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Correio da Manhã

Desporto
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Morde Leão!

Sá Pinto recebeu o Sporting mais inofensivo do século, com apenas cinco golos marcados nas últimas oito jornadas.
18 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Reinventar as soluções ofensivas é a tarefa prioritária do novo treinador, perante um rendimento muito baixo
Reinventar as soluções ofensivas é a tarefa prioritária do novo treinador, perante um rendimento muito baixo FOTO: d.r.

Os sportinguistas esperam de Ricardo Sá Pinto que a equipa volte a ser agressiva e marque golos. Quase sem se dar por isso, olhando mais para a perda de pontos do que para a objectividade dos resultados, os adeptos leoninos nem se deram conta que a equipa há muito perdera a sua capacidade de atingir as balizas adversárias.

O leão de Domingos deixou de 'morder' a seguir no jogo com o Benfica, sendo inexplicável que não consiga há tanto tempo, mais de oito jornadas seguidas, construir um golo que não seja de bola parada.

 

Antigo avançado combativo e objectivo, Sá Pinto encarna melhor o espírito leonino do que Domingos Paciência, mais cerebral e estilista. Essa maneira de estar em campo distinguia-os enquanto jogadores e talvez venha a diferenciá-los igualmente na expressão da equipa leonina. Este é o repto de Sá Pinto: ninguém lhe vai cobrar qualidade de jogo, mas todos esperam maior capacidade de finalização.

 

Com um ataque todo renovado, após o afastamento de Helder Postiga e Yannick Djaló à terceira jornada, o Sporting chegou a prometer o futebol mais realizador dos últimos anos, mas de repente a torneira secou. Sem nunca perder a capacidade de mandar em campo, com maior percentagem de posse de bola em todos os campos, o jogo leonino só falha na frente de ataque: falta-lhe um playmaker decisivo, um extremo certeiro e um avançado fulminante.

 


 

E este é o dilema de Sá Pinto: manter a confiança em Matias, Capel e van Wolfswinkel, três jogadores adorados em Alvalade, mas até agora absolutamente incapazes de colorir o jogo do leão.

 

EQUIPA COM MAIS POSSE DE BOLA

À excepção de Guimarães, onde actuou 70 minutos em inferioridade numérica, o Sporting teve mais posse de bola em todas as jornadas, incluindo frente ao Benfica (56%) e FC Porto (51%).

 

MAIS DE 12 HORAS SEM MARCAR DE BOLA CORRIDA

 

O minuto 50 do jogo com a União de Leiria (10.º jornada) assinalou o golo de Matias Fernandez, saído de um passe do lado esquerdo, de Carrillo. Era o último golo do Sporting, na Liga, num lance de bola corrida. Nas oito jornadas que se seguiram (10 horas e 40 minutos de futebol), o Sporting marcou apenas cinco golos, todos em lances de bola parada.

UM PROBLEMA DE EFICÁCIA

Capel

1 ASSISTÊNCIA

Muita parra e pouca uva o trabalho do espanhol, cujos cruzamentos raramente encontram destinatário. Para lá de dois lances de bola parada, apenas um, na 5.ª jornada, deu golo.

 

Matias

0 ASSISTÊNCIAS

Um playmaker que não consegue conceber uma única jogada de golo acaba por passar de solução a problema: nenhuma assistência em 18 jornadas é um péssimo cartão de visita.

 

Van Wolfswinkel

3 GOLOS

Parecia embalado, com um mês de Setembro prolífico, mas logo perdeu a inspiração. Não fossem os penaltis e seria o mais inofensivo finalizador da história recente do Sporting.

 


 


 

Banco

2 GOLOS

Somente doze minutos de excepção frente ao Gil Vicente (8.ª jornada) salvaram a reserva atacante de uma secura total de golos: Bojinov (2 golos), Rubio (0), Ribas (0).

 

... ENQUANTO NO BENFICA

 

5 assist.

Nolito, espanhol como Capel, ultrapassou todas as melhores expectativas, com golos e passes decisivos.

 

7 assist.

Aimar já realizou esta época mais assistências para golo do que Matias Fernandez em três anos (apenas 5).

 

9 golos

Cardozo dá-se ao luxo de falhar penaltis, mas mantém rendimento de matador, à frente da baliza.

 

8 golos

Rodrigo, com a sua velocidade e objectividade, é  maior revelação da época e um trunfo para os mercados.

 

AGRESSIVIDADE PERDIDA NA LUZ

 

A competitividade que a equipa de Domingos vinha evidenciando, jornadas a fio, desde finais de Agosto, esmoreceu com a derrota na Luz, em finais de Novembro. As estatísticas mostram como a vida dos adversários dos leões se tornou mais fácil: as faltas sofridas pelos jogadores do Sporting baixaram mais de 30 por cento nas últimas 7 jornadas e acabaram-se os jogos em superioridade numérica, uma constante do período áureo e também da campanha na Taça de Portugal.

Benfica Sporting Sá Pinto Domingos Paciência
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