Em 2000, houve um pequeno milagre nas margens do Tejo – o brasileiro Gustavo Kuerten, mediante uma intrincada conjugação de factores, começou por perder o seu primeiro encontro na Masters Cup realizada no Pavilhão Atlântico e depois ganhou todos os outros até arrebatar o posto de número um mundial dessa temporada graças a um apoteótico triunfo sobre Andre Agassi na final… depois de Marat Safin ter cedido nas meias-finais.
Em 2009, nas margens do Tamisa, Rafael Nadal precisa de um milagre bem maior para roubar a liderança a Roger Federer – depois de ter perdido com Robin Soderling por 6-4 e 6-4 na segunda jornada das Finais ATP em Londres. O possante sueco já havia sido o carrasco do espanhol em Roland Garros; esta segunda-feira, na O2 Arena, voltou a revelar-se ultrapossante, insistindo com ataques profundos sobre a direita deo Nadal… que, por sua vez, não logrou impor a sua habitual competitividade nem actuar ao seu melhor nos momentos cruciais. O curioso é que Soderling, número nove mundial, só integra o elenco dos oito mestres por ter sido repescado devido à lesão de Andy Roddick – que por acaso até esteve presente em Londres, numa acção de promoção da sua marca patrocinadora de vestuário.
LESÕES E DIVÓRCIO
«O ano começou muito bem para mim, mas esta segunda metade da temporada tem sido muito difícil», reflectiu o jovem maiorquino que, para além da lesão nos joelhos que o impediu de defender o título de Wimbledon, sofreu pessoalmente com o divórcio dos seus pais. «Perdi um pouco a confiança e a calma que são tão necessárias nos momentos mais importantes. Mas estou a trabalhar duramente para regressar ao meu melhor nível para arrancar a próxima temporada na máxima força. Mas ainda tenho de jogar a final da Taça Davis para a semana…».
Soderling regozijou-se: «Bati muito bem na bola e ataquei – é o que se tem de fazer para se ter hipóteses de derrotar o Nadal: torna-se especialmente duro se entrarmos em jogadas demasiado longas porque ele é um grande lutador e movimenta-se muito bem no court». O respeito patenteado nas duas conferências de imprensa confirma que a animosidade verificada no duelo entre ambos de há dois anos em Wimbledon (o sueco imitou os tiques do espanhol) já pertence ao passado.
A derrota de Rafael Nadal significa que, para chegar a número um, o maiorquino terá agora obrigatoriamente de ganhar os restantes dois encontros do Grupo B, a meia-final e a final – e esperar que Roger Federer, que no Grupo B havia batido o também espanhol Fernando Verdasco por 4-6, 7-5 e 6-1 na véspera, não ganhe qualquer outro encontro. Mas a verdade é que Nadal está actualmente mais preocupado com o seu nível tenístico abaixo do esperado do que propriamente com a luta pela liderança do ranking: «O meu nível actual não é o de um número um», admitiu. E tem de se acautelar, porque tem o terceiro classificado Novak Djokovic a morder-lhe os calcanhares…
LUTA TITÂNICA
Tal como já havia sucedido no domingo que marcou a jornada de estreia da competição, também o encontro da sessão nocturna de segunda-feira se concluiu por volta da meia-noite. Frente a frente, dois ex-campeões do Estoril Open embrenharam-se numa luta sem tréguas que se estendeu durante quase três horas, tal como no anterior confronto entre ambos nas meias-finais de Xangai – só que desta feita foi Novak Djokovic a impor-se a Nikolay Davydenko por 3-6, 6-4 e 7-5. No final da dura refrega, os dois jogadores de Leste trocaram de camisola, como se fossem futebolistas…
E o equilíbrio continua a ser a nota dominante do torneio. Dos quatro encontros realizados até ao momento, três deles foram resolvidos somente com o recurso à terceira partida, o que atesta bem o nível equilibrado actualmente patente no cume do ténis profissional masculino.
TERÇA-FEIRA DE LUXO
A jornada desta terça-feira, que contempla dois encontros do Grupo A, vai ter por principal destaque o mais que aguardado duelo entre o melhor tenista de todos os tempos e o melhor jogador britânico das últimas décadas. Roger Federer e Andy Murray defrontam-se no embate agendado para a sessão nocturna (com início pelas 20h45, após um encontro de pares; Juan Martin del Potro e Fernando Verdasco jogam pelas 14h15) e já se sabe que terá lotação esgotadíssima.
O embate da tarde de domingo entre Andy Murray e Juan Martin del Potro bateu recordes de assistência – as 17.467 pessoas que esgotaram a fabulosa O2 Arena (a infrastrutura olímpica que nasceu em 2007 sob o nome Millenium Dome) fizeram dele o encontro com a maior assistência ao vivo de sempre no Reino Unido.
Murray até apresenta ascendente no mano-a-mano com Federer, graças a uma notável argúcia táctica e argumentos contra-atacantes que lhe permitiram vencer seis de nove embates face ao campeoníssimo helvético – mas Roger já avisou que irá tentar algo de diferente. A não perder…
RECORDE DE PRÉMIOS
A tradicional cimeira de final de temporada que reúne os melhores tenistas do planeta está dotada do mais elevado prize-money de sempre em provas oficiais – 5 milhões de dólares, embora com a cotação em baixa da moeda americana o valor em euros seja de “apenas” 3,42 milhões. Claro que para os oito protagonistas do evento o título será mais importante do que o cheque de 1,6 milhões destinado ao vencedor: é que multimilionários já eles são e o troféu em compita é o mais importante do circuito logo após os quatro do Grand Slam.
RESULTADOS
2ª JORNADA – TERÇA-FEIRA, 23 NOVEMBRO
Grupo B
Robin Soderling (Sue, nº9) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-4, 6-4
Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Nikolay Davydenko (Rus, nº7), 3-6, 6-4, 7-5
1ª JORNADA – SEGUNDA-FEIRA, 22 NOVEMBRO
Grupo A
Andy Murray (GBR, nº4) v. Juan Martin del Potro (Arg, nº5), 6-3, 3-6, 6-2
Roger Federer (Sui, nº1) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 4-6, 7-5, 6-1
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