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Correio da Manhã

Desporto
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NO MEU TRABALHO NINGUÉM METE O DEDO

Luís Felipe Scolari voltou ontem a deixar bem claro que não está disposto a ceder um milímetro que seja no processo de condução dos destinos da selecção nacional, na véspera do jogo com a Letónia que marca o arranque da fase de qualificação para o Mundial’2006.
4 de Setembro de 2004 às 00:00
Prova disso mesmo foi o facto de Cristiano Ronaldo ter sido ontem um dos dois jogadores indigitados para falar à imprensa, menos de 24 depois de o atleta ter dito que estava proibido de o fazer, pelo seu clube. Foi também o contra-ataque da Federação no ‘braço-de-ferro’ que vem sendo travado com o Manchester United desde antes dos Jogos Olímpicos e que culminou com a presença, muito mal vista, de Carlos Queiroz no dia da concentração.
A este respeito, Scolari garantiu que gosta de manter bom relacionamento com todos os clubes. Mas exige respeito. “Por norma respeito todos, mais a mais Carlos Queiroz, meu amigo íntimo. Mas atenção, quem comanda tudo, somos nós, a Federação. Nós temos os dados sobre os atletas, confiamos nos nossos médicos e é deles que recebemos informações sobre quem está ou não está bom”, asseverou. Sobre o facto de Ronaldo ter falado ontem, após o silêncio da véspera, o técnico foi claro: “Fico muito feliz por ele ter estado aqui a falar”.
Também alguns comentários irónicos de Pinto da Costa, sobre a necessidade de os portugueses pensarem mais em vitórias e menos em bandeiras, mereceu um reparo, embora diplomático: “Ainda fico muito feliz por continuar a ver bandeiras às janelas. Quanto às vitórias, também eu as quero”. Finalmente, sobre o critério das escolhas de alguns jogadores, nomeadamente a estafada questão da ausência de Baía em contraponto com a presença de Quim, Scolari retorquiu: “Não interfiro no trabalho dos outros, por isso, no meu trabalho ninguém mete o dedo”.
RONALDO: "É BOM SABER QUE GOSTAM DE MIM"
O Manchester impôs silêncio a Ronaldo. A Federação ripostou a mandou-o ontem à sala de imprensa. O jogador explicou, a respeito do diferendo, já ter recebido ordens para falar, sem entrar em detalhes. Falou, sim, sobre o efeito mediático que a sua figura projecta, mesmo em locais tão improváveis como Riga. “É bom saber que gostam de mim. Isso enche-me de orgulho. É óbvio que fiquei muito feliz com a forma como fui reconhecido aqui”.
Ronaldo garante estar preparado para lidar com o facto de ser, agora, um ídolo para milhares de fãs e não teme a pressão que isso implica. “Ser capa de jornais e revistas é bom, mas para falar verdade, não ligo a isso, tento concentrar-me apenas no meu trabalho. Por isso agora só penso na Selecção.” Ronaldo vai jogar hoje, apesar dos cuidados tidos nos últimos dias com a sua preparação. Garante que na Selecção tem todas as condições para recuperar do princípio de pubalgia de que padece. Evita falar dos Jogos Olímpicos “porque isso é passado”. “Agora só penso em ajudar a Selecção a conseguir vitórias”, frisa.
Também Pauleta, na nova condição de ‘capitão’, fez a antevisão do jogo de hoje, que considera “difícil”. O maior goleador da selecção depois de Eusébio quer voltar rapidamente aos golos, de forma a esquecer a ‘secura’ do Euro’2004. “Sinto-me em dívida com os portugueses. Se estou ansioso? Existe sempre ansiedade. Primeiro quero ganhar o jogo e se possível, marcar, também”.
ECOS DE RIGA
PREPARADOS PARA A LETÓNIA
Pauleta, Ronaldo e Scolari são peremptórios em afirmar que a Selecção está precavida contra eventuais surpresas que possam surgir esta noite. “Sabemos o que vale a Letónia. Joga de uma forma muito dinâmica e é baseada num clube, o Skonto Riga. Não os subestimamos”, garantiu o técnico nacional.
DOIS 'CAPITÃES' NA SELECÇÃO
Scolari esclareceu finalmente a questão dos capitães. Que são mesmo dois, Pauleta e Costinha, sem ascendente de um sobre o outro, tendo revelado que pode até haver um terceiro. “A escolha por antiguidade não condiz com o que eu necessito”. Esta noite, contudo, é mesmo Pauleta quem leva a braçadeira.
RELATÓRIOS PARA OS CLUBES
A novidade foi dada pelo seleccionador nacional: após cada jornada da selecção nacional, o gabinete técnico da FPF vai elaborar relatórios sobre o trabalho efectuado pelos jogadores e eventuais questões clínicas, que serão depois remetidos aos clubes de onde são provenientes os atletas convocados.
CASA CHEIA NO SKONTO STADIUM
O Skonto Stadium, onde esta noite se realiza o jogo, está com lotação esgotada desde há algum tempo. Diga-se, contudo, que 9 mil pessoas chegam para que tal aconteça. O interesse pelo futebol, após a presença da Letónia no Euro’2004, aumentou substancialmente. A fama de Portugal também ajuda.
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