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Correio da Manhã

Desporto
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MINHO VAI TER ORGULHO NO SP. BRAGA

Pedro Machado foi indigitado ontem à noite presidente do Sporting Clube de Braga. É a 'peça-chave' de um novo sistema de gestão que passa pela separação do clube e da SAD, depois da demissão de Fernando Oliveira, que se queixou da má situação financeira e da falta de apoio. Os novos dirigentes querem inverter isso mesmo.
7 de Março de 2003 às 00:00
Correio da Manha – Já analisou as contas do SC Braga?
Pedro Machado – Estamos a analisar.

– Do que já viu, confirma-se o cenário negro denunciado pelo seu antecessor?
– São as contas que há e com que todos temos de trabalhar. É uma situação complicada, mas só para a morte é que não há solução. É preciso trabalhar. A situação exige dádiva de toda a gente. Temos a convicção de que, com muito trabalho e a ajuda de todos, vamos ultrapassar os problemas.

– O saneamento financeiro vai obrigar a cortes no futebol?
– Nada disso. Sou apenas um membro do Conselho de Administração da SAD, mas garanto que todos estamos apostados em consolidar e tornar o Braga cada vez mais forte. Este é um momento ímpar para o futebol português e para Braga. Vamos ter um novo palco de futebol que, do ponto de vista arquitectónico, é dos projectos mais arrojados em Portugal. Por isso, temos que aproveitar o novo estádio e a participação do Euro'2004 para a afirmação e consolidação da imagem de Braga e da região. Queremos que os bracarenses e as gentes do Baixo e Alto Minho tenham orgulho e se sintam parte do Sporting Clube de Braga.

– Os empreiteiros vão ser os mecenas do SC Braga?
– Lamento que se veja assim a questão. Temos no conselho de administração da Sociedade Anónima Desportiva apenas alguns empresários de construção civil, mas há muitos mais e queremo-los a todos, num projecto de envolvência de todos os sectores e instituições de Braga e da região do Minho, desde os agentes económicos, à Igreja, escolas, universidade. Queremos trabalhar em cooperação com toda gente, nomeadamente os bracarenses, para podermos fazer o melhor pelo clube. O objectivo é desenvolver um trabalho que vire a cidade e a região para o clube, e abra também o clube para a sociedade civil.

– É habitual o SC Braga encontrar nas transferências de jogadores de futebol uma boa fonte de receita. Apesar do mau momento do mercado, há algum jogador que o Braga tenha em perspectiva vender?
– Todos são activos do clube e, por isso, queremos proporcionar-lhes todas as condições para que eles se valorizem, sempre no interesse do Braga.

– Está ansioso por uma transferência do Tiago, do Benfica, para que o Braga receba a sua percentagem no negócio?
– Trata-se de mais um activo do Braga e que foi salvaguardado pela anterior direcção. Estaria a mentir se dissesse que não gostaria que o Benfica vendesse o Tiago, mas não estou ansioso por isso. A nossa grande preocupação é assegurar uma boa gestão do clube e que os negócios sejam os melhores para o Braga.

– O atletismo foi uma actividade de referência do SC Braga, que agora está a fazer uma espécie de travessia do deserto. Tal como a natação. O voleibol e o futebol feminino é que parecem ter ganho um novo fôlego. As modalidades amadoras vão sofrer com a crise financeira?
– As modalidades amadoras fazem parte de um importante legado do nosso clube. As modalidades amadoras são para manter. Obviamente, isso acontecerá dentro de um princípio rigoroso de organização, controlo e equilíbrio. As equipas femininas de voleibol e futebol são uma aposta que estão ainda na rampa de lançamento e que vão prosseguir com força. O atletismo e a natação constituem duas modalidades de valor inegável no clube e que muito em breve vão certamente mostrar que continuam na ribalta e na primeira linha do SC Braga.

PERFIL

Nome: Pedro Jorge da Silva Ferreira Machado.
Idade: 35 anos.
Habilitações literárias: Licenciado em gestão de empresas.
Estado civil: Casado
Residência: Braga
Funções: Exerce as funções de administrador-delegado e presidente do Conselho de Administração da 'BRAVAL-Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA' e vice-presidente executivo da Associação Industrial do Minho. É vice-presidente da Assembleia Geral e ex-membro da direcção da Associação dos Antigos Alunos da Universidade do Minho. Foi administrador interno da Associação Académica da UM de 1989 a 1993.
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