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Correio da Manhã

Desporto
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MIL SEGURAM JOGO DE RISCO

O Euro começa a sério amanhã, pelo menos para quem trata da segurança. Um estádio, duas equipas e quase mil homens e mulheres atentos a tudo o que se passa. Quando Benfica e Sporting entrarem em campo, a máquina estará a funcionar tal como será daqui a seis meses, durante o Campeonato da Europa de Futebol. “Acredito que no Euro’2004, não haverá nenhum jogo tão complicado como este”, assegura ao CM o subintendente Sousa Simões, comandante da 3.ª Divisão da PSP de Lisboa.
3 de Janeiro de 2004 às 00:00
“Os adeptos das selecções não encaram os jogos como os adeptos dos clubes. Daí que este ‘derby’ possa ser mais complicado”, acrescenta o responsável pelo dispositivo de segurança no Estádio da Luz. A PSP não quer correr riscos e classificou o jogo de ‘Risco Elevado’.
Ontem à tarde, e ao contrário do que sucederá amanhã e nos jogos do Euro’2004, muitas fardas azuis da Polícia subiram e desceram as bancadas vermelhas da Luz, delimitando zonas, observando acessos e definindo regras. “Não haverá polícias visíveis, mas isso não quer dizer que a PSP não esteja no estádio. Serão tantos ou mais do que antes”, garantiu Sousa Simões.
Mais visíveis do que os cerca de 350 agentes – fardados, à civil e do Corpo de Intervenção – vão estar os assistentes de recinto desportivo – ARD ou ‘stewards’, como são conhecidos. E não será difícil saber quem são: farda castanha, colete fluorescente e costas voltadas para o relvado. “A missão do ’steward’ é estar atento ao público, não ao jogo”, explicou Paulo Silva, da Prosegur.
Haverá 500 coletes fluorescentes nas bancadas, nos acessos e nos estacionamentos. “É a maior operação deste género em Portugal e durante o Euro deverá ser assim”, explicou Paulo Silva ao CM. Somando tudo – os 500 ‘stewards’, os 350 polícias e os reforços eventuais – a segurança vai mobilizar cerca de mil elementos. António Laranjo, director técnico do torneio não esconde a importância do jogo. “É um teste importante. Este estádio tem a maior lotação, vai receber cinco jogos e será disputada aqui a final”, referiu o director do Euro’2004.
O apito inicial deverá ouvir-se às 19h00. O futuro próximo poderá ser assim. Mas talvez mais simples.
PROBLEMAS
ENTRADAS
As obras junto ao estádio obrigam a Polícia a trabalho reforçado, já que existem apenas dois acessos pedonais.
CONTROLO
Há um perímetro de segurança da Polícia onde só se passa com bilhete e os ‘stewards’ vão revistar os adeptos.
ATRASOS
“À saída do estádio, as pessoas devem contar com alguma demora no trajecto”, alerta o subintendente Simões.
MULTAS
A PSP avisa: comportamentos ilícitos dentro do estádio serão punidos com multas nunca inferiores a 2000 euros, ou 400 contos na moeda antiga.
PARTIDA IMPRÓPRIA PARA ...FAMÍLIAS
Chamar famílias ao futebol e em particular ao Estádio da Luz é uma das ideias dos dirigentes benfiquistas para colmatar a, ainda, fraca afluência dos adeptos à ‘Catedral’. Contudo, para o primeiro ‘derby’ nada ficou definido. A falta de zonas comerciais – que só estão prontas em Fevereiro ou Março – e a grande procura de ingressos terão sido também fortes condicionalismos para o Benfica não ‘chamar’ as famílias ao futebol, pois, segundo o ‘vice’ Mário Dias, em termos de segurança o novo recinto das ‘águias’ oferece tudo do bom e do melhor.
“No futuro pretendemos apelar à vinda de muitas famílias ao Estádio da Luz. Nesse sentido, estamos a criar zonas de convívio como a área comercial, que estará pronta em Fevereiro ou Março. Queremos ter as melhores condições para depois, então, chamar pais, mães, filhos, avós e tios ao futebol. No entanto, creio que este tipo de encontros – ‘derbies’ – não são os mais indicados, ao contrário dos jogos de menor afluência”, afirmou ao CM o vice-presidente para a área do património Mário Dias, revelando depois que não serão as questões de segurança que vão afastar os adeptos do ‘ninho’ das ‘águias’.
“O estádio do Benfica tem todas as condições de segurança para oferecer aos adeptos e famílias inteiras. Já foi tudo testado e temos todas as garantias do excelente funcionamento dos mecanismos de segurança. Foi tudo criado para a dimensão do clube”, referiu o dirigente, desejoso de ver o primeiro ‘derby’ no ‘seu’ estádio.
“Vai ser, sem dúvida, muito emocionante e nada melhor que uma vitória sobre o nosso eterno rival. Contudo, espero acima de tudo um grandioso espectáculo. Queremos mostrar a todos aquilo que também poderemos fazer nos jogos do Europeu de futebol e nada melhor que um confronto com o Sporting”, sentenciou.
FAMILIAS LEONINAS TEMEM PELA SEGURANÇA NO 'DERBY'
O novo Estádio da Luz vai estar cheio para receber o jogo entre Benfica e Sporting, o mais escaldante ‘derby’ do futebol português. Apesar da lotação esgotada, ainda existem muitas pessoas que receiam assistir a um encontro desta natureza ‘in loco’, invocando problemas relacionados com a segurança. O CM foi procurar saber, junto de algumas famílias sportinguistas, as razões de ir ou não ao Estádio da Luz ver o ‘derby’.
“Não há dúvida que os novos estádios são mais cómodos. Só que neste tipo de jogos, entre equipas rivais, há sempre um certo risco. Continuo a achar que as claques afastam as famílias dos estádios”, afirmou Filipe Silva, justificando: “Eles passam o tempo todo de uma partida a insultar os adversários, os árbitros e até os jogadores da própria equipa. Isso é mau, especialmente para quem tem filhos pequenos”.
Neste jogo em especial, no Estádio da Luz, outra das razões que afasta as famílias dos recintos desportivos são os acessos e a falta de condições extra futebol. “Não vou ao estádio da Luz com a minha família. Pelo que ouvi dizer que os acessos ainda estão um pouco complicados e ainda demora-se muito tempo a sair do estádio”, explicou Jaime Manso, pai de um casal de 12 e 15 anos.
O facto do Estádio do Benfica ainda não ter uma zona comercial, como é o caso do Alvalaxia, com cinemas, restauração e áreas de lazer, também inibe algumas esposas de acompanharem os maridos. “A Alvalade costumo trazer a minha mulher, porque pode optar por ficar no centro comercial”.
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