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Correio da Manhã

Desporto
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No FC Porto aprendi a liderar

Domingos, novo técnico da U. Leiria, sai em defesa nos treinadores mais jovens e salienta os bons exemplos de Paulo Bento, Hélio e Paulo Alves. Na próxima época, o ex-avançado estreia-se à frente de uma equipa da Liga e diz-se pronto para o desafio. A aprendizagem no Dragão foi fundamental.
29 de Maio de 2006 às 00:00
Domingos critica posicionamento da Federação em relação às equipas B
Domingos critica posicionamento da Federação em relação às equipas B FOTO: Rodrigo Filho
Correio da Manhã – O que o levou a crer que está na hora de iniciar–se na Liga?
Domingos – Quando terminei a carreira de jogador tive oportunidade de começar logo a treinar uma equipa, mas optei por ficar no FC Porto a aprender e a enriquecer--me durante cinco anos. Pareceu-me importante esperar pela oportunidade certa, por um projecto certo e por determinadas condições de trabalho.
– O que aprendeu no FC Porto?
– Na formação do FC Porto os métodos de trabalho são dos melhores do mundo. Aprendi muito sobre liderança e fiz parte de uma escola formatada para ganhar onde pude trabalhar com pessoas muito competentes.
– Quando saiu, que conselhos lhe deu Pinto da Costa?
– Incentivou-me, deu-me todo o apoio, desejou boa sorte e disse-me que a porta do FC Porto ficava aberta. Quando saí da equipa B, há um ano, disse-lhe que me sentia preparado para iniciar uma nova fase e que era essa a minha ambição.
– Que tipo de treinador vai ser?
– Quero que as minhas equipas joguem bom futebol. O meu modelo de jogo dependerá das características do plantel e só lamento que em Portugal nem sempre se dê o benefício da dúvida aos treinadores jovens, alegando que ainda não deram provas. Há clubes que preferem ir buscar ao estrangeiro técnicos sem currículo mas, porque são estrangeiros, merecem outro tratamento.
– O que trouxe de novo Co Adriaanse ao FC Porto?
– Trouxe uma coisa importante: pôr muita gente a pensar sobre a forma de jogar do FC Porto. Trouxe uma maneira muito acutilante de ver o futebol e é um justo vencedor. Acreditei sempre que ele ia ganhar o título, quer pela regularidade do FC Porto quer porque nunca vi nos adversários força para lá chegarem.
– Noutro clube Co Adriaanse teria sido despedido?
– O FC Porto é um clube diferente e tem a felicidade de tornar os treinadores campeões nacionais.
– O Sporting foi corajoso ao escolher Paulo Bento?
– Ter uma oportunidade é muito importante na vida porque na maior parte das vezes ninguém arrisca num treinador que não tenha dado provas. É um erro e não é só Paulo Bento quem o desmente. Estou a lembrar-me do Hélio, do Paulo Alves e de outros. De mim próprio, que tenho vários anos de experiência na formação e quatro níveis do curso de treinadores.
– No caso de Paulo Bento pode dizer-se que a casa começou pelo telhado?
– Quem foi jogador profissional tem também muita experiência e Paulo Bento está a pôr em prática aquilo que aprendeu e vai com certeza querer fazer cada vez mais e melhor. Qual é a diferença entre um professor de educação física e um ex-jogador de futebol com anos e anos de vivência no meio? Errar todos erram. O importante é aprender com os erros.
– O que é que a U. Leiria pode fazer esta época?
– O objectivo é fazer uma época tranquila. Para já não penso na UEFA nem posso pensar.
– O que acha do fim das equipas B?
– Vão perder-se muitos talentos porque nem todos os jogadores estão prontos a entrar na Liga com 17 ou 18 anos. Para os juniores vai ser a prova de fogo: ou agarram uma oportunidade ou morrem. E a grande responsabilidade é da federação porque nunca viu as equipas B com bons olhos. Nunca fez nada por elas.
'DESEJO SORTE A FERNANDO SANTOS'
CM – Trabalhou com Fernando Santos no FC Porto. O Benfica escolheu bem?
Domingos – Fiquei contente quando soube que ele seria o próximo treinador do Benfica. Fernando Santos sabe que o trabalho não vai ser fácil, o Benfica tem objectivos altos mas estamos a falar de um treinador equilibrado, que gosta de equipas consistentes e que será, hoje, diferente do que já foi, até pela experiência internacional que entretanto adquiriu. Apesar de ser um treinador adversário, desejo-lhe boa sorte.
– Partilha da opinião de Pinto da Costa relativamente a Scolari?
– Gostava que deixassem de me relacionar com o FC Porto. Neste momento sou treinador do Leiria e de Scolari falo como português e como treinador de futebol. A convocatória dele foi contestada por muitos, penso que 90 por cento das pessoas estavam à espera de ver na Selecção alguns dos jogadores que ele não quer convocar. É o caso do Baía, e o próprio Quaresma teria um lugar nos 23 convocados, mas nesta profissão cada cabeça sua sentença. A escolha é do seleccionador e se as coisas não correrem bem a responsabilidade também deverá ser dele.
PERFIL
Domingos José Paciência de Oliveira nasceu em Leça da Palmeira a 2 de janeiro de 1969. Toda a carreira de jogador está ligada, sobretudo, ao FC Porto clube que representou desde 1983, tinha apenas 14 anos. Aos serviço dos ‘dragões’, foi sete vezes campeão nacional, conquistou cinco supertaças – ainda hoje é o melhor marcador da prova, com sete golos – e outras tantas taças de Portugal.
Domingos foi ainda o melhor marcador da I Liga na época 95/96, tendo conseguido um total de 107 golos na principal competição nacional.
Casado, com três filhos, Domingos interrompeu o primeiro ciclo portista em 1997 para arriscar a sorte na liga espanhola. Vestiu a camisola do Tenerife até 1999, ano em que regressa ao FC Porto.
Já depois de terminar a carreira de jogador, Pinto da Costa não o deixou sair e durante quatro anos foi o treinador da equipa B portista, trabalhando na formação de um clube que conheceu ainda como iniciado. Também na selecção nacional, pertenceu a equipas de vários escalões etários, até atingir a principal, onde conseguiu 35 internacionalizações. Ao serviço dos ‘A’ o goleador marcou por 13 vezes. Inicia esta época a carreira de treinador na I Liga, considerando os anos que passou no FC Porto a melhor escola que poderia ter tido.
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