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Correio da Manhã

Desporto
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O banco, o sonho e o homem

O treinador como peça de engrenagem muito fácil de substituir

6 de Agosto de 2011 às 00:00
O banco, o sonho e o homem
O banco, o sonho e o homem

Pinto da Costa entra na época de 2011/12 com a motivação extraordinária de promover a excomunhão sumária do treinador que ousou trair o clube de berço por um dote de petrorrublos. André Vilas-Boas prometera ficar muitos e bons anos no cadeirão mais desejado, mas, à primeira tentação, zarpou rumo à glória, desdenhando a capacidade de projecção internacional do emblema portuense.

 

A trilogia que parecia dar um fundo poético à relação pretensamente afectiva entre o FC Porto e seus profissionais, sintetizada em declarações de amor de sempre e para sempre, permanece acesa, através da solução em continuidade rapidamente engendrada para abafar o impacto negativo daquela ruptura, mas tarda em aquecer os ânimos.

 

O golpe foi duro e o presidente do FC Porto, com reduzida capacidade de manobra, limitou-se a responder com a solução mais óbvia, mas também mais perigosa, promovendo outro novato sem experiência, como se o cargo e a orgânica que o suportam bastassem para dinamizar um projecto de vitória.

 

Pinto da Costa já fora várias vezes tentado a demonstrar que qualquer treinador pode atingir os píncaros com base na estrutura do FC Porto, como mera peça da engrenagem, substituível por um sobresselente. O culto da personalidade que quase sempre se desencadeia em torno de treinadores carismáticos, como José Mourinho, torna-se insuportável para o velho dirigente – embora remível a generosas cláusulas de rescisão à altura de Abramovic.

 

Por isso, arranca para uma época de consolidação de um novo projecto triunfal com uma base extraordinária de jogadores, um plantel ao nível dos melhores da Europa, mas atormentado pela dúvida da liderança técnica. As primeiras semanas, os primeiros dois meses, serão de máxima exigência para Vítor Pereira, o homem escolhido para se sentar no banco que povoa os sonhos de todos os treinadores de futebol. A oportunidade que lhe foi oferecida pela ambição de Vilas-Boas não tem preço, mas desengane-se quem pense que o lugar é que faz o treinador, como no tempo em que treinar determinado clube rival significava o risco de se tornar campeão.

 

O DESAFIO DE DOMINGOS PACIÊNCIA

Ganhar 'contra' o FC Porto tem mais valor

A iniciar a sexta temporada consecutiva (em 4 clubes) na Liga, Domingos Paciência enfrenta o maior desafio de chegar ao título com a equipa menos dotada de todos os candidatos, não obstante o esforço de renovação dos novos dirigentes do Sporting. Virtualmente, não falta quem o considere como o melhor treinador a trabalhar no país e esta é a oportunidade de o confirmar. Sem a personalidade cosmopolita de Mourinho ou Vilas-Boas, mais identificado com as origens do futebol luso, Domingos arrisca bastante, pois ser-lhe-ia mais fácil atingir a glória no seu, inequívoco, banco de sonho no Dragão. No entanto, o Sporting pode proporcionar-lhe um lugar na história: ser campeão «contra» o FC Porto vale muito mais.

O QUE FALTA A FALCÃO

Motivação para marcar mais

Falcão dividiu o protagonismo com Hulk e «falhou» pela segunda vez o objectivo de ser o melhor marcador do campeonato. O que ainda lhe falta constitui, assim, uma bênção para a equipa e para o treinador, porque no final da época, provavelmente, já não faltará.

A influência de estrangeiros na Liga portuguesa agrava-se substancialmente este ano, pois conta-se apenas um em cada quatro novos jogadores. Os clubes contrataram cerca de 150 estreantes, incluindo 48 brasileiros e apenas 40 portugueses.

Ø      O Sporting de Braga fez a maior parte das recrutas em clubes nacionais, incluindo no Sporting (Nuno André Coelho) e no Benfica (Nuno Gomes), prometendo intrometer-se novamente entre os primeiros três classificados da Liga.

Ø      A uma semana da primeira jornada da Liga, muitos clubes ainda aguardam pelas dispensas dos clubes grandes para completarem os seus plantéis, uma aberrante desigualdade que a Liga de Clubes consente, apesar de claramente atentar contra a verdade desportiva. O brasileiro Kelvin, do FC Porto, é o mais desejado.

Ø      Apesar de continuar a subir a percentagem de jogadores estrangeiros, todos os treinadores da Liga, à partida, são portugueses, tal como há dois anos, incluindo três debutantes: Vítor Pereira (FC Porto) Pedro Emanuel (Académica) e Quim Machado (Feirense).

 

COM O BENFICA ÀS COSTAS

Nico Gaitán realizou uma primeira época magnífica, bem acima do nível geral do Benfica, e prepara-se para ser o jogador mais valioso do novo campeonato. Mas não pode ser forçado a carregar a equipa de Jorge Jesus às costas em todas as partidas.

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