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Correio da Manhã

Desporto
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Noite mal passada na casa de todos os horrores

O que poderia sair mal ao Sporting? Um golo anulado, falhar (mais...) uma grande penalidade, sofrer um golo por falha do guarda-redes, acabar assobiado e só com um ponto. Aconteceu.
3 de Dezembro de 2007 às 00:00
Leões feridos, após o empate consentido em casa com os leirienses
Leões feridos, após o empate consentido em casa com os leirienses FOTO: Nacho Doce, Reuters
Isto e mais uma exibição cinzenta, pobre, demonstração pública dos problemas que a equipa já não esconde. É justo dizer que o Sporting fez muito pouco para merecer outro destino. Em alguns momentos da primeira parte chegou a atingir um ponto tão baixo que se julgava ser possível piorar. Os adeptos leoninos também acharam e por isso antes de se dirigirem ao bar assobiaram toda a gente.
A segunda parte foi um pouco melhor. A qualidade do futebol subiu, a emoção apareceu. Logo aos dois minutos, grande lance de Izmailov na esquerda, golo de Purovic. A bola entrou, mas o árbitro viu antes uma falta do avançado. Duvidoso. Não valeu, mas ajudou o Sporting a sair do fundo do poço. A acção do russo foi decisiva, com boas iniciativas. Numa delas aproveitou o engenho de João Moutinho e fez o golo.
Costuma dizer-se que nestas noites pouco inspiradas um golo pode fazer toda a diferença. Não foi o caso. Vítor Oliveira arriscou. Não se tratava de missão impossível, longe disso. O próprio Sporting parecia disponível para ajudar. A prova maior surgiu aos 71 minutos. Penálti de Hugo Costa. Polga dirige-se para a marca. Pode ser o primeiro golo na liga portuguesa. Fernando defende. Com 20 minutos para o final, que se levante o primeiro adepto sportinguista convencido de que a vitória estava segura.
Face a tamanha demonstração de incapacidade, a União de Leiria subiu ainda mais. Aos 82 minutos o horror leonino encontrou a mais delicada tradução. Com dois jogadores a receber assistência, Laranjeiro marcou um livre sobre a direita e Rui Patrício falhou. Toñito encostou de cabeça, numa jogada que terminou de forma rara, com dois jogadores de braços no ar, reclamando desculpa. Rui Patrício e Toñito nem são os principais responsáveis pelo desfecho de uma partida que o Sporting tinha de vencer. O mau futebol leonino durante praticamente 90 minutos não previa algo muito diferente. Já há lenços brancos em Alvalade.
POSITIVO: UM BOM GUARDA-REDES
Fernando defendeu uma grande penalidade, lance que poderia ter decidido o jogo. Polga falhou, tudo continuou 1-0 e o empate chegou logo depois. Ter um guarda-redes com valor costuma ser decisivo.
NEGATIVO: E OUTRO MAU MOMENTO
Rui Patrício fica ligado ao empate, o que até nem merecia porque fora um dos melhores da equipa de Paulo Bento. Mas falhar daquela forma, num lance simples, talvez permita pensar que o tempo de ser titular chegou demasiado cedo...
ARBITRAGEM: UM LANCE DE DÚVIDA
Aos 47 minutos o árbitro Rui Costa invalidou um golo de Purovic por alegada falta do avançado leonino sobre o central da União de Leiria, Hugo Costa. Uma decisão duvidosa. Quanto ao resto, algumas falhas mais, numa partida difícil de dirigir.
PAULO BENTO JÁ VÊ LENÇOS BRANCOS
Paulo Bento saiu ontem do relvado do Estádio José Alvalade sob um coro de assobios e cânticos de “vergonha”, aos quais se somaram os primeiros lenços brancos em dois anos à frente do Sporting. “A equipa não está tranquila. Já não havia espaço para errar. O Sporting está numa situação muito complicada, mas não podemos nem devemos desistir dos nossos objectivos”, disse o técnico leonino, reconhecendo a existência de “erros” no empate com a U. Leiria. Paulo Bento admitiu, ainda, que a prestação na Liga é “má”, mas frisa que “há condições para continuar”. “Enquanto acharmos que temos condições, continuamos. No momento em que não acharmos, é olhos nos olhos e o Sporting não gasta nem mais um tostão”, afirmou.
Já Vítor Oliveira, técnico da U. Leiria, considerou que a sua formação “mereceu o empate, pela entrega e rigor táctico”.
Miguel Veloso considerou os assobios uma situação “normal” e disse que o Sporting terá de se empenhar na sua continuidade no clube: “Gostava de cumprir o contrato até ao fim, mas há que fazer algo para eu ficar.”
FICHA DO JOGO
Local: Estádio José Alvalade, em Lisboa (24.331 espectadores)
Árbitro: Rui Costa (Porto)
SPORTING: Rui Patrício, Abel, Tonel, Polga, Had, Miguel Veloso, João Moutinho, Izmailov (Pereirinha, 64m), Romagnoli (Vukcevic, 64m; Farnerud, 82m), Purovic e Liedson. Treinador: Paulo Bento.
UNIÃO DE LEIRIA: Fernando, Éder Bonfim, Hugo Costa, Éder Gaúcho, Laranjeiro, Tiago, Faria (Cadú, 46m), Alhandra (Toñito, 72m), Maciel (João Paulo, 58m), Paulo César e Sougou. Treinador: Vítor Oliveira.
Marcador: 1-0, Izmailov (52m); 1-1, Toñito (82m)
Acção disciplinar: Cartões amarelos – Abel (31m), Paulo César (60m), Hugo Costa (71m)
Melhor jogador: Fernando
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