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Correio da Manhã

Desporto
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Nadal majestoso no pesadelo de Federer

Dito e feito! Rafael Nadal prometeu ser agressivo e atacar o golpe de esquerda de Roger Federer. No essencial, foi assim que assinou uma das suas mais demolidoras vitórias de sempre sobre o suíço. O 15º sucesso do espanhol, em 23 confrontos, fez Federer viver um pesadelo, na noite em que teria preferido ter festejado o 33º aniversário da sua mulher. Nadal joga este domingo a final do Masters de Miami diante de um jogador imbatível este ano: Novak Djokovic.
2 de Abril de 2011 às 19:10
Rafael Nadal
Rafael Nadal FOTO: EPA

Esta meia-final reunia todos os condimentos capazes de proporcionar um grande manjar aos fãs. O court central apresentava-se repleto (14 500 espectadores), e, mesmo antes de começar, o encontro que atravessou o pôr do Sol de uma jornada muito quente e húmida, provocou uma grande movimentação no mercado negro. Um bilhete dava acesso a um grande espectáculo. Que acabou por não ser assim tão grande. Em uma hora e 18 minutos, Nadal impôs-se, por 6-3 e 6-2!

Não faltaram os habituais colunáveis nas tribunas. Desde o mais bem sucedido cantor latino, Alejandro Sanz, ao actor Andy Garcia. Não faltaram também alguns momentos de pura descontracção, num torneio líder no entretenimento. A dada altura, os ecrãs gigantes projectaram um cartaz, empunhado por uma avantajada senhora, que pedia licença a Toni Nadal (tio e treinador de Rafa) se podia marcar um encontro amoroso. A imagem que se seguiu, mostrou Toni a escangalhar-se a rir!

Esta foi a derrota mais pesada alguma vez sofrida por Federer diante de Nadal, fora da terra batida. A final de Roland Garros’2008 continua no top dos pesadelos vividos pelo suíço: 6-1, 6-3, 6-0! Num hardcourt, só existe algo quase semelhante na primeira vez que se defrontaram. Onde? Neste mesmo torneio. Nadal tinha apenas 17 anos e espetou um duplo 6-3. Registe-se, ainda, que no 15-8 a favor do maiorquino, há agora uma igualdade (4-4) nas chamadas superfícies duras. Mas como nestas se incluem os indoors, aí Federer ainda está em vantagem: 3-0. Depois, vem o 10-2 a favor de Rafa na terra batida e o 2-1 para Federer na relva.

O QUE ELES DISSERAM

Rafael Nadal: “Sei que não é fácil para ele [Federer] encaixar um resultado destes. Mas eu estava a jogar muito e bem. Seguro do fundo do court, com uma bola muito comprida, sem lhe dar o ritmo que tanto gosta, prolongando a duração dos pontos, ora forçando-o ao erro ora correndo atrás de um ou outro winner. Num encontro entre dois jogadores de alto nível, normalmente há mais equilíbrio e interesse para quem está a assistir. Hoje isso não aconteceu, pois estive muito acima do Roger. A final? Vamos ver. O Djokovic ainda não perdeu este ano e terei de voltar a ser muito agressivo, mostrando-me capaz de discutir todos os pontos”.

Roger Federer: “Dei-lhe alguns pontos de bónus. O meu serviço não esteve tão bem como devia estar e também não estive bem nas acções ofensivas. Esperava jogar melhor. Há que levantar a cabeça e preparar a campanha na terra batida. Estava confiante e a jogar bem até aqui. Não há desculpas, mas podia ter feito algumas coisas melhor, pois fiz muitas coisas erradas. Nos últimos dez anos fiz muitas coisas melhores do que todos os outros e tenho ainda muito para vencer, ao mesmo tempo que continuo a desfrutar. Ao contrário daquilo que muitas pessoas pensam, não tenho 35 anos, tenho 29”.

DJOKOVIC FAZ BATOTA EM...PORTUGUÊS

Na primeira meia-final, Novak Djokovic – quem mais haveria de ser?... – afastou o norte-americano Mardy Fish. O sérvio elevou para 23 os encontros sem conhecer a derrota este ano, após o triunfo, por 6-3 e 6-1. Continua sem ceder um único set e tem uma média inferior a quatro jogos perdidos em cada uma das cinco rondas que ultrapassou. Vai disputar a quarta final da temporada, após os êxitos no Open da Austrália, torneio do Dubai e Masters de Indian Wells, e pode fazer aquilo que até agora só esteve ao alcance de três “monstros”, ou seja, ganhar no início da época em Melbourne, Califórnia e Miami. Roger Federer, em 2006, e os norte-americanos Andre Agassi e Pete Sampras, em 2001 e 1994, são os outros portadores dessa fantástica marca.

Após a qualificação para a final (domingo/18h00 portuguesas), Djokovic saiu-se com esta: “Tenho recebido uma série de mensagens no Twitter de fãs brasileiros e tento responder em português, mas não estejam à espera que seja capaz de falar em português. Não consigo. Confesso, no entanto, que fiz batota, pois recorri ao meio que faz a tradução”.

FINAL FEMININA ESTA TARDE

Será a partir das 12h00 locais (17h00 em Portugal) que a russa Maria Sharapova e a bielorrussa Victoria Azarenka vão discutir o título feminino. Será um tira-teimas, atendendo às duas vitórias para cada lado nos anteriores quatro confrontos.

Sharapova vai disputar a terceira final em Miami e deseja erguer o troféu de cristal, após perder em 2005, com a belga Kim Clijsters, e em 2006, com a compatriota Svetlana Kuznetsova. Azarenka atingiu a final em 2009, quando era treinada pelo português António van Grichen, e surpreendeu a norte-americana Serena Williams.

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