Sapunaru tem, de facto, uma relação difícil com o público nos estádios de futebol. O que não deixa de ser estranho, tendo em conta que o romeno é um artista da bola e não há artistas sem público. Na primeira metade da época, Cristian Sapunaru jogou no FC Porto e agrediu dois elementos do público que se encontravam no túnel do Estádio da Luz. Pelo menos foi essa a interpretação do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol para quem o estatuto do “steward” é igualzinho ao estatuto do espectador mais vulgar entre a assistência.
Na segunda metade da época, Sapunaru jogou no Rapid de Bucareste mas não acabou o campeonato romeno em campo porque, na penúltima jornada zangou-se outra vez com o público que o assobiava, vá lá saber-se porquê, e despediu-se daquela cambada de provocadores com “uma sequência de gestos obscenos”, conforme relataram os jornais que, no entanto, não especificaram se os tais gestos eram destinados a espectadores com coletes ou sem coletes.
Enfim, fica a dúvida. A verdade é que Sapunaru foi suspenso por um jogo e está prontinho para regressar ao futebol português e ao seu FC Porto.
Se Cristian Sapunaru continua igual a si próprio, já Felipe Caicedo, que jogou a primeira metade da época no Sporting, está muito diferente, praticamente irreconhecível. E a sua relação com o público também mudou, e de que maneira, desde que o internacional equatoriano se mudou para Málaga, na segunda metade do campeonato.
Em Alvalade, os espectadores nem o podiam ver com a camisola do Sporting vestida. E, talvez, por sentir esse desamor, Caicedo não marcou um único golo na sua passagem pelo Sporting, o que é de menos para um goleador. Ao contrário, em Málaga, no final do último jogo da época, a camisola de Caicedo foi rijamente disputada pelos adeptos que invadiram o campo festejando a manutenção da equipa na primeira liga espanhola, graças aos golinhos e às boas exibições do jovem jogador.
Sapunaru e Caicedo são dois casos diferentes de mudança de ares. Mas estes fenómenos não ocorrem unicamente com jogadores. Também acontecem aos próprios clubes. Veja-se, por exemplo, o que se está a passar com o Olhanense. De acordo com a imprensa, a Direcção do clube “está a ponderar colocar ponto final na ligação privilegiada com o FC Porto e virar agulhas para o Benfica”. Noutros tempos, poderia ser uma decisão fatal. Vamos lá ver se a mudança de ares prejudica ou beneficia o grande Olhanense!
ERRAR É HUMANO
BAPTISTA, COSTA E LA PALICE
Os árbitros também são gente. E quando acaba a temporada fazem como faz toda a gente que anda no futebol. Reúnem-se, jantam à mesma mesa e trocam votos de felicidades. Esta semana, dando por encerrada a época de 2009/2010, os árbitros portugueses juntaram-se na Nazaré e aproveitaram a ocasião para homenagear três colegas que vão abandonar as lides por terem atingido a idade limite de 45 anos. Lucílio Baptista, da Setúbal, Paulo Costa, do Porto, e Gabínio Evaristo, árbitro assistente de Lisboa, arrumaram os respectivos apitos e bandeirinhas no final desta época.
Garantem os jornais que o convívio foi animado. E que meteu discursos, como não poderia deixar de ser. Lucílio Baptista foi o autor, sem qualquer espécie de dúvida, da máxima da noite: “Não deixei inimigos no futebol, posso é ter gente que não gosta de mim.” Também Paulo Costa optou pelo mesmo estilo de evidência nas suas palavras: “Fiz o que devia e o que devia fiz.” Adeptos do senhor de La Palice, os dois árbitros despediram-se do futebol com frases curiosas e que, parecendo que não, vão sempre dar ao mesmo. Aliás, tem sido assim o futebol português no último quarto de século. Salvo honrosas e episódicas excepções, foi tudo sempre dar ao mesmo.
POSITIVO E NEGATIVO
Di María a somar
O sorriso de Maradona a aplaudir Di María depois do futuro-ex-jogador do Benfica ter marcado aquele golo sensacional ao Canadá diz tudo sobre o momento actual do jovem extremo que vale o dinheiro que ganha e que faz ganhar.
Mourinho imparável
Está feita a “tripleta” - campeonato, Taça e Liga dos Campeões - do Inter de Milão com uma equipa de veteranos em quem ninguém apostava um chavo. Mourinho vai agora para Madrid transformar uma equipa de vedetas numa equipa de futebol.
NEGATIVO
Tiago infeliz
Tiago nunca teve na selecção nacional a importância que granjeou ao serviço dos clubes por onde passou, com excepção da Juventus, onde não foi feliz. Este Mundial teria de ser forçosamente o “seu” Mundial. Mas não vai ser.
PÉROLA
“O sr. Ferreira tem dias em que à noite é um desastre total.”, Rui Santos
“Tempo Extra”, na SIC Notícias, é o programa mais visto da televisão por cabo. O mérito cabe a Rui Santos que é o criador e a figura central do programa. Dias Ferreira, um dos comentadores de “O Dia Seguinte”, no mesmo canal, resolveu embirrar com Rui Santos e o ex-jornalista de “A Bola” respondeu-lhe a preceito.
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