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Correio da Manhã

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Nadal vence mas não convence

O ainda número um mundial Rafael Nadal voltou a pisar a terra batida do court Philippe Chatrier mas fê-lo novamente sem boas sensações. As suficientes, no entanto, para somar o seu 42º triunfo individual em Paris. Espera-o agora, nos quartos-de-final, precisamente o tenista responsável pela sua única derrota no Grand Slam francês, Robin Soderling. Também no lote dos últimos oito sobreviventes, garantiu o seu lugar Juan Ignacio Chela - o campeão do Estoril Open 2004, a quem este ano já chamaram..."ex-tenista em actividade".
30 de Maio de 2011 às 20:35
Nadal somou o seu 42º triunfo individual em Paris
Nadal somou o seu 42º triunfo individual em Paris FOTO: EPA

O court Suzanne Lenglen de Roland Garros tem fama de ser palco de encontros dramáticos e a edição deste ano do torneio francês não tem fugido à regra. Se ontem novo capítulo de tensão havia ficado escrito na longa maratona entre Fabio Fognini e Albert Montanes, esta segunda-feira não foi diferente. E começou precisamente pelo duelo da véspera, pois o dia amanheceu com a notícia da desistência de Fognini.

O italiano contraíra lesão na coxa esquerda ao longo das 4h22m do confronto e a mesma revelou-se grave o suficiente para forçar a sua retirada da competição, garantido que estava o apuramento para os quartos-de-final. Maior beneficiário desse infortúnio (como se ainda precisasse de mais ajuda...)? Novak Djokovic. Sim, o sérvio de 24 anos que segue invicto este ano, com 41 triunfos individuais já confirmados - 43, recuando à final da Taça Davis de 2010.

Mas como não se pode ter tudo... o adeus precoce de Fognini equivale a dizer que Novak Djokovic não poderá em Paris igualar o melhor registo de invencibilidade da história moderna, ainda na posse de Guillermo Vilas (46 em 1977).

Todavia, em caso de vitória nas meias-finais, o número dois mundial pode ainda equiparar o fabuloso arranque de temporada de John McEnroe em 1984 (42 triunfos) e a série invicta de 44 vitórias de Ivan Lendl. Isto sem esquecer, é claro, o facto de "Nole" estar a apenas um triunfo de poder tornar-se no novo líder da hierarquia mundial - tendo a separá-lo desse sonho apenas o encontro das meias-finais frente ao vencedor do duelo Roger Federer-Gael Monfils.

MAS VOLTANDO AO DRAMA...

Quase à mesma hora em que Fabio Fognini se apresentava diante dos jornalistas para anunciar a sua desistência - oferecendo quatro (!) dias de descanso a Novak Djokovic antes da sua meia-final - arrancava aquela que viria a ser mais uma longa jornada de ténis... no court Suzanne Lenglen, pois claro.

Os protagonistas não podiam ser mais discretos, no caso Alejandro Falla e Juan Ignacio Chela, atendendo a que se jogava os oitavos-de-final de Roland Garros. Mas nem por isso deixaram de encarar o encontro como se não houvesse amanhã. Em três horas e 55 minutos, o marcador andou literalmente aos altos e baixos, oferecendo vantagem a ambos os protagonistas, até que se encontrou o vencedor. No caso, Juan Ignacio Chela, que terminou o confronto completamente de rastos, depois de ter sido assistido em court, tal como o colombiano Falla, que para lá da derrota ficou sem espaço disponível para bolhas na mão direita.

Os parciais finais reflectem bem o equilíbrio da contenda - 4-6, 6-2, 1-6, 7-6(5) e 6-2 -, acabando Juan Ignacio Chela, campeão do Estoril Open 2004, por carimbar o seu passaporte, pela segunda vez na carreira, depois de 2004, para os quartos-de-final do Grand Slam parisiense. Um feito ainda mais extraordinário se se recordar a forma como foi descrito já este ano após jogar as meias-finais na Costa do Sauípe e final em Buenos Aires (em ambas as ocasiões sendo derrotado por Nicolas Almagro) quando passou pelo Brasil Open (semifinalista) e Buenos Aires: escreveu-se na altura que Chela era um "ex-tenista em actividade...".

"Realmente não esperava chegar até aqui. Afinal já vou a caminho dos 32 anos. Mas também é certo que agora estas vitórias têm um sabor ainda mais especial do que quando era mais novo", confessou "El Torino" - uma alcunha oferecida pelo capitão da Taça Davis, Tito Vasquez -, aos jornalistas.

Agora nos quartos-de-final, Juan Ignacio Chela irá encontrar o vencedor do frente-a-frente entre Viktor Troicki e Andy Murray (interrompido esta segunda-feira por falta de luz natural), sendo que em caso de vitória do escocês, Chela voltará a defrontar um súbdito de Sua Majestade na ronda dos últimos oito sobreviventes - após perder há sete anos para Tim Henman pelos parciais de 6-2, 6-4 e 6-4.

NADAL "SOZINHO" NOS QUARTOS-DE-FINAL

Se o drama tem andado de mãos dadas com o segundo palco principal de Roland Garros, o mesmo pode ser dito do facto do court Suzanne Lenglen ser também pródigo em encontros interrompidos. Na véspera, a falta de luz natural deixou em suspenso o compromisso entre David Ferrer e Gael Monfils. Reatado esta segunda-feira, voltou a ser, como se esperava, uma intensa batalha.

Com as bancadas completamente repletas de público, saiu vencedor o favorito da casa, embora David Ferrer tenha feito tudo para justificar o seu actual estatuto de sétimo melhor jogador mundial - mas ainda assim insuficiente para evitar o desfecho final de 6-4, 2-6, 7-5, 6-1 e 8-6, num total de quatro horas e sete minutos de encontro.

Com a vitória, Monfils garante o direito de defrontar Roger Federer nos quartos-de-final, ao passo que David Ferrer deixa o compatriota Rafael Nadal sozinho nessa fase da competição, em representação da nação espanhola. O ainda número um mundial voltou a revelar fragilidades em court, mas jogou o suficiente para levar de vencida o croata Ivan Ljubicic por 7-5, 6-3 e 6-3.

No final, porém, a motivação e a força de vontade que o fizeram vencer a prova em cinco ocasiões, andaram uma vez mais arredadas do discurso do tenista maiorquino. "Não estou a jogar suficientemente bem para ganhar este torneio. Pelo menos hoje é isso que sinto. Todavia, não estou longe do meu melhor, o que é positivo. Mas também é certo que já ganhei cinco vezes... por isso não tenho obrigação nenhuma de o fazer outra vez...".

A três vitórias apenas de poder conquistar o sexto troféu de Roland Garros e igualar o registo de Bjorn Borg na capital francesa, no próximo embate de Nadal, todavia, adivinha-se novo desafio, quiçá o maior de todos. Robin Soderling - vencedor sobre Gilles Simon pelos parciais de 6-2, 6-3 e 7-6(5) - será o adversário, tendo colado a si o tenista sueco o rótulo de ter sido o único, até hoje, a conseguir derrubar o espanhol em Roland Garros. Fê-lo na quarta ronda de 2009, abrindo na altura caminho para a vitória de Roger Federer. Em 2010, Soderling e Nadal voltaram a medir forças, mas na final, aí com o esquerdino a sair vitorioso.

Na competição feminina, ainda com perto de uma semana para se jogar, o stock de surpresas há muito que foi esgotado, daí que a jornada de segunda-feira tenha decorrido sem grandes sobressaltos. A vitória de Na Li sobre Petra Kvitova (2-6, 6-1 e 6-3), apesar do bom momento de forma da tenista checa, recentemente coroada campeã no milionário torneio de Madrid, permitiu confirmar a maior experiência da chinesa de 29 anos que parece no bom caminho para voltar a jogar uma final do Grand Slam - depois da derrota para Kim Clijsters no Open da Austrália deste ano.

Segue-se agora para Na Li um barulhento duelo com Victoria Azarenka que, por sua vez, com gritos estridentes e um ténis poderosíssimo deu conta da esquerdina Ekaterina Makarova (finalista do Estoril Open 2009) pelos parciais de 6-2 e 6-3. A chinesa e a bielorussa medirão forças pela quinta vez nas respectivas carreiras - Li tem vantagem de três vitórias sobre a antiga jogadora de António Van Grichen -, num encontro entre vice-campeãs do Estoril Open (Azarenka'07 e Li'05-06).

As duas outras vencedoras do dia foram Maria Sharapova e Andrea Petkovic, batendo respectivamente Agnieska Radwanska (7-6, 7-5) e Maria Kirilenko (6-2, 2-6, 6-4).

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