Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
9

NUNO ARRASA A TORRE

Humilhados e ofendidos, os favoritos viram subir ao alto da Torre o jovem Nuno Ribeiro, de 25 anos, conterrâneo de Cândido Barbosa e seu futuro cunhado.
11 de Agosto de 2003 às 00:00
Nuno Ribeiro recebe o apoio de um popular na sua caminhada até à camisola amarela
Nuno Ribeiro recebe o apoio de um popular na sua caminhada até à camisola amarela FOTO: Tiago Pettinga
Ao arrepio do aforismo popular, ontem, na Volta a Portugal, a montanha não pariu um rato, mas sim um novo campeão, Nuno Ribeiro, da LA-Pecol, de 25 anos (completa 26 no dia 9 do próximo mês), natural de Rebordosa, portanto conterrâneo de Cândido Barbosa, e futuros cunhados, pois está noivo da irmã deste.
Nuno Ribeiro não se assustou com a escalada da Serra da Estrela, quando pouco depois da passagem pela meta volante da Covilhã, recebeu ordem do carro de apoio para saltar do grupo que mantinha-se na perseguição do ciclista em fuga, o espanhol Gustavo Veloso (Boavista).
Pode ter parecido uma imprevidência a decisão do seu director Américo Silva, não só por estarmos em presença de um ciclista pouco experimentado, mas sobretudo porque passou a ter no seu encalço um lote de corredores de gabarito com destaque para os quatro homens da Milaneza, Moller, Horrach, Lavarinhas e Renato Silva.
O certo, porém, é que o jovem, seguindo à risca os conselhos do seu director, depressa alcançou uma vantagem superior a um minuto, que manteve, com grande segurança, garantindo, assim, a vitória na etapa-rainha da Volta e a conquista da camisola amarela, cujo detentor, Victoriano Fernandez, perdeu mais de quatro minutos.
Foi um desfecho totalmente inesperado, quando no pelotão se destacavam figuras que, em teoria, seriam os grandes favoritos à vitória, tais como os maiatos Moller ou Horrach, Zintechenko, Vítor Gamito, Orlando Rodrigues, Bruno Castanheira ou Nelson Vitorino.
Nuno Ribeiro fez saber que da nova geração de corredores portugueses estão a despontar valores capazes de bater o pé aos tradicionais candidatos à vitória.
Nesta ligação, da costa atlântica ao alto da serra, estiveram ainda em evidência, os jovens Rui Pinto (Barbot), Renato Silva (Milaneza), Sérgio Paulinho (V. Conde) e Virgílio Santos (Antarte), entre os nacionais, e David Blanco (Tavira), Gustavo Veloso (Boavista), Gabrovski (MBK), entre os estrangeiros.
Os tais candidatos, que têm sido apontados para o triunfo final nesta Volta, vão ter agora de bater-se com este quarto líder da prova, que conta no seu palmarés sete vitórias, a saber: 1 etapa na Volta do Futuro, em 2000; 3 etapas na Volta do Futuro de 2001; mais duas vitórias no GP Abimota de 2002; e a de ontem no alto da Torre.
É com corredores da têmpera deste jovem pupilo de Américo Silva, que será possível reconstruir o ciclismo português, recuperar o prestígio de outros tempos e assegurar-lhe o futuro.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)