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Correio da Manhã

Desporto

Nélson Oliveira: "Quero ficar muitos anos no Benfica"

Nélson Oliveira está a despertar do sonho que foi o Mundial Sub-20, no qual foi eleito 2.º melhor jogador do torneio. Mas já procura virar a página e concentrar-se no seu clube. O avançado garante que o interesse de emblemas como a Roma não lhe tira o sono, porque tem como grande objectivo fazer história no seu clube de sempre
27 de Agosto de 2011 às 00:00
Nélson Oliveira: 'Quero ficar muitos anos no Benfica'
Nélson Oliveira: 'Quero ficar muitos anos no Benfica' FOTO: Tiago Sousa Dias

Correio Sport - Já digeriu as emoções do Mundial?

Nélson Oliveira - Sim, já digeri, agora tenho de concentrar--me no presente. Mas já sinto saudades dos meus companheiros. Foram dois meses muito bons, em que todos vivemos os momentos mais altos das nossas carreiras.

- Continua a receber muitas felicitações?

- Tenho recebido felicitações de pessoas que ainda não tinham tido a oportunidade de o fazer. Na Colômbia, eu e os outros jogadores do Benfica (Mika, Roderick e Luís Martins) recebíamos sempre mensagens de pessoas ligadas ao Benfica, especialmente do Rui Costa, a incentivar-nos.

- O que mudou na sua vida desde o Mundial?

- Nada mudou na minha vida, a não ser o facto de pessoas que não me conheciam enquanto jogador terem ficado a conhecer-me melhor. Não fui só eu, todos saímos valorizados com a participação neste Mundial.

- As boas exibições abriram--lhe as portas no Benfica?

- Reconheço que me ajudou. Sempre é melhor fazer uma boa prova do que ter uma participação menos boa. Também os meus companheiros saíram do Mundial com uma imagem diferente e vão ser encarados de forma diferente nos seus clubes.

- Na final, com o Brasil, estava exausto e pediu para sair. Por que não o substituíram?

- Há três jogos que já andava com queixas e a determinada altura da final senti uma dor forte e pedi para sair. O mister achou que era melhor aguentar. Talvez me tenha mantido no jogo a pensar nos penáltis, não sei. Mas estas situações fazem parte da nossa profissão.

- Perdeu o título de melhor jogador do torneio para Henrique, do Brasil. Foi justo?

- Não vou discutir a justiça do prémio, mas é claro que preferia ser eleito o melhor. No entanto, trocava esse prémio individual pelo título de campeão. Havia vários candidatos, o Henrique era um deles. É muito bom jogador e beneficiou do facto de o Brasil ter sido campeão.

- Logo a seguir ficou Danilo, outra grande surpresa...

- O Danilo só foi surpresa para quem não o conhecia. Sempre jogou desta maneira. Em termos individuais, aprecio muito as suas qualidades.

- Como se explica o facto de a maioria dos mundialistas não terem experiência de 1ª Liga?

- Devia haver mais atenção por parte dos clubes aos jovens portugueses. Há muitos com qualidade para jogar na 1ª Liga, demonstrámos isso neste Mundial e com esse feito abrimos portas a jogadores que aí vêm. Sinceramente, não sei a que se deve esse ‘esquecimento' em relação aos jovens portugueses.

- Sente-se com maturidade para lutar por um lugar na equipa?

- Estou preparado para aprender, não para lutar por um lugar. Todos treinamos para jogar, como é óbvio, e eu estou disponível para o fazer, mas quero aprender e evoluir ao lado de jogadores mais experientes e conceituados.

- Que avaliação faz das suas passagens por Rio Ave e Paços de Ferreira?

- Foram clubes muito importantes para a minha evolução como jogador. Aprendi muito com dois bons treinadores, Carlos Brito e Rui Vitória.

- Sempre foi visto como homem de área, afinal jogou mais na direita...

- Quem tinha essa ideia não me conhecia bem como jogador. No passado fui muitas vezes utilizado como extremo-direito. Nunca fui homem de área, para o ser teria de melhorar muito o meu jogo de cabeça.

- Como define as suas características?

- Sou um jogador rápido, com facilidade de remate e tenho boas movimentações. Mas para ser mais completo preciso de melhorar o posicionamento dentro da área e a forma como costumo lá chegar também não é a mais correcta. Mas o Benfica tem um bom treinador, Jorge Jesus, e com ele vou evoluir muito.

- Até há pouco tempo, a referência da equipa era um avançado português, Nuno Gomes. Gostava de seguir-lhe o exemplo?

- Nuno Gomes é um exemplo, tive o prazer de treinar e conviver com ele. No Benfica, foi um excelente jogador e como pessoa é ‘cinco estrelas'. Seria motivo de orgulho para mim chegar onde ele chegou na carreira.

- Mexeu consigo ouvir falar do interesse de clubes como a Roma?

- Sinceramente, não. O Benfica já é um clube grande, dos maiores da Europa, por isso não iria dar salto nenhum. É sempre bom ver o nosso nome associado a grandes clubes, mas não ligo muito a isso. Gostava de ficar muitos anos no Benfica.

- Jorge Jesus já lhe disse o que pretendia de si?

- Não, ainda não tive oportunidade de falar com o mister.

- A nível nacional, o FC Porto, sem Falcão, pode ficar mais fragilizado?

- Falcão era um elemento muito importante na equipa do FC Porto, a par de Hulk e João Moutinho. O FC Porto pode ficar fragilizado com essa perda, mas é um clube grande e irá, com certeza, buscar um substituto à altura.

- Quem é o principal candidato ao título?

- Os principais candidatos são os três grandes e há que ter em consideração o Sp. Braga. Mas o Benfica já demonstrou neste início de época ter uma excelente equipa.

- E na Liga dos Campeões?

- Penso que o sorteio não foi mau para o Benfica. Calhou uma equipa muito forte, o Manchester United, mas as outras duas (Basileia e Otelul Galati) são acessíveis.

- Fora dos relvados, como é a sua vida?

- Como qualquer jovem de 20 anos, gosto de estar com os amigos, a namorada, pais e irmão. Gosto de tomar um café com eles e jogar às cartas. Também gosto de ir ao cinema. Não sou um jovem muito dado a PlayStations e outros jogos do género.

- Qual é o jogador que mais aprecia na sua posição?

- Gosto muito do Ibrahimovic, do Inter de Milão.

PERFIL

NÉLSON Miguel Castro OLIVEIRA nasceu em Barcelos, a 8 de Agosto de 1991. Começou a jogar futebol nas escolas do Santa Maria FC, onde esteve de 1999 a 2003. Transferiu-se para o Sp. Braga, mas em 2006, a Luz passou a ser a sua casa. Com apenas 16 anos, rubricou contrato profissional com os encarnados, integrando o estágio de pré-época, com Quique Flores no comando da equipa.

Emprestado ao Rio Ave, em 2009/10, seguiu para Paços de Ferreira no ano seguinte, sendo notória a sua evolução. Internacional em todas as camadas jovens, marcou 4 golos no Mundial de Sub-20, na Colômbia, e foi eleito 2.º melhor jogador.

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