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Correio da Manhã

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Mourinho, pressão alta, Europa ou tempestade

Abre a época inglesa e o Chelsea reencontra o único adversário interno que lhe tem dado desgostos a sério: o Liverpool de Benítez. Em jogo, a Community Shield (Supertaça), troféu menor para o tamanho da rivalidade entre Mourinho e Benítez. O espanhol do Liverpool é bom treinador e parece talhado para jogos decisivos e provas a eliminar. Nos últimos dois anos, recorde-se, ganhou as finais da Liga dos Campeões e da Taça de Inglaterra de forma épica (3-3, vitória nos penáltis), em ambos os casos depois de liquidar o Chelsea nas meias-finais. Facto que Mourinho não pode ter esquecido.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Mourinho, pressão alta, Europa ou tempestade
Mourinho, pressão alta, Europa ou tempestade FOTO: Lucy Nicholson, Reuters
O grande objectivo do nosso José não passa, certamente, pela demolição do rival ibérico na peça de abertura de uma temporada que se prevê mais disputada do que as anteriores. Interessa-lhe a vitória, claro, mas ele sabe que a Supertaça não passa de um aperitivo tendo em conta o que está para vir.
O Chelsea parte favorito para o [tri]campeonato, nem se discute; se o conseguir, não é proeza de somenos. Nos últimos 25 anos apenas o Liverpool (1982, 1983 e 1984) e o Manchester United (1996, 1997 e 1998) ganharam três Ligas seguidas. Mas o dono russo do Chelsea quer mais, muito mais. Ele tem os olhos fixos no único troféu que pode compensar a enormidade do investimento feito: a ‘Champions’. Depois de oferecer Shevchenko e Ballack a Mourinho, ninguém imagina como reagirá Abramovich a um eventual terceiro insucesso do clube na Liga dos Campeões.
O nosso José sabe que nem um terceiro campeonato poderá bastar para satisfazer Abramovich, por muito que esse feito calasse de vez os últimos focos de resistência da crítica inglesa à extraordinária supremacia do mago português na ‘Premiership’ – a Liga mais dura e exigente do mundo. Rafael Benítez bem gostava de ter esse problema. Ele sagrou-se campeão europeu logo na época de estreia em Anfield, mas a verdade é que o Liverpool, que é o maior de todos os clubes ingleses (com um historial e um currículo infinitamente superior ao do Chelsea), não ganha o campeonato há 16 anos (!!!)... nem parece estar na iminência de o conseguir com o espanhol. Este Liverpool, tão capaz de aborrecer seriamente Mourinho e Abramovich, parece unicamente talhado para jogos de ‘mata mata’ ou ocasiões solenes. É uma equipa que consegue resultados à defesa, jogando de forma passiva, calculada e cínica, numa aberração ‘italiana’ à gloriosa tradição ofensiva do clube. Falta ao Liverpool a autoridade natural e a cadência de maratonista que o Chelsea orgulhosamente exibe há dois anos. O que não significa que Rafa não venha a desgostar o nosso José mais vezes. Se calhar vai.
Liverpool-Chelsea, hoje, 15h00, directo, Sport TV
ADRIAANSE: FICA A DÚVIDA
O próximo treinador do FC Porto é o quinto em apenas dois anos. Adriaanse saiu como Del Neri - com a pré-época feita e o campeonato à porta - e isso é estranho num clube como o FC Porto, onde sempre se privilegiou a solidez, a maturação, a continuidade. Pelos vistos, a tradição foi-se desde que Mourinho voou para Londres. Mantenho o que escrevi há exactamente um ano.
Adriaanse era um ‘zé ninguém’ até Pinto da Costa lhe oferecer a oportunidade de trabalhar num dos melhores clubes do Mundo. Em Maio passado, segundo o próprio, Adriaanse passou a ser um treinador ‘de topo’. Errado. Ganhar a Liga e a Taça portuguesas foi como cumprir os mínimos. Qualquer outro arriscaria fazer o mesmo com o orçamento e o plantel do FC Porto. A verdadeira prova dos nove estava para vir.
A Liga dos Campeões, onde Adriaanse se espalhou ao comprido na época passada. Seria diferente este ano?... Fica a dúvida. Legítima. O FC Porto, esse, continuará de topo.
CRISTIANO RONALDO: A CERTEZA
A primeira resposta de Cristiano Ronaldo aos imbecis ingleses que continuam a achincalhá-lo pelo ‘crime’ que não cometeu no Mundial foi poderosa: dois golos, uma assistência e o enésimo elogio do treinador e mentor Alex Ferguson. Tomara o Manchester guardar por muitos anos um futebolista com a qualidade de Ronaldo. Na ‘Premiership’ não há muitos como ele. Se é que há algum. Enfim, os tablóides ladram, a caravana passa e o fenómeno madeirense cresce a olhos vistos. Ferguson, inteligente, sorri.
SIMÃO SABROSA, QUE REMÉDIO!
Simão arrisca-se a falhar pela segunda vez em menos de um ano o salto para o estrangeiro. Nem Liverpool, nem Valência, nem ordenado estratosférico. Resta-lhe continuar no Benfica (que o acolhe de braços abertos, claro), mas contrariado. Sem questionar o empenho e o profissionalismo de Simão, parecem-me decepções a mais para quem sonhou tão alto. Acho difícil que Simão volte a ser tão decisivo como foi na Luz. Um homem não é de ferro.
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