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Correio da Manhã

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Murray e Nadal tombam gigantes

Campeão em título do Open da Austrália, Rafael Nadal voltou a perder um set na defesa desse estatuto mas manteve vivas as esperanças de chegar em Melbourne ao sétimo troféu do Grand Slam da sua carreira, ao bater Ivo Karlovic por 6-4, 4-6, 6-4 e 6-4.
24 de Janeiro de 2010 às 11:26
Rafael Nadal
Rafael Nadal FOTO: agências

O gigante de Zagreb (2,08m) fez o que lhe competia, ao assinalar um registo de 28 ases, mas ao cabo das duas horas e 36 minutos, foi o número dois mundial quem saiu vencedor, apurando-se assim para os quartos-de-final do primeiro torneio do Grand Slam da temporada de 2010 - onde irá defrontar Andy Murray que este domingo derrotou John Isner por 7-6(4), 6-3 e 6-2.

Consciente do perigo que podia representar Ivo Karlovic, apesar das duas vitórias sobre o croata nos anteriores encontros, Rafael Nadal apresentou-se extremamente compenetrado na Rod Laver Arena. Ambos os tenitas terminaram a contenda com um aproveitamento de 50 por cento no que respeita a pontos de break, com vantagem ainda assim para o maiorquino, que concretizou três das seis oportunidades, contra apenas uma conversão do seu opositor.

"Responder a um serviço dele é, basicamente, como defender um penalti. Podemos preparar-nos de todas as formas possíveis, mas no momento em que a bola sai tanto pode ir para um lado como para outro. Só nos resta mesmo tentar adivinhar", explicou Nadal, relativamente ao saque de Karlovic, que se despediu do torneio com um total de 121 ases. 

Fora Rafael Nadal, continuam também em representação da Espanha no Open da Austrália, Fernando Verdasco e Nicolas Almagro, que esta segunda-feira tentam o acesso aos quartos-de-final, respectivamente, diante de Nikolay Davydenko e Jo-Wilfried Tsonga. 

Igualmente perante um adversário de respeito, pelo menos em altura, apresentou-se na manhã deste domingo, Andy Murray. Sem nunca ter passado da quarta ronda em Melbourne, o escocês de 22 anos voltou a não perder nenhum set, desta feita frente a John Isner. Os 2,06m do norte-americano não assustaram por um momento que fosse o actual quarto classificado da hierarquia mundial, uma vez que a lição havia sido bem estudada nas sessões de treino.

"Tive o meu treinador [ndr. Miles MacLagan] a servir para mim a partir da linha de serviço e, parecendo que não, é a melhor forma que temos para treinar antes de actuarmos com adversários tão altos. Habituamo-nos ao ressalto mais alto da bola e percebemos que afinal não é preciso ficar tão atrás da linha de fundo para devolver a bola com alguma eficácia", garantiu. Com tamanha dedicação ao treino, o resultado final só podia ser positivo. E mesmo vendo o opositor averbar 14 ases, Murray conseguiu manter-se sempre em vantagem no marcador, destacando-se os 42 por cento de pontos ganhos na resposta e também a conversão de três pontos de break, dos seis que teve à disposição. 

Confirmados nos quartos-de-final, Rafael Nadal e Andy Murray serão assim os protagonistas de um encontro desde já catalogado de final de antecipada. Nas respectivas carreiras será a décima ocasião em que se irão defrontar, com o espanhol a levar vantagem nesta altura após sete vitórias sobre o escocês. Desses anteriores encontros, destaque para a quarta ronda do Open da Austrália em 2007, na altura com o triunfo a sorrir a Nadal em cinco partidas, para depois ser eliminado na fase seguinte pelo surpreendente Fernando Gonzalez. "Ganhei esse encontro é certo, mas lembro de ter jogado muito mal", recordou Nadal, reconhecendo o excelente momento de forma de Andy Murray: "Sei que vou ter de jogar o meu melhor se quiser ganhar. O Andy está a jogar muito bem e não tem nada a provar a ninguém. Nunca ganhou um Grand Slam até hoje, mas não é por isso que deixa de ser um jogador perigoso. E se não o fez ainda, tem ainda muitos anos pela frente para o conseguir". 

À parte da luta pelo acesso às meias-finais, o frente-a-frente entre Rafael Nadal e Andy Murray poderá permitir ao maiorquino o regresso às vitórias diante de jogadores do top 10 mundial. A última vez que venceu um companheiro de elite foi no início de Novembro (o então 9º classificado Jo-Wilfried Tsonga nos quartos-de-final do ATP Masters 1000 de Paris-Bercy), tendo desde essa altura defrontado cinco tenistas do top 10, saindo sempre derrotado. "Números são números e realmente não mostram um grande registo ultimamente no que a isso diz respeito, mas vou lutar e dar o meu melhor para vencer e se fizer isso ninguém me poderá pedir mais nada". 

Na vertente feminina do Open da Austrália, o destaque deste domingo até ao momento vai para as vitórias de Nadia Petrova e Jie Zheng. Depois do triunfo estrondoso sobre Kim Clijsters, a russa Nadia Petrova levou a melhor sobre a compatriota Svetlana Kuznetsova, batendo a actual campeã de Roland Garros com os parciais de 6-3, 3-6 e 6-1, em duas horas e sete minutos - esperando agora pelo desfecho do embate entre Justine Hénin e Yanina Wickmayer para conhecer o nome da sua próxima opositora. Já a campeã do Estoril Open 2006, Jie Zheng, necessitou apenas de dois sets (7-6(5) e 6-4) para levar de vencida Alona Bondarenko, indo agora defrontar nos quartos-de-final a vencedora do encontro entre Maria Kirilenko e Dinara Safina.

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