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Correio da Manhã

Desporto
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Nuno Gomes à matador dá Supertaça

O avançado-reforço tarda em chegar à Luz mas Nuno Gomes fez ontem questão de mostrar que está vivo. Um golo solitário do internacional luso, ontem muito inspirado, valeu ao Benfica a conquista da sua quarta Supertaça, um troféu que há 15 anos escapava aos ‘encarnados’.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Nuno Gomes à matador dá Supertaça
Nuno Gomes à matador dá Supertaça FOTO: Vasco Célio, Lusa
Ronald Koeman, que conquistou o seu primeiro troféu pelo Benfica, apostou em dois reforços (Anderson e Beto) na equipa titular, jogando em 4x3x3. Moreira ganhou a Quim a luta por um lugar na baliza. O V. Setúbal, também em 4x3x3 (que na realidade se transformava num 4x5x1 no processo defensivo), começou o jogo com cinco jogadores que não integravam a equipa vencedora da Taça de Portugal.
Tal como Koeman pretende, o Benfica assumiu-se desde o início como dono do jogo, perante um V. Setúbal que espreitava o contra-ataque. Nos primeiros 20 minutos, o Benfica sentiu dificuldades em ligar o seu jogo, mas depois melhorou um pouco e criou duas oportunidades flagrantes de golo, ambas por Nuno Gomes. Aos 27’, João Pereira cruzou para o primeiro poste e Nuno cabeceou para uma defesa magistral do brasileiro Moretto. E aos 32’, o avançado do Benfica aproveitou o espaço que lhe foi concedido pela defesa sadina para chutar de longe com a bola a rasar o poste esquerdo da baliza de Moretto.
O V. Setúbal revelava-se totalmente inofensivo, mas ao futebol do Benfica faltava também maior dinamismo. Koeman apregoa a sua vocação ofensiva, mas joga com três homens de caracterísiticas defensivas no meio-campo e deixa Nuno Assis e Karyaka no banco.
Manuel Fernandes está ainda a adaptar-se ao seu novo papel mais ofensivo e Beto também se soltou poucas vezes para o ataque. Como resultado, Nuno Gomes fica muito só na frente e valeu ontem ao Benfica que o avançado estava inspirado, porque Geovanni e Simão também estiveram apagados nas alas.
Ao intervalo, os treinadores não mexeram nas equipas e o cariz do jogo manteve-se no segundo tempo. Só que o Benfica marcou cedo (51’), num lance polémico, porque começa com uma falta de Geovanni sobre Ricardo Chaves que o árbitro deixa passar. A bola segue para Beto, este beneficia de um ressalto num braço de Veríssimo para isolar Nuno Gomes, que atira para o fundo das redes.
Norton de Matos respondeu com a troca dos homens da frente e criou finalmente um lance de perigo, com Dembelé (73’), solto na área, a cabecear ao lado após centro de Sougou. E aos 87’, Fábio cabeceou a rasar o poste após um canto. E foi tudo.
FICHA TÉCNICA
Local: estádio do Algarve, em Faro (25.900 espectadores)
Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
BENFICA: Moreira, João Pereira, Luisão, Anderson, Ricardo Rocha (Dos Santos, 78m), Petit, Beto, Manuel Fernandes (Karyaka, 80m), Geovanni, Simão (Hélio Roque, 68m) e Nuno Gomes. Treinador: Ronald Koeman.
VIT. SETÚBAL: Moretto, Janício, Veríssimo, Auri, Nandinho, Dembelé, Ricardo Chaves, Bruno Ribeiro (Franja, 75m), Sougou, Heitor (Fábio, 60m) e Lacombe (Tchomogo, 60m). Treinador: Norton de Matos.
Marcador: 1-0, Nuno Gomes (51m)
Acção disciplinar: Amarelos - Dembelé (35m)
BENFICA: AINDA MUITO POR AFINAR
NUNO GOMES EM DESTAQUE
Andou ‘desaparecido’ durante toda a pré-época. No entanto, no primeiro jogo oficial, Nuno Gomes resolveu aparecer. Defendeu quando foi preciso, veio buscar jogo atrás, mexeu-se bastante no ataque, rematou quando teve oportunidades e... marcou o golo da vitória.
ASSUMIR O JOGO
O Benfica jogou como o holandês Ronald Koeman deseja para a temporada que se avizinha: a assumir a partida, desde o apito inicial do árbitro. Sem ‘medo’ de errar, os ‘encarnados’ dominaram do princípio ao fim do jogo. É este o esboço para a época 2005/2006, embora haja ainda muito por ‘afinar’.
MEIO-CAMPO MUITO DEFENSIVO
É verdade que a equipa se revelou mais ofensiva, ainda assim, e com Nuno Assis e Karyaka disponíveis para jogar, Ronald Koeman poderia ter arriscado mais, em vez de ter colocado três médios mais defensivos no onze titular: Petit, Beto e Manuel Fernandes.
VITÓRIA DE SETÚBAL: FALTA DE OUSADIA
JANÍCIO EM DESTAQUE
A exibição pouco inspirada dos pupilos de Norton de Matos não facilita a escolha. No entanto, o lateral-direito Janício, que ainda há poucos meses actuava no Torreense da II B, teve um desempenho seguro e não acusou a falta de experiência. O internacional cabo-verdiano, sem se esforçar muito, ‘secou’ Simão e ainda se aventurou no ataque.
BOA MATÉRIA-PRIMA
Apesar de metade da equipa ser nova, Norton de Matos parece ter boa matéria-prima para trabalhar. Além de Janício, Dembelé deu excelentes indicações e Sougou é muito rápido. O guarda-redes Moretto, isento de culpas no golo, que foi precedido de falta sobre Ricardo Chaves, foi um dos melhores em campo.
ATAQUE INCONSEQUENTE
Não é fácil esquecer jogadores como Manuel José, Jorginho e Meyong. Apesar de o ataque sadino ainda precisar de tempo para melhorar o entrosamento, a ausência de um homem golo deixa a nu a lacuna da equipa no sector ofensivo. Lacombe nunca esteve no jogo e Sougou foi inconsequente.
APONTAMENTOS
NUNO DEDICA GOLO
O golo apontado ontem por Nuno Gomes teve um significado especial, não só por ter sido o primeiro tento oficial da época, mas também porque marcou o regresso do avançado aos golos. E também por isso, teve direito a uma comemoração especial. Assim que a bola chegou às redes sadinas, Nuno correu em direcção ao banco de suplentes e abraçou Pedro Mantorras. Um tento festejado pelos dois avançados benfiquistas.
KOEMAN FELIZ
Apesar de não ter sido um grande jogo, o técnico Ronald Koeman ficou satisfeito com o rendimento da sua equipa. “O mais importante foi ganhar e conquistar o troféu. Estamos felizes com mais este título. O jogo foi difícil e estou satisfeito com o que os jogadores fizeram. Ainda estamos longe do nosso melhor, mas foi positiva a nossa prestação”, salientou.
FINAL INÉDITA
Nos tempos áureos do Vitória de Setúbal, nas décadas de 60 e 70, a Supertaça ainda não havia nascido e, por isso, os sadinos marcaram ontem presença pela primeira vez na prova. Tratou-se, por isso, de uma final inédita, enquanto o Benfica contabilizou a 14.ª presença no jogo decisivo de uma prova dominada claramente pelo FC Porto, que regista 14 triunfos, em 21 ocasiões em que disputou a Supertaça.
DOIS REFORÇOS NO ONZE
Dos quatro reforços que o Benfica garantiu até ao momento, apenas dois foram ontem titulares: o central Anderson e o médio Beto (na foto). No banco ficou o russo Karyaka, que parece estar a perder espaço na equipa. Já Léo está lesionado.
ACESSOS AO ESTÁDIO ALGARVE VOLTAM A MOSTRAR DEFICIÊNCIAS
A Via do Infante registou ontem um dos dias de maior tráfego de sempre, devido à realização do Benfica-Vitória de Setúbal, em pleno mês de Agosto, com o já habitualmente intenso movimento desta época do ano a tornar-se caótico próximo da hora do início do jogo, pois muitos espectadores não viajaram com a desejada antecedência e os acessos ao Estádio Algarve acabaram por ‘entupir’.
Os pouco mais de quatro mil bilhetes colocados à venda na tarde – e resultantes das sobras entregues pelos clubes – escoaram na quase totalidade e o recinto registou uma moldura comparável à verificada em alguns jogos do Euro’2004, mas, devido aos problemas sentidos no acesso ao recinto, parte significativa do público só chegou às bancadas com o jogo já a decorrer, já que também para entrar no recinto registavam-se longas filas de adeptos.
Muitos apoiantes das duas equipas, e em particular do Vitória de Setúbal, optaram por viajar para o Algarve no próprio dia do jogo, o que teve como reflexo um fluxo de trânsito acima do normal na A2, no sentido Norte-Sul, com o consequente congestionamento das duas principais estradas do Algarve, a Via do Infante e a EN125.
Após a partida, o cenário repetiu-se, agora na saída, com milhares de espectadores a perderem mais de uma hora para saírem do Estádio Algarve, algo habitual quando o recinto regista enchentes.
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