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Correio da Manhã

Desporto
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Mas quem é que festejou o empate?

O discurso do treinador do Porto é tão confuso como o momento da equipa.
1 de Outubro de 2011 às 00:00
Mas quem é que festejou o empate?
Mas quem é que festejou o empate?

Vítor Pereira não se sente seguro na cadeira dos sonhos onde se viu de repente sentado quando Villas Boas partiu para Londres para ser feliz ao lado de Abrahmovic. Compreende-se porquê. Substituir um treinador que ganhou quatro provas de rajada e que se aprimorava numa imagem optimista e risonha de juvenil sofisticação, para além de outros atributos luso-britânicos que lhe vieram do berço, não deve ser nada fácil para Vítor Pereira, um portuguesinho de gema, de cariz popular e sem os dotes oratórios e a esperteza de comunicação do seu muito prendado antecessor.

 

O FC Porto não tem estado bem nos seus últimos jogos, já lá vão três vezes 90 minutos sem uma vitória o que é coisa rara para os lados do Dragão. Provavelmente, se perguntarmos aos adeptos do FC Porto, nossos amigos, conhecidos ou familiares, qual destes três não-sucessos lhes causou maior dor e aflição, as respostas apontarão para o empate com o Benfica no Dragão e ainda por cima concedido já perto do fim da partida quando era mais natural, conhecendo-se os antecedentes, que fosse o Benfica a quebrar perante a hostilidade do ambiente e o poderio do adversário.

 

No entanto, se analisarmos com frieza este encadeado dos últimos dias, mais alarmante do que o empate cedido frente ao Benfica, mais preocupante do que a derrota inapelável em São Petersburgo, terá sido o empate pífio, sem golos, registado no primeiro jogo desta série negativa, contra o recém-primodivisionário Feirense. Mas foi o semi-desaire com o Benfica que lançou a discussão sobre as capacidades do treinador do FC Porto e diga-se que Pinto da Costa não ajudou nada a serenar os ânimos porque, como é da cultura geral do futebolês, é sempre mau sinal quando um presidente sente necessidade de vir a público manifestar a sua confiança no treinador.

 

E foi precisamente isso que aconteceu. Vítor Pereira, acossado pelas palavras do seu presidente, percebeu que tinha de fazer render em seu favor os poucos trocos que lhe sobraram do clássico. Sentindo-se em apuros, projectou todo o jogo com o Zenith em função não dos russos mas do Benfica, o que é insensato. Prometeu que ia jogar a São Petersburgo como o tinha feito na primeira parte do "clássico" português e atirou-se a Jorge Jesus acusando-o de ter festejado o empate no Dragão, o que não é verdade. Pereira, perturbado pelos críticos, optou por um discurso tão confuso como o momento que a sua equipa atravessa. E, na Rússia, na quarta-feira, nem sequer conseguiu empatar o jogo o que lhe daria razões bastantes para festejar. Ou, pelo menos, para sossegar um bocadinho.

 

ERRAR É HUMANO

 

META-SE JÁ UM ÁRBITRO DE PREVENÇÃO

 

Foi amplamente noticiada a homenagem de que o presidente do FC Porto foi alvo em Gondomar no sábado passado, logo a seguir ao empate cedido em casa frente ao Benfica. Pinto da Costa, segundo rezam as crónicas, afirmou peremptoriamente não haver nada que o impedisse de fazer "um balanço positivo" do trabalho de Vítor Pereira no comando da equipa campeã nacional em título.

 

É compreensível. Não seriam dois singelos empates para o campeonato que fariam Pinto da Costa mudar de opinião sobre o técnico que manteve um mês "de prevenção" para substituir Villas Boas, esse grande trânsfuga.

Já sobre Jorge Sousa, que foi o árbitro do clássico, parece que o presidente do FC Porto mudou de opinião. Do "esse gajo é bom árbitro", tal como foi ouvido por quem se entreteve a ouvir as escutas do processo Apito Dourado, Pinto da Costa passou para uma posição mais renitente sobre as reais qualidades do referido juiz. Questionado sobre a arbitragem de sexta-feira no Estádio do Dragão, afirmou pouco peremptoriamente o presidente do FC Porto: "... para ser do Jorge Sousa, até não foi má..."

O melhor é o outro Vítor Pereira (o presidente dos árbitros) meter já "de prevenção" outro árbitro que dê garantias de isenção e amor pela verdade desportiva porque este, está visto, estragou-se com o elogio.

POSITIVO 

Czar Danny

Sistematicamente menosprezado na selecção portuguesa, Danny aproveitou o jogo com o FC Porto para mostrar ao país inteiro que é um numero 10 de características raras, tais como alta velocidade e pontapé certeiro.

Bruxo César

E pronto, os benfiquistas têm um novo ídolo. Bruno César, que chegou à Luz com peso a mais e motivação a menos, acordou do seu sono tropical, desatou a jogar futebol e a marcar golos. É um artista, sim senhor.

 

NEGATIVO 

Triste Fucile

Protagonizou o lance mais caricato do último clássico do Dragão e viajou até São Petersburgo para comprometer a equipa fazendo-se expulsar infantilmente. O FC Porto jogou meia parte com 10 e nunca mais se endireitou.

 

PÉROLA

 

"Na Liga da Verdade o Sporting está em primeiro lugar.": GODINHO LOPES

 

O Sporting vai jogar a Guimarães para o campeonato e aquele pormenorzinho de estar classificado no 6.º lugar da tabela é apenas isso mesmo... um pormenorzinho que encerra uma injustiça monumental, segundo o presidente do clube. A culpa é dos árbitros, como não podia deixar de ser.

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