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Correio da Manhã

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Na vida nunca tive nada de mão beijada

Nélson, reforço do V. Setúbal, descartou o estrangeiro por causa da família e agora está apostado em dar novo rumo à carreira. O guardião reconhece que foi difícil deixar o Sporting após nove anos e diz-se preparado para provar o seu valor.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
Na vida nunca tive nada de mão beijada
Na vida nunca tive nada de mão beijada FOTO: Pedro Catarino
Correio da Manhã – O que o levou a aceitar o convite do Vitória?
Nélson – Estava numa situação de desempregado. Fui contactado pelo clube e foi tudo muito rápido. O Vitória é um histórico do futebol português e isso agrada-me. Penso que é uma boa oportunidade para voltar a competir e ajudar o clube e as pessoas que depositaram confiança em mim. Além disso, não me vai modificar muito o dia-a-dia porque não tenho que mudar de residência.
– A presença dos antigos colegas do Sporting – Hugo, Labarthe, Lourenço e Varela – também influenciou a sua decisão?
– Tudo teve o seu peso. Conhecia também quase todos os jogadores do Vitória. Estamos numa cidade muito boa que vive muito o clube e eu gosto de sentir o público a puxar pela equipa. Sempre que joguei em Setúbal foi na pele de adversário e é um dos campos onde íamos e sentíamos que as pessoas são realmente apaixonadas pelo clube. Esse factor também teve influência.
– Espera relançar a sua carreira no Bonfim?
– Claro que sim. É mais um ciclo. Depois de 11 anos no Torreense e nove de Sporting abre-se agora outro ciclo em Setúbal. O importante vai ser realizar uma boa época. Vai ser bom para mim e para o clube.
– Esteve alguns meses desempregado. Recebeu convites durante esse período? Por que é que não aceitou?
– Tive quase tudo acertado com o Huelva e, depois, com o Levante, mas no dia do fecho das inscrições as coisas correram mal e acabei por, posteriormente, treinar no Torreense para manter a forma. Recusei também algumas propostas. Inicialmente tinha como meta sair do País, mas depois não quis prejudicar a minha família. A minha mulher é professora e foi colocada perto de casa. Não fazia sentido ser eu a mudar para outra zona longe da família. Tive a sorte de receber o convite do Vitória que preenchia todos os requisitos que pretendia.
– Foi durante nove anos atleta do Sporting. Custou-lhe deixar o clube?
– É difícil. Nove anos é muito tempo. Tenho um passado no Sporting e seria hipócrita se dissesse o contrário. Não saí magoado com ninguém e posso afirmar que deixei lá bons amigos. Os primeiros tempos foram difíceis, mas percebi que tinha que dar um novo rumo à minha vida, pois nunca tive nada de mão beijada. No Vitória vou procurar o sucesso e ser feliz.
– Se voltasse atrás, teria permanecido tanto tempo no clube se soubesse que nunca se iria assumir como primeira escolha dos treinadores?
– Não mudaria nada. Ficava os nove anos. Tive algumas lesões pelo caminho e isso prejudicou épocas que estavam a ser muito boas. Orgulho-me por fazer parte dos últimos dois títulos nacionais que o Sporting ganhou. De alguma forma contribuí para eles.
– O que o levou a ficar?
– Tive várias oportunidades de sair, mas nunca senti que houvesse interesse do clube em que saísse nessas alturas. É bom para o atleta sentir que confiam nele. Tive períodos difíceis por causa de lesões mas, mesmo assim, davam-me voto de confiança. É importante sentir que estamos num sítio onde gostam de nós.
– Está preparado para alinhar por uma equipa que luta por objectivos mais modestos?
– Claro que sim. Estou preparado para dar sempre o meu máximo. O Vitória nos últimos anos classificou-se para a UEFA, ganhou uma Taça e esteve noutra final. Temos um grupo que já conhece bem a Liga e acredito que podemos fazer coisas muito boas.
PERFIL
Nélson, ex-guarda-redes do Sporting, completa 31 anos dentro de uma semana. Nascido em Torres Vedras, o atleta actuou durante onze anos no principal emblema da terra natal, o Torreense, e com 21 anos rumou a Alvalade onde permaneceu durante nove temporadas. Lançado por Mirko Jozic a 25 de Abril de 1999, o guardião nunca se conseguiu assumir como número indiscutível da baliza leonina.
No currículo de Nélson estão os dois títulos de campeão nacional (1999/2000 e 01/02), uma Taça de Portugal e três internacionalizações. Aliás, Nélson foi mesmo um dos convocados do então seleccionador nacional António Oliveira para o Campeonato do Mundo de 2002, a par de Ricardo e Vítor Baía. Na terça-feira foi apresentado como reforço do Vitória de Setúbal até ao final da época.
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