Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
9

Messi não é nenhum Weah

Sobre malucos, loucos e lunáticos de Madrid a Alvalade.
21 de Janeiro de 2012 às 00:00
Messi não é nenhum Weah
Messi não é nenhum Weah

O nosso compatriota Pepe não tem de recear o reencontro com Lionel Messi na próxima quarta-feira, em Camp Nou, para o jogo da segunda-mão da eliminatória da Taça do Rei. Lionel Messi não é nenhum Georges Weah. Em 1996, num confronto entre o FC Porto e o AC Milan a contar para a Liga dos Campeões, no jogo da primeira-mão, em San Siro, Jorge Costa, outro nosso compatriota, pisou a mão do avançado liberiano Georges Weah e partiu-lhe dois dedos. Nas Antas, no final do jogo da segunda-mão, Georges Weah esperou por Jorge Costa no túnel e espetou-lhe um murro na cara com tal violência que o defesa-central do FC Porto teve de receber cuidados médicos e dentários. Foi uma cena inaudita de delinquência e, por muito estranho que ainda hoje possa parecer, nesse mesmo ano a FIFA ousou galardoar Weah com o Prémio Fair Play, o que provocou grande consternação, revolta e protestos nas Antas.

Ninguém acredita que na próxima quarta-feira, Messi faça uma espera a Pepe no túnel de Camp Nou para lhe afiambrar um soco de desforra por ter sido pisado pelo central português numa atitude indesculpável. Lionel Messi parece ser um tipo pacífico, exclusivamente interessado em jogar futebol, coisa que faz como mais ninguém. E Messi não é maluco. Mas lendo a imprensa do país nosso vizinho no dia a seguir ao grande clássico do Santiago Bernabéu, restam poucas dúvidas sobre o diagnóstico clínico dos "nuestros hermanos" sobre o caso Pepe. Para os espanhóis, Pepe é maluco. Para o "El País", o português sofre de "alienação mental" e para Xavier Aguado, antigo jogador do Saragoça, "Pepe pediu para ser substituído porque tinha de voltar ao manicómio antes da meia-noite".

Não foi a primeira vez que Pepe se notabilizou por dislates destes na Liga espanhola. Está ainda fresca na memória de todos uma entrada a matar sobre um adversário num jogo com o Getafe, lance demencial que lhe valeu uma longa suspensão. Este tema da doidice é novo no futebol mundial. E se também já chegou a Portugal e às discussões sobre o nosso futebol, a culpa, desta vez, não é de Pepe. Longe disso. A culpa é do Sporting que vem persistindo no dito tema com um à-vontade que não augura nada de bom.

Bastou a derrota em Braga para que o actual presidente da assembleia-geral do clube viesse dizer que "só um louco teria agora o mesmo entusiasmo de há quatro ou cinco semanas" e para que um ex-treinador viesse corrigir o dirigente com um diagnóstico ainda mais desfavorável: "Só um lunático acreditaria no Sporting campeão", disse José Peseiro. Tudo isto é má propaganda para a modalidade.

ERRAR É HUMANO

Estes árbitros ultra-exigentes

Óscar Cardozo está muito perto de ser um dos melhores avançados da história do Benfica. Não é uma opinião subjectiva porque neste capítulo do rendimento dos homens da frente os currículos constroem-se com golos. Em matéria de futebol, golos são factos indesmentíveis e ao paraguaio ninguém pode acusar de relaxamento quando se trata de meter a bola no fundo das redes adversárias, seja de pé esquerdo, de cabeça e até mesmo de pé direito que não é o seu forte.

Tal como um outro goleador excepcional do Benfica de antigamente, Nené, a quem o Terceiro Anel acusava de não "sujar os calções", Óscar Cardozo tem sofrido a injustiça de ver os seus méritos continuamente postos em causa por um ruidoso sector do público da Luz. Cardozo tem lidado bem com essa embirração do público que, por mais que assobie, não consegue tirá-lo da equipa.

Cardozo, no entanto, tem lidado mal com a embirração de alguns árbitros que, esses sim, têm poder para o pôr fora do campo. Se a sua expulsão no jogo com o Sporting foi admissível - viu um segundo amarelo por protestar uma decisão do árbitro -, já a sua expulsão no jogo como o Setúbal foi caricata. O paraguaio não só não se fez ao penalty como ainda teve o cuidado de explicar gestualmente que a sua queda, inevitável para evitar o choque com o guarda-redes, foi um acidente normal de jogo. Mesmo assim foi para a rua. Ai, ai, estes árbitros benfiquistas ultra-exigentes...

POSITIVO

Nolito imparável - Este menino de rua de uma aldeia pobre da Andaluzia que não conseguiu convencer Pep Guardiola da sua utilidade no Barça é, actualmente, a alegria do povo no Estádio da Luz. Pelo que joga e pelo que faz jogar.

Futre superstar - Já não joga há muitos anos mas o regresso de Paulo Futre à ribalta da sociedade portuguesa mereceria um aprofundado estudo sociológico. Esta semana estreou-se com um programa na TVI. Futre faz sorrir um país triste.

NEGATIVO

Patrício distraído - O guarda-redes titular da selecção portuguesa insiste em agarrar à mão as bolas que lhe chegam dos seus companheiros da defesa e, este ano, o Sporting já sofreu três livres indirectos na área graças às distracções de Patrício.

PÉROLA

"Temos tudo para ganhar ao Marítimo": MIGUEL VÍTOR, JOGADOR DO BENFICA

Depois de dois meses de ausência, o central benfiquista regressou à titularidade no jogo com o Santa Clara para a Taça da Liga e a sua exibição chegou para as encomendas que foram poucas. Escusado seria, no entanto, o momento de fanfarronice final. O Marítimo até já eliminou este ano o Benfica da Taça de Portugal.

Ver comentários