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Correio da Manhã

Desporto
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Não é por amor, é por interesse

A propósito das circunstâncias especiais do Benfica-FC Porto de amanhã.
2 de Abril de 2011 às 00:00
Não é por amor, é por interesse
Não é por amor, é por interesse

Contam os benfiquistas mais antigos que não houve drama nenhum, antes pelo contrário, na longínqua época de 1939/1940, quando o FC Porto veio a Lisboa bater o Benfica por 3-2 e festejou a conquista do título no campo das Amoreiras - à época, a casa dos "encarnados". Para os benfiquistas muito menos antigos esta deve ser uma realidade impossível de entender à luz da época em que vivemos. Mas foi mesmo assim que aconteceu em 1939/1940, o FC Porto ganhou o campeonato no campo do Benfica e os benfiquistas, há muito arredados da luta pelo título em causa, abandonaram as Amoreiras com um grande sorriso nos lábios

E com um grande alívio também. Pudera! Tratava-se da última jornada e se o FC Porto não ganhasse esse jogo, o campeão seria o Sporting, o grande e único rival do Benfica no final da década de 30. O FC Porto entrava nessa jornada final com apenas 1 ponto de avanço sobre o Sporting que tinha de ir jogar ao campo do Barreirense e esperar que o Benfica lhe fizesse o favor de ganhar à equipa do Norte. Mas não foi isso que aconteceu, o Benfica perdeu, o Sporting também não conseguiu fazer melhor do que um empate e o FC Porto foi campeão para alegria dos benfiquistas que se pouparam, assim, a ter de suportar os festejos dos vizinhos e rivais da Capital. Não foi por amor, foi por interesse...

 

A situação nada tem de absurdo. Hoje e nos últimos largos anos, tem sido o Sporting a fazer o papel que o Benfica fez em 1939/40. Ou seja, a desejar sempre que o FC Porto seja campeão para os seus adeptos não terem de sofrer na carne e nos ouvidos a alegria a vermelho e branco como ainda na última época aconteceu. E assim se explica o facto de no consulado de Paulo Bento no comando da equipa do Sporting, os sportinguistas - provavelmente, nem todos...- terem celebrado os quatro anos consecutivos em que ficaram em segundo lugar, sempre atrás do FC Porto e sempre à frente do Benfica.

 

Amanhã, na Luz, o espírito reinante nada tem a ver com o de 1939/1940. O FC Porto se ganhar o jogo vai roubar ao título aos actuais campeões. Para mais, foi o Benfica a única equipa que deu alguma luta aos azuis e brancos ainda que os 5-0 com que foi humilhado no jogo da primeira volta, no Porto, e a absurda diferença de pontos entre as duas equipas possam querer fazer parecer que, neste campeonato de 2010/2011, houve uma diferença abismal entre a qualidade do futebol praticado pelas duas equipas.

 

Se o Benfica não conseguir derrotar amanhã o FC Porto fica em risco a singularidade de um velho recorde da águia: um campeonato sem derrotas na época de 1972/1973. Mas se o FC Porto não perder amanhã, os benfiquistas podem sempre contar até ao fim da prova com a mais improvável das ajudas em defesa do seu recorde de invencibilidade: é que o Sporting vai ao Dragão em Abril. E com o Sporting tudo pode acontecer.

 

ERRAR É HUMANO 

Autênticas esferográficas douradas

 

Os árbitros da 1.ª categoria recolheram-se no passado fim-de-semana no Luso e cumpriram o programa de exames teóricos a que, pelos vistos, são regularmente sujeitos. O presidente dos árbitros ficou satisfeitíssimo com os resultados dos seus pupilos. E tem razões para isso. Basta ler as pautas para chegarmos todos à conclusão que os árbitros portugueses são excepcionais quando se sentam à mesa de esferográfica na mão para preencher os testes: 97 por cento de respostas certas é qualquer coisa que só pode encher de orgulho a classe inteira mais os seus dirigentes e formadores.

 

Como incentivo simbólico pelo sucesso escolar, Vítor Pereira bem podia distribuir pelos seus educandos uma recordação duradoura. Esferográficas douradas para todos, por exemplo.

 

Lamentavelmente, quando os árbitros se levantam das cadeirinhas escolares, vestem os seus calçõezinhos e vão para os relvados apitar jogos a sério, nunca levam as esferográficas com que acertam sempre nos seus cíclicos testes psico-técnicos. Levam apitos e os resultados práticos não são tão excepcionais quanto os teóricos. Mas Vítor Pereira nem com isso está preocupado: "Tenho uma armadura de ferro", disse o presidente dos árbitros aos árbitros, como quem lhes diz para não se importarem com críticas e pressões porque, no fundo, estão todos no caminho certo. E estão mesmo.

 

POSITIVO: Micael aparece

 

O madeirense pouco tem contribuído para os sucessos do FC Porto na época corrente mas resolveu responder da melhor maneira à chamada de Paulo Bento marcando os dois golos da vitória portuguesa no jogo particular com a Finlândia.

 

 

NEGATIVO

 

Eduardo desaparece

 

O nosso herói no jogo com a Espanha no Mundial - foi ele quem impediu uma goleada certa - não conseguiu ainda ser o herói do Génova e parece não conseguir convencer Paulo Bento. Valeu a Eduardo o "frango" de Patrício no jogo com o Chile.

 

Pinto da Costa reaparece?

 

O anúncio sibilino de que o presidente do FC Porto se prepara para assistir ao Benfica-FC Porto sentado à flor da relva vem em sentido contrário de todos os apelos ao bom senso e à cordialidade desejável entre adeptos na noite de amanhã.

 

PÉROLA

 

"Você está bancando bobo ou bancando puxa-saco?": CARLOS QUEIROZ

 

Queiroz é um caso difícil de entender. O facto de ter "oferecido títulos mundiais a Portugal", como o próprio recordou, e de ter sido adjunto de Ferguson em Manchester - os pontos mais altos da sua carreira - deveriam bastar para lhe conferir o estatuto de "indiscutível" no nosso país. Mas Queiroz persiste em pôr-se a jeito para a luta inglória...

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