Martelinho, o conhecido futebolista do Boavista, que é também líder do Martelinho Sport Clube, um emblema de Lourosa que se dedica à prática do futsal.
9 de Outubro de 2004 às 00:00
Este clube, que nasceu a 1 de Fevereiro de 2001, foi criado como que por uma birra do jogador ‘axadrezado’... Na altura alguns amigos pediram-lhe para arranjar equipamentos para uma equipa de futsal, o que fez com que Martelinho gostasse de assistir aos torneios em que os seus amigos estavam envolvidos.
Até que houve uma partida em que foram prejudicados: “Não gostei e quem pensa que me faz estas coisas e vou baixar os braços, está enganado... Foi como que por uma birra que entrei nesta aventura”, explicou Martelinho, acrescentando que se sentiu prejudicado pelas arbitragens.
“Senti a necessidade de dar um grito de revolta e combater certo tipo de situações”, recorda Martelinho, que mesmo assim deixa claro que não é um presidente contra o... sistema: “Não sou daqueles que acham que existe sistema. O que penso é que todos nós que estamos dentro das colectividades, grandes ou pequenas, devemos dar o exemplo e lutar para que haja verdade desportiva”.
SOGRO 'VICE' E MULHER NA AG
Nas duas primeiras jornadas do campeonato da 1.ª Divisão Distrital de Aveiro, o Martelinho SC já conheceu sensações distintas. Depois da goleada (4-0) ao Covão Lobo na 1.ª ronda, o Martelinho SC perdeu na deslocação ao terreno do Lamas Futsal por 6-5. O presidente do clube já apontou que “o objectivo é lutar pela subida”, depois da despromoção da época passada e após dois anos de crescimento, da 2.ª à 1.ª Distrital e posteriormente à 3.ª Divisão Nacional.
O sonho de Martelinho é que o seu clube consiga “consolidar-se nos nacionais”. “Tem estruturas para chegar a uma 2.ª Divisão Nacional, dado que a 1.ª seria mais complicado. Não há receitas para ordenados...”, esclareceu o presidente deste clube com grande peso familiar: “O vice-presidente é o meu sogro e a presidente da Assembleia Geral é a minha mulher. Está tudo sob controlo e não há contestação dos sócios”, gracejou Martelinho, esclarecendo que o seu clube “não é rico, mas graças a Deus está bem e recomenda-se”.
Martelinho sustenta que o clube “não pode viver da carteira do presidente, mas com os apoios que se vão arranjando”, não escondendo a satisfação pelo facto de não ter que pagar o aluguer do pavilhão da Escola C S de Lourosa. Mesmo assim, o clube já adquiriu um terreno, onde no futuro pretende construir o seu Pavilhão Gimnodesportivo, bem como a sede social.
“O nosso clube não é rico, mas dentro do panorama de Santa Maria da Feira é dos que tem melhores condições”, sublinhou Martelinho, não escondendo o orgulho de, dentro de duas semanas, poder também contar com um autocarro de 22 lugares, que vai juntar-se às duas carrinhas de 9 lugares que fazem parte do património do Martelinho SC: “Queremos mais, mas dada a conjuntura nacional, não podemos exigir mundos e fundos”, explicou o presidente, que normalmente antecipa o dinheiro e depois recebe os apoios “da publicidade e da Câmara de Santa Maria da Feira”.
EQUIPA À IMAGEM DO PRESIDENTE
Vítor Brito, o primeiro treinador do Martelinho SC, está de regresso ao clube depois de um ligeiro interregno por motivos pessoais. Juntamente com o técnico António Mendes vai procurar recolocar a equipa nos campeonatos nacionais. “Somos sempre o alvo a abater”, denuncia Vítor Brito, acrescentando que todos os adversários “querem bater a equipa do Martelinho”.
O regressado treinador sente-se bem junto das pessoas que fazem o clube – “É praticamente uma família” – e constata, depois de uma curta ausência, que os jogadores mantém o espírito do presidente: “Têm a garra e a fibra com que Martelinho joga no Boavista”.
Comparando com outras equipas, Vítor Brito sustenta que no Martelinho SC “não há tantas baldas”. “Há disciplina...”, acrescenta o treinador, para quem, no futsal, “para além de ter que se saber jogar, é muito importante haver disciplina e ser um grupo unido”. “Daí que a imagem que temos do futebolista Martelinho, procuramos também transmitir à nossa equipa”, diz.
CHICOTADAS PSICOLÓGICAS
Curiosamente, no Martelinho SC “o chicote já estalou por duas vezes...” O futebolista ‘axadrezado’ esclarece que “nunca se mete no trabalho dos treinadores”, defendendo mesmo a máxima que “devem morrer pela sua cabeça”.
Mesmo assim as mudanças aconteceram, mas só uma vez por causa dos maus resultados: “Na época passada as coisas não estavam a correr bem. Dei várias oportunidades, mas não conseguiu...”, justificou Martelinho, explicando que no outro caso o treinador deixou o clube para ir ganhar mais dinheiro para um outro lado.
BOAVISTEIROS SEMPRE ATENTOS
Os resultados do Martelinho SC não passam indiferentes aos futebolistas do Boavista. “Os meus colegas querem sempre saber os resultados. Quando perco, criticam-me logo”, gracejou o futebolista, lembrando que o ‘mister’ Jaime Pacheco gosta de saber se o presidente Martelinho “manda ou não treinadores embora”.
Habitualmente os jogos do Martelinho SC têm assistências na ordem das 300 a 400 pessoas e, por vezes, nas bancadas, também se vêem caras conhecidas do futebol boavisteiro.
PLANTEL ATACA REGRESSO À 3ª
O Martelinho SC movimenta cerca de trinta atletas, nos campeonatos seniores e juniores de futsal. A equipa dos juniores teve na época passada a estreia competitiva e obteve um interessante 4.º lugar no Distrital de Aveiro.
Para que conste, o plantel sénior com que o Martelinho SC vai atacar o regresso à 3.ª Divisão Nacional é formado pelos seguintes elementos: Vítor Pereira e Tiago (guarda-redes); Espanhol e Gusto (fixos); Fary, Márcio, Cláudio, Fadu, Bruno, Ramiro, Carlos, Nelson, Ivo e Miguel Armando (alas); Miguel (pivot). Treinadores: António Mendes e Vítor Brito.
UM NOVO CAPITÃO
Bruno Rodrigues é o novo capitão de equipa do Martelinho SC, sucedendo ao anterior dono da braçadeira, Nelinho, irmão do líder do clube e que também foi futebolista profissional em emblemas como o Marco, Lourosa, Sanjoanense e Fiães.
“Não é qualquer um que se pode orgulhar de ser capitão de equipa do Martelinho SC, com grande visibilidade no distrito de Aveiro e não só...”, explicou o ala Bruno, acrescentando que desde o início a equipa “tenta ser um pouco à imagem do Boavista, com uma enorme raça, fibra e sem virar a cara à luta”.
MARTELO E MARRETA
Joaquim Pereira Silva, o conhecido futebolista que desde os 13 anos está no Boavista, adoptou carinhosamente a alcunha familiar de Martelinho, com a qual alcançou a notoriedade no clube ‘axadrezado’, ao serviço do qual obteve um título nacional.
Uma herança que vem do lado materno: “A minha mãe é da família dos Martelos e o meu pai da família dos Marretas”, ambas de Lourosa, como explica o futebolista-presidente.
ESCOLA MARTELINHO
Após fundar um clube com o seu nome, Martelinho já pensa na criação de uma escolinha de futebol. Uma ideia antiga, tanto mais que muitas pessoas, quando vêem as carrinhas do seu clube, “perguntam se existe uma escolinha do Martelinho para miúdos”. Pode ser que com a construção do futuro Pavilhão Gimnodesportivo do Martelinho SC a ideia do futebolista passe à prática.
PÁGINA NA INTERNET
O clube já tem uma página na internet, por sinal muito visitada: “Já recebemos vários e-mail de jogadores e treinadores brasileiros a oferecerem-se para o meu clube”, explicou o futebolista, acrescentando que a página do Martelinho SC (www.martelinho-sc.com) é muito melhor que a de muitos conhecidos clubes de futebol da SuperLiga.
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