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Correio da Manhã

Desporto
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O adeus emocionado

Na hora de anunciar, “por comum acordo”, a saída do director desportivo Quinito, Jorge Santana, presidente do Vitória de Setúbal, não conseguiu esconder a emoção pela saída do amigo. O antigo treinador não resistiu ao “desgaste” causado por quatro anos de trabalho e à pressão exercida sobre Santana por alguns dos elementos da administração sadina descontentes pelo comportamento desportivo do futebol sénior.
15 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Quinito e Jorge Santana  trocaram elogios na hora da despedida
Quinito e Jorge Santana trocaram elogios na hora da despedida FOTO: A-gosto.com
Pouco mais de um ano depois de assumir a presidência do clube, o dirigente vê-se agora privado do trabalho, em seu entender, de um dos principais obreiros do sucesso desportivo das últimas épocas. “Muitas vezes incompreendido, atribuo-lhe em grande medida o sucesso desportivo alcançado pela equipa de futebol nos últimos anos. Incansável no seu apoio à última e a esta direcção, e a mim pessoalmente, agradeço tudo o que deu a esta instituição.”
Quinito, tal como o actual treinador, Carlos Cardoso, assumiu funções ainda durante a presidência de Jorge Goes. O contrato que o ligava ao clube estava ainda a meio, mas a vontade da direcção e de alguns sócios, que não se cansavam de apontar o dedo a Quinito pelo mau desempenho da equipa, acabou por prevalecer.
Santana, que se escusou a responder a qualquer pergunta, explicou, durante a leitura do comunicado, a decisão. “A resolução prende-se essencialmente com uma renovação e um novo projecto na estrutura do clube, mas também pelo desgaste acumulado por quatro anos de trabalho intenso, em condições difíceis e com o sucesso desportivo das últimas três épocas que, infelizmente, não teve a sequência desejada na corrente época”, considerou, não sendo de excluir a possibilidade de um futuro director desportivo ser indicado pelo grupo por detrás do “novo projecto”.
O presidente desejou que Quinito possa no futuro “continuar a enriquecer o futebol português com a sua postura, experiência e carisma peculiar” e deixa uma garantia. “Guardarei a sua amizade como um dos melhores bens que poderei levar no meu percurso no futebol e na vida.”
QUINITO CONFORMADO
Quinito, que começou por agradecer as “palavras de conforto” de Santana, confessou não estar surpreendido com o fim da ligação. “Compreendo que os projectos têm um princípio e um fim. Estou de acordo que o Vitória recomece um novo projecto para fazer face às grandes dificuldades que o clube tem atravessado e ainda vai demorar algum tempo a atravessar”, alertou, recordando que “estão a ser dados passos para que o Vitória seja financeiramente mais saudável e com outras perspectivas”.
Apesar do antigo director desportivo não esconder as muitas dificuldades, não se arrepende dos anos de dedicação “ao clube do coração” e confia no permanência. “Foram quatro anos de muitos sacrifícios de todos os envolvidos e com muitas noites sem dormir. Estou convicto de que o Vitória vai atingir os seus objectivos.”
BICHINHO DE TREINADOR
Quinito, na hora da despedida, deixou ainda uma palavra de apreço ao presidente Jorge Santana – “é incansável e tem marcado muitos golos pelo Vitória” – e não colocou de parte a possibilidade de voltar a treinar. “Vou descansar agora um pouco. Há quatro anos que mal durmo, fumo quatro maços de tabaco por dia e bebo 40 cafés. Fi-lo com muito prazer e entrega porque o Vitória é o clube do meu coração”, referiu o homem forte do futebol sadino, acrescentando: “Reconheço que ser director desportivo é muito difícil, mas gostei. Ultimamente assalta-me um pouco o bichinho de voltar a treinar. Vou esperar para ver.”
Quinito como treinador já passou pelo FC Porto, Sp. Braga, V. Guimarães, Rio Ave e Marítimo.
PERFIL
Quinito era director desportivo do Vitória de Setúbal desde Março de 2003. O ex-gestor do futebol sadino, nascido em Setúbal há 58 anos, mereceu a confiança no cargo das últimas três direcções. Depois da experiência como representante da autarquia na administração da SAD presidida por Jorge Goes, Quinito passou a exercer as funções de director desportivo nas gestões de Goes, Chumbita Nunes e Jorge Santana.
O antigo médio direito, formado nas escolas do Vitória, passou, enquanto atleta, pela Académica, Belenenses, Braga e Racing Santander. Como treinador, o currículo é mais extenso: Braga, Guimarães, Vitória de Setúbal, FC Porto, Rio Ave, Marítimo e uma experiência no Kuweit.
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