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Correio da Manhã

Desporto
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Negócio fechado de noite numa bomba de gasolina

O acordo entre João Vieira Pinto (JVP) e o Sporting foi fechado na madrugada do dia 2 de Julho de 2000, numa bomba de gasolina, em Cascais. Nessa noite, o jogador disse a Luís Duque, na altura presidente da SAD leonina, que aceitava vestir a camisola verde e branca durante quatro épocas.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
João Pinto, no dia 2 de Julho de 2000
João Pinto, no dia 2 de Julho de 2000 FOTO: Pedro Ferreira/Record
O aperto de mãos entre Duque e João Pinto foi testemunhado pela mulher do jogador, Carla, pelo assessor da SAD, o sportinguista Carlos Freitas e por Jorge Baidek e Jorge Gomes, colaboradores de José Veiga, que intermediou o negócio.
Quando se encontrou com Duque, JVP já tinha sido informado sobre os montantes que ia auferir com a ida para Alvalade. “Já sabia que ia ganhar cinco milhões de euros, limpos, por quatro temporadas, mais 4,2 milhões de euros, verba respeitante aos direitos desportivos que lhe pertenciam, por ser um jogador livre”, adiantou uma fonte que esteve por dentro das negociações entre João Pinto e o Sporting.
De acordo com a mesma fonte, os detalhes do negócio João Pinto/Sporting foram ultimados durante o jantar entre Duque, Freitas e Baidek. Veiga, que estava em Madrid a tratar da transferência de Luís Figo do Barcelona para o Real Madrid, também participou, mas via telemóvel. “Todos os pormenores relativos a verbas e duração do contrato de João Pinto com o Sporting foram feitos dessa forma”, disse Jorge Baidek ao CM, assegurando que ainda não foi chamado à PJ para prestar declarações, no âmbito do processo em que o ex-director-geral do Benfica foi indiciado pelos crimes de burla qualificada e abuso de confiança.
Depois de jantar, Baidek afirma que eles, Luís Duque e Carlos Freitas, foram até uma bomba de gasolina perto da casa de João Vieira Pinto, em Cascais. O jogador apareceu acompanhado pela mulher, Carla Pinto, e garantiu a Duque que iria vestir a camisola verde e branca, O dirigente, no entanto, estava apreensivo e chegou a sugerir ao futebolista que, nessa noite, ficassem ambos num hotel de Lisboa até chegar a hora da assinatura do contrato. Temia que o jogador fosse desviado pelo FC Porto. Os dragões, aliás, apresentaram a JVP verbas semelhantes às que lhe foram oferecidas pelo Sporting. Mas o futuro n.º 25 dos ‘leões’ disse a Duque que não tinha vontade de regressar ao Porto, de onde é natural, e cada um foi para sua casa.
Contactados pelo CM, Luís Duque e Carlos Freitas limitaram-se a confirmar o jantar em Cascais e o encontro com João Pinto na bomba de gasolina, que se realizou na véspera de, em Alvalade, o jogador ter assinado pelos ‘leões’ (2 de Julho de 2000). Já o jogador recusou prestar qualquer declaração e o ex-empresário não atendeu o seu habitual telemóvel.
No dia 5 de Agosto de 2000, chegou ao Sporting uma factura da empresa inglesa Goodstone, no valor de 4,2 milhões de euros. O presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, já afirmou que o clube pagou essa verba e apresentou uma factura da Goodstone onde aparece o nome de José Veiga.
João Pinto terá dito à PJ que não recebeu a totalidade dos 4,2 milhões de euros, o que levou as autoridades a indiciarem o ex-empresário pelos crimes de burla agravada e abuso de confiança.
VEIGA INDICOU DUAS TESTEMUNHAS
O juiz José Gameiro Costa vai ouvir duas testemunhas que José Veiga indicou, antes de decidir se altera a caução de 500 000 euros imposta pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa (TIC) ao ex-empresário, no âmbito do processo (João Pinto/Sporting), em que foi indiciado pelos crimes de burla agravada e abuso de confiança.
As duas testemunhas devem ser inquiridas no decorrer da próxima semana e vão dizer ao juiz titular da 5.ª secção do TIC que José Veiga não tem, hoje em dia, condições financeiras para dispor de 500 000 euros. Fonte próxima do ex-director-geral do Benfica disse ao CM que Veiga irá avançar com um recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, caso Gameiro Costa não substitua a caução por outra medida de coacção não privativa da liberdade (prisão preventiva ou domiciliária).
No passado dia 20 de Novembro, José Veiga foi inquirido, como arguido, pelo juiz que estava de turno no TIC (Avelino Frescata). Após 35 minutos de interrogatório, saiu do Tribunal com uma caução de 500 mil euros, o passaporte confiscado e proibido de sair do País.
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