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Correio da Manhã

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"Não reconheci gesto de Cardozo no final da Taça"

Quim, guarda-redes bicampeão nacional pelo Benfica, entende que a permanência de Jorge Jesus na Luz é "um risco calculado". Diz que as águias têm falhado em momen tos cruciais. No Sporting, elogia a aposta no técnico Leonardo Jardim.
17 de Agosto de 2013 às 15:00

Correio Sport – O que o levou a aceitar o convite do Desp. Aves para jogar na II Liga?

Quim – É um clube humilde, com o qual me identifico, e que também me permite continuar perto da família.

A meta é subir à Liga?

O objetivo é ganhar jogo a jogo, dar o máximo pela conquista dos três pontos, e se estivermos em condições de lutar pela subida na parte final, vamos fazê-lo. Adoraria subir.

Aos 37 anos, será a sua última temporada?

Não faço esses planos. Enquanto me sentir em boas condições físicas e psicológicas vou continuar a jogar.

Ficou com mágoa pela saída do Sp. Braga?

Mágoa, não. Acabava o contrato e o clube achou por bem eu não continuar. Não fiquei contente com o presidente [António Salvador] porque achei que ele devia ter-me dito na cara que não contava mais comigo. Foram 15 anos no clube e claro que desejo as maiores felicidades ao Sp. Braga.

Como perspetiva a nova edição da I Liga?

Acredito que vamos ter um campeonato melhor do que na última época, talvez com o Sporting e o Sp. Braga a lutarem até tarde com Benfica e Porto.

Leonardo Jardim, o técnico do Sporting, orientou-o no Sp. Braga. Que opinião tem dele?

É um treinador com valor e que merece a oportunidade num clube como o Sporting. É muito organizado, gosta das coisas à sua maneira e não abdica das suas ideias. Estou convencido de que o Sporting vai melhorar com Leonardo Jardim.

É o treinador certo para esta fase do Sporting?

Acredito que sim. Sabe projetar jovens valores, lança-os gradualmente e penso que os jogadores vão aprender muito com ele.

E entre FC Porto e Benfica, quem tem mais hipóteses de ganhar a Liga?

Não consigo dizer qual dos dois é favorito. São duas equipas de valor muito equiparado.

Foi o guarda-redes titular do último Benfica campeão [em 2009/2010]. Como se explica o jejum de títulos desde então?

É difícil explicar. O Benfica tem falhado em momentos cruciais, mas como equipa não consigo dizer que o FC Porto é melhor. No pormenor, o FC Porto foi melhor.

Jorge Jesus sempre se mostrou mais apologista de guarda-redes altos. A sua estatura (1,84 m) foi um estigma para si na Luz?

Não, nem nunca me senti baixo. É uma falsa questão. Baía tinha 1,85 m e foi o guarda-redes que foi. Podia dar também o exemplo de Manuel Bento. Não há guarda-redes perfeitos e um guarda-redes alto pode ter dificuldades nas bolas por baixo, ou até em lances aéreos.

Foi treinado por Jorge Jesus. Que opinião tem dele?

Jesus é dos melhores treinadores portugueses. Toda a gente vê isso. O Benfica é uma equipa ofensiva e nota-se perfeitamente que tem o dedo do treinador.

Mas é um risco mantê-lo no cargo depois de na temporada anterior ter falhado?

Isso é a direção que tem de avaliar. Se é um risco, seguramente foi um risco calculado pela direção. Serão os resultados a dizer se foi a opção certa.

Foi companheiro de Óscar Cardozo no balneário do Benfica. Como viu o empurrão e a discussão que teve com Jorge Jesus no final da Taça de Portugal?

Não reconheci Cardozo no gesto da final da Taça. A imagem que tenho dele é a de uma pessoa fantástica, humilde, que não cria problemas. Se me contassem, eu não acreditaria no que aconteceu no Jamor.

Cardozo saberia reconhecer e pedir desculpa?

Claro que sim. Não tenho dúvidas de que ele se arrependeu quando chegou ao balneário e de certeza que já pediu desculpas aos companheiros.

Demorou muito a resolver-se este caso?

Penso que sim. Quanto mais para a frente se resolve este tipo de casos, pior. Já deveria ter sido solucionado há mais tempo. Esta situação prejudica todos, desde o Benfica ao jogador.

Consegue encontrar alguma explicação para o gesto dele?

Todos nós erramos e temos situações na vida das quais nos arrependemos. Por vezes há momentos que nem os jogadores compreendem. Talvez a pressão de os objetivos terem ficado perdidos em duas semanas possa ser o motivo que precipitou.

Foi internacional português. Parece-lhe que atualmente há demasiada dependência de Cristiano Ronaldo?

Não digo que a Seleção dependa demasiado do Cristiano, mas é um facto que ele tem muita influência. Talvez haja mais peso agora sobre Cristiano Ronaldo do que havia peso sobre um só jogador na geração de Figo e Rui Costa, por exemplo.

Acredita na presença de Portugal no Mundial de 2014?

Estou confiante, mas, como disse Paulo Bento, primeiro temos de fazer a nossa parte e ganhar os jogos. Tenho esperança, embora o primeiro lugar esteja difícil. Mas ainda há o segundo lugar como via de apuramento.

E Portugal pode ser campeão do Mundo?

Acredito que sim, que Portugal pode vir a ser campeão do Mundo, mas primeiro é preciso apurarmo-nos. Temos um grupo forte, que já vem de trás e que está consolidado. Portugal já esteve muito perto de ganhar títulos, e com a pontinha de sorte que tem faltado é possível. O ambiente na Seleção é o de uma verdadeira família e isso pode ter influência.

Rui Patrício, Beto e Eduardo. A seleção nacional está bem entregue no que diz respeito à baliza?

Sim. São três excelentes guarda-redes, que oferecem garantias, são experientes e já deram muitas provas.

Devia apostar-se mais nos guarda-redes portugueses?

Eu penso que se está a apostar outra vez e há bons valores, que precisam de tempo. Há uns anos não era bem assim.

Da sua experiência, o que é preciso para se ser um grande guarda-redes?

Atributos técnicos e ser muito forte psicologicamente.

PERFIL 

Joaquim Manuel Sampaio da Silva tem 37 anos. Nasceu no dia 13 de novembro de 1975, em Famalicão. Guarda-redes com longa carreira e larga experiência, fez parte da última equipa campeã do Benfica, em 2009/2010. Representou as águias durante seis temporadas e antes tinha sido campeão em 2004/2005. Internacional português (esteve nos Europeus de 2000, 2004 e no Mundial de 2006, além do Mundial de sub-20 em 1995). Fez grande parte da carreira no Sp. Braga, e na última temporada deu contributo decisivo para a conquista da Taça da Liga pelos bracarenses: na meia-final foi o herói, no desempate por grandes penalidades, frente ao Benfica.

Vai entrar na 21.ª temporada como profissional, agora no D. Aves (II Liga).

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