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Correio da Manhã

Desporto
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Mundialistas furaram expectativas

Dos cinco mundialistas africanos, para os quais convergia nesta CAN’2006 o olhar curioso e atento do planeta futebolístico, não ressaltaram, infelizmente para África, grandes promessas.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
A selecção angolana não foi além da fase inaugural da CAN
A selecção angolana não foi além da fase inaugural da CAN FOTO: Aladin Abdel/Reuters
Angola, Togo e Gana não ultrapassaram a primeira fase e Costa do Marfim e Tunísia, seguindo em frente, não deixaram até agora qualquer marca impressiva, nem sequer Drogba, a vedeta do Chelsea, que, apesar dos dois golos marcados, não foi o que se esperava que fosse, ficando a milhas do camaronês Samuel Eto’o, a figura maior do torneio.
Marrocos e África do Sul, duas potências africanas, foram outras profundas decepções, com a agravante de serem os ‘bafana-bafana’ os organizadores do Mundial de 2010. A selecção sul-africana retirou-se da prova depois de três derrotas, sofrendo cinco golos e não conseguindo marcar um só que fosse. O país de Mandela, muito cioso do prestígio nacional, envergonha-se com a prestação dos ‘rapazes’ e o próprio presidente da república, Thabo Mbeky, num discurso no parlamento, disse, zangado, que “a África do Sul não pode falhar como falharam os ‘bafana-bafana’ no Egipto”, acusando a selecção de “nem sequer ter tentado vencer”…
Líbia (1 ponto), Zimbabwe (3) e Zâmbia (3) fizeram uma primeira fase à sua estreita medida e a RD Congo só conseguiu um pouco mais de espaço porque Angola não soube entrar nos quartos-de-final por alguma das duas imensas portas que se lhe abriram, falhando o triunfo sobre os congoleses e a goleada diante dos togoleses.
Nigéria (à vontade) e Senegal (com esforço e sorte) qualificaram-se no ‘grupo da morte’ mas nenhuma das equipa deslumbrou.
Restam as duas grandes equipas da primeira fase. Uma consagrada, a dos Camarões, treinada pelo português Artur Jorge, outra em construção, a da Guiné-Conacri. Um mundo separa, futebolisticamente, os dois países e, no entanto, eles igualaram-se na primeira fase do campeonato, nos triunfos, nos golos e no futebol exibido em campo.
MANIPULADOS POR ETO’O
Um momento para esquecer foi o final do jogo Camarões-Congo. Os camaroneses venciam por 2-0, resultado que colocava ambas as equipas nos quartos-de-final. Mais um golo da equipa de Artur Jorge significava o apuramento de Angola que, minutos antes, vencera o Togo por 3-2. Nos minutos finais do desafio, Eto’o manipulou, ostensivamente, a equipa a favor dos congoleses, terminando a partida com os camaroneses trocando a bola no seu meio campo, para irritação de Artur Jorge que, de pé, tentava acabar com a vergonha. O técnico luso sublinhou que “a equipa não tinha o direito de fazer o que fez”. Oliveira Gonçalves, seleccionador de Angola, desvalorizou a polémica, afirmando que os ‘palancas negras’ perderam com os Camarões e empataram com a RD Congo, pelo que “não tinham o direito” de querer que fossem os Camarões a garantir-lhes a qualificação.
NIGÉRIA BATE SENEGAL (2-1)
Nigéria e Senegal entraram ontem em campo para discutir o apuramento para os quartos-de-final da Taça das Nações Africanas. E quem acabou por ganhar foi a turma de Joseph Enakarhire (ex-jogador do Sporting), por 2-1, depois de ter virado o resultado já perto do final da partida. O Senegal, uma das grandes surpresas do último mundial na Coreia e no Japão, dominou durante a primeira parte e poderia muito bem ter chegado ao intervalo a ganhar por mais do que um golo de diferença, mas só aos 58’ conseguiu materializar o seu ascendente. Contudo, o avançado Martins do Inter de Milão, nos últimos vinte minutos, marcou dois golos e garantiu a primeira posição para a Nigéria. Apesar da derrota, os senegaleses também seguem em frente na competição, graças à vitória do Zimbabwe, no outro jogo do Grupo D, frente ao Gana. Chimedza e Mwaruwari marcaram pelo Zimbabwe,enquanto Adamu fez o tento de honra do Gana no derradeiro minuto da partida.
MARTINS GARANTE 1º LUGAR
Veio para o Egipto, país onde se disputa a CAN, como uma das principais estrelas da competição e da sua selecção, a Nigéria. No entanto, nos dois primeiros jogos, diante do Gana e do Zimbabwe, Obafemi Martins, colega de Luís Figo no Inter de Milão, não esteve em grande plano. Já ontem, frente ao Senegal – o adversário mais poderoso do Grupo D –, Martins veio ao de cima, marcando os dois únicos golos da Nigéria (2-1) e garantindo a primeira posição à formação das ‘super águias’. “Felizmente os dois golos serviram para vencermos, mas mais importante do que isso foi o 1.º lugar no Grupo. Vamos jogar contra a Tunísia, mas já provámos que temos uma selecção muito poderosa, que pode vencer esta competição”, revelou ontem, no final do jogo, o avançado nigeriano.
POSITIVO: GUINÉ-CONACRI
A Guiné-Conacri, sem história relevante no futebol, fez um percurso semelhante ao dos Camarões – três vitórias, sete golos marcados, apenas um sofrido. É a grande surpresa da competição.
NEGATIVO: ÁFRICA DO SUL E TOGO
Um mundialista (Togo) e uma potência africana (África do Sul). Zero pontos. Com os ‘bafana-bafana’ também a zero no que a golos diz respeito e… a quatro anos do Mundial em casa.
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