Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
2

Não te queixes Benfica Em 7 anos, 7 técnicos...

Vai por aí uma discussão enorme acerca do sistema que o Benfica deve utilizar depois dos resultados pífios do 4x4x2 idealizado por Fernando Santos. Percebe-se o burburinho.
6 de Agosto de 2006 às 00:00
O Benfica está longe de apresentar um rendimento decente e ainda por cima tem perdido jogos com estranha regularidade. Não seria grande drama se a pré-eliminatória da Liga dos Campeões não estivesse à porta. Mas está. E nesse duplo confronto com o Austria Viena, adversário bastante acessível, o Benfica tem um objectivo mais importante do que reordenar em tempo útil o esquema táctico aparentemente falido: aceder à Liga dos Campeões. Em 3x4x1x2, em 4x3x3, em 4x4x2, pouco importa. O que interessa neste momento é passar. Sem isso, Santos terá dificuldades para o resto da época. Ninguém lhe vai dar tempo...
... Tempo! É esse o ‘detalhe’ que não encontro nas análises que tenho lido ao trabalho de Santos no Benfica. O tempo de que Toni tanto falava e que, no Benfica, parece bem mais escasso do que a água no deserto do Saara. Falo do tempo que qualquer treinador recém-chegado tem de ter para se adaptar ao clube, aos jogadores e a uma infinidade de outros detalhes logísticos capazes de fazer a diferença entre uma época ganha e uma época perdida. Tempo para pôr as coisas a funcionar.
Já alguém se deu ao trabalho de reparar que o Benfica inicia a sétima época consecutiva com um treinador novo, facto inédito na história do clube? Reparem: em 2000, Heynckes; em 2001, Toni; em 2002, Jesualdo Ferreira; em 2003, Camacho; em 2004, Trapattoni; em 2005, Koeman; em 2006, Fernando Santos. E desde 2003 tem sido um mandato certinho por época. Nem mais, nem menos. Ou seja, nos últimos quatro anos o Benfica teve quatro treinadores diferentes, quatro personalidades diferentes, quatro ‘entourages’ diferentes, quatro maneiras diferentes de ver e jogar futebol. Mesmo que a estrutura-base da equipa não tenha mudado muito – o que nem é inteiramente verdade --, alguém pode falar de uma política de continuidade para o futebol do Benfica?... Alguém vê uma “escola”, um modelo de jogo assumido pelo clube, que impeça quem chegue de virar a casa do avesso e recomeçar tudo de novo? – que foi o que fizeram Camacho, Trapattoni, Koeman e agora Santos. Alguma semelhança entre eles? Não.
Portanto, qual é o espanto de o 4x4x2 de Santos não ter resultado às mil maravilhas em cinco semanas depois de Koeman passar um ano em constantes e sucessivas experiências tácticas? Pensem nas grandes equipas europeias e vejam como elas mantêm os treinadores durante 3 ou 4 épocas – muito mais, no caso dos ingleses. Agora pensem no ‘grande’ que tem fugido a esta regra elementar, o Real Madrid. Pois...
'SHEVA' COMO VAN BASTEN
O FC Porto reencontrou ontem o Inter, no Torneio de Amesterdão. Alguma imprensa tem-se referido ao Inter em termos mais ou menos desdenhosos, como se o ‘scudetto’ conquistado “na secretaria” fosse alguma coisa de que o Inter se devesse envergonhar. Não é. Vergonha devem ter os adeptos e simpatizantes da Juventus, do Milan, da Fiorentina e da Lazio, quatro clubes emporcalhados na praça pública – quatro batoteiros. O Inter, como tem referido o presidente Moratti, pode não ter ganho o campeonato no campo mas ao menos jogou limpo. Não foi citado nem acusado por ninguém de comportamentos ilegais no processo que decapitou alguns mafiosos do ‘calcio’. O título foi-lhe atribuído com toda a justiça, porque foi o primeiro dos que jogaram limpo. Para os mais esquecidos: esse é um detalhe muito importante. Para a história fica isto: no ano em que o escroque Moggi foi apanhado, o Inter ganhou tudo. Campeonato, Taça e Supertaça. De mãos limpas.
QUEM PODE, PODE
A presença do FC Porto em Amesterdão junto do Ajax, Inter e Manchester United, diz muita coisa sobre a projecção internacional dos ‘dragões’. É um grande cartel e por alguma razão o FC Porto continua a ser convidado para torneios de luxo como este. As espectaculares conquistas europeias da era Mourinho são recentes e ainda pesam mas, no caso do FC Porto, a fama vem muito de trás. Numa frase: o FC Porto (6) tem no currículo mais títulos internacionais que o glorificado Manchester United (5). Ponto.
MOURINHO E O LIVERPOOL
Começou a guerra. Mourinho elegeu o Arsenal e o Manchester como adversários principais na luta pela Premier e remeteu o Liverpool para a condição de ‘outsider’. Mourinho tem um problema com os ‘reds’ nas provas a eliminar (foi por eles eliminado nas meias-finais da Champions e na Taça de Inglaterra), mas ele tem razão neste particular. Um candidato a campeão inglês não pode jogar como o Liverpool joga: à defesa, na retranca, incapaz de uma pega de caras. Chega para o mata-mata, é curto para a Premiership.
Ver comentários