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Correio da Manhã

Desporto

MERECIA A MINHA OPORTUNIDADE

João Paiva, 20 anos, é o goleador enigmático dos ‘leões’. Sempre se fartou de marcar mas nem Bölöni, tão atento aos jovens, lhe concedeu a oportunidade que reivindica. Em final de contrato, quer renovar e convencer o novo técnico
21 de Maio de 2003 às 00:00
Correio da Manhã - Com o contrato no fim, ajudou, com dois golos na última jornada, a salvar a equipa ‘B’ da descida. Foi mais uma demonstração de qualidade e carácter?
João Paiva- A minha função era fazer golos e ainda bem que marquei num jogo tão decisivo. Não seria preciso estarmos à espera tanto tempo para garantir a manutenção porque não era este o nosso objectivo. Mas foi grande o alívio.
- Falta-lhe cerca de um mês para acabar contrato. A SAD já manifestou interesse na continuidade?
- O que a SAD já me manifestou foi o desejo de conversar, não sei se para renovar, até porque a política de renovações só será abordada no final do campeonato.
- Mas fala-se já do interesse de outros emblemas, até estrangeiros?
- A minha ambição desde pequenino foi sempre jogar aqui na primeira equipa e mantém-se, ainda que me sinta lisonjeado pelos convites do estrangeiro. Sinceramente, não estou a pensar em sair, nem encontro motivos para isso. Já estou há dois anos nos ‘bês’, uma equipa de transição e não de permanência. Julgo ter passado o período de transição e que o Sporting está atento ao meu crescimento. Por isso, o objectivo é ficar na primeira equipa.
- Apesar de ser o goleador dos ‘bês’, foi afastado do ‘onze’ sem razão aparente. Porquê?
- A única justificação é ter sido opção técnica. Fui ao banco e admito que fiquei desiludido mas felizmente trabalhei sempre bem até regressar à equipa. E regressei.
- Encontra justificação para Bölöni, conotado com o lançamento de jovens, nunca ter apostado em si?
- É para mim complicado saber que nunca fui mencionado, mas é também importante perceber que a época foi atribulada e o Sporting, não só perdeu a época desportiva como a possibilidade de lançar jovens. Porque não é bom colocar novos jogadores quando a equipa não está segura.
- Mas sentiu a tal proximidade de que se fala entre o ’mister’ e os jovens?
- Em relação à equipa ‘B’, para ser honesto, nunca houve uma proximidade muito grande. Nunca os nossos treinos foram orientados por Bölöni ou pelo seu adjunto.
- Nas duas últimas épocas, sempre na equipa ‘B’, apontou 22 golos. Não se sente uma promessa permanente sem direito a explodir?
- Na minha posição, num clube com a grandeza do Sporting, é complicado dar-se oportunidades, ainda para mais tendo avançados como Jardel e Niculae.
- Mas ambos realizaram épocas para esquecer...
- Por isso, atendendo ao que se passou, acho que merecia a minha oportunidade.
- O facto da SAD ter anunciado alterações na estrutura técnica permite-lhe acalentar maiores esperanças de integrar o plantel?
- Uma mudança de treinador é quase sempre benéfica para os jogadores, porque representa um novo estímulo até para aqueles que não foram apostas e assim voltam a ter esperança. Eu, só espero que o novo técnico conte comigo.
CADEIRA NO ALVALADE XXI
Vê-se que sente o Sporting até na forma como aviva a voz e se lhe rasga o sorriso quando conta um passado todo ele ligado ao emblema ‘leonino’. É sportinguista assumido e nem sequer esconde que há muito vive na esperança de concretizar o seu sonho de menino.
“Sou sócio há 20 anos e até já comprei cadeira no novo Estádio, cadeira essa que espero, nos próximos anos, utilizar pouco, sinal que estou a jogar no Alvalade XXI”, revela sorridente este ‘leão’ recrutado pelo perspicaz Aurélio Pereira.
350 GOLOS... E O DAS ANTAS
Falar de João Paiva é falar de golos. É esta a palavra que prefere e que melhor o define. Segundo consta, desde que em 1995 chegou a Alvalade, já marcou mais de 350 sempre com a camisola que desde criança venera. Ainda antes de ingressar no clube, na última das duas épocas no Olivais e Moscavide, fez 90 golos. Recorda “os dois com que Portugal venceu Inglaterra no Europeu Sub-16”, mas há outro que lhe provoca especial regozijo: “O 2-2 nas Antas, a um minuto do fim do jogo”...
UM DENTISTA COMO BOLONI
Sente-se como peixe na água nos relvados mas nem por isso deixa de acautelar o futuro. Paiva está no primeiro ano de medicina dentária e, garante, este é outro dos seus “grandes objectivos para concretizar”. “Falta-me ainda muito tempo e sei que não é fácil mas é algo importante para a minha formação e uma profissão que um dia quero exercer”, revelou o jovem, por coincidência a tirar o mesmo curso que Bölöni completou. Na mesa, na animada conversa, logo alguém disse: “Ele (Bölöni) tem medo que lhe tires o lugar”(risos).
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