Jogadora da seleção norte-americana critica como as mulheres têm sido "desvalorizadas".
A futebolista norte-americana Megan Rapinoe encontrou-se, esta quarta-feira, com o presidente Joe Biden, na Casa Branca, e testemunhou no Congresso, pedindo ação para pôr um fim à desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Ao encontrar-se com Biden, que descreveu como "um aliado", a jogadora dos Reign FC e da seleção norte-americana, campeã do mundo em título, denunciou a forma como ela e muitas outras têm sido "desvalorizadas só por serem mulheres".
"É fantástico estar aqui [na Casa Branca]. Esta presidência é obviamente muito mais acolhedora do que a anterior", declarou, numa referência ao ex-presidente, Donald Trump, e ao Mundial de 2019, quando declarou que não o visitaria se ganhassem o título, o que aconteceu.
A bicampeã mundial tem lutado pela igualdade salarial na seleção norte-americana, argumentando que a equipa feminina, recordista de 'cetros' mundiais, tem muito melhores resultados do que a masculina e recebe muito menos.
Rapinoe, de 35 anos, foi recebida no Congresso por um comité devido ao "Equal Pay Day", um dia que assinala o tempo extra, em média, que uma mulher precisa de trabalhar para ganhar o mesmo que um homem no ano que passou: este ano, quase três meses completos.
"É simplesmente inaceitável que ainda tenhamos que lutar pela igualdade salarial. Se acontece connosco [a seleção feminina], que estamos sob os holofotes todos os dias, claro que acontece a todas" as mulheres, declarou, perante representantes da Câmara dos Representantes.
A democrata Carolyn Maloney, que preside ao comité, explicou que uma mulher ganha 82 cêntimos por cada dólar de um homem, mas o caso piora quando se explora a diferença racial: uma mulher afro-americana ganha 60 cêntimos, uma hispânica 55.
A situação, de resto, acontece "em quase todos os trabalhos de que há dados", revelou Nicole Mason, que lidera um instituto de estudos sobre paridade económica, algo que sucede não por "escolhas individuais de mulheres", mas pela "sistemática desvalorização de talento e capacidade que trazem para o mundo do trabalho".
Segundo Mason, sem ação "a paridade não acontecerá antes de 2059, e para mulheres de minorias étnicas demorará mais de um século". "Mas não temos de esperar. Podemos mudar isto agora mesmo", insistiu Rapinoe.
Segundo dados divulgados já este ano pelo Eurostat, as mulheres ganham, em média, menos 10,6% do que os homens em Portugal, um cálculo feito pela diferença entre a média do valor bruto por hora de homens e mulheres.
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