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Correio da Manhã

Desporto

“O Benfica está muito bem entregue”

Último treinador português a orientar os encarnados antes de Jorge Jesus, Fernando Santos elogia as qualidades do actual treinador e diz que a boa campanha da equipa não o surpreende; o treinador do PAOK não inclui o Sporting na luta pelo título, que em sua opinião será disputado por Benfica e FC Porto
24 de Outubro de 2009 às 00:00
Fernando Santos
Fernando Santos FOTO: Pedro Catarino

Correio Sport – Que opinião tem sobre o trabalho que o técnico Jorge Jesus está a efectuar na Luz?

Fernando Santos – O Benfica está muito bem entregue. Assim que foi contratado, eu disse que ele tinha condições para treinar o Benfica.

– Não ficou surpreendido com os resultados alcançados em tão pouco tempo?

– Não me surpreende nada aquilo que está a acontecer, porque o Benfica tem um bom plantel e o Jorge Jesus é um treinador com muitas qualidades. Encaro o que está a acontecer com toda a naturalidade.

– Considera o Benfica favorito para conquistar o título?

– Apesar de o Sporting ser também um clube com grande força, penso que a luta pelo título vai reduzir-se a duas equipas, Benfica e FC Porto. Obviamente, ainda falta muito campeonato e o futebol é fértil em surpresas. Mas olhando para a posição  onde o Sporting se encontra, é pouco provável que possa chegar ao título. A luta vai ser entre o Benfica e o FC Porto.

– Ouviu Luís Filipe Vieira dizer que nunca mais se deixará pressionar pelos adeptos para despedir um técnico, como aconteceu consigo? 

– Isso já foi há muito tempo. É passado, não vou falar disso. Agora estou na Grécia e concentrado na minha equipa.

– Ainda sonha voltar ao futebol português?

– No futebol não há sonhos, há realidade. Para já estou na Grécia.

– Portugal vai disputar o play-off de apuramento para o Mundial com a Bósnia-Herzegovina. Há motivo para euforias?

– Não. A Bósnia ficou em 2º lugar, num grupo onde, além da Espanha, estava também a Turquia. Se calhar muitos não contavam com isso. Os seus avançados são de grande qualidade e há que ter algum cuidado. Se olharmos para as duas equipas, Portugal é o favorito em teoria, mas há que confirmar esse favoritismo na prática.

– Era o pior adversário que podia sair a Portugal?

– Apesar de tudo, a Grécia tem uma missão mais difícil, pois vai defrontar a Ucrânia. Em minha opinião, é um adversário mais forte do que a Bósnia-Herzegovina.

– Na fase mais complicada desta caminhada, muitos desabafaram que para ir fazer a mesma figura no Mundial mais valia não ir lá.  Houve algum exagero nas críticas?

– Isso é a teoria do coitadinho. Quando uma selecção não se apura directamente não pode ir ao Mundial? Há sempre razões para marcar presença num evento destes. Ninguém mais do que eu gostaria de que Portugal se qualificasse em primeiro lugar no grupo. Só que quem está lá dentro é que sabe as dificuldades com que se defronta.

– Esta equipa oferece as mesmas garantias de qualidade que aquelas que estiveram no Mundial’2006 e Euro’2008?

– Há algumas semelhanças em relação à Selecção que esteve no Europeu, pois na outra havia Figo e Pauleta, que eram jogadores marcantes. Há pequenas diferenças mas o nível mantém-se alto. Falta é marcar mais golos. Nesse aspecto, o Pauleta era sempre determinante.

– Naturalizar Liedson para desempenhar o papel que era de Pauleta foi  uma boa solução?

– Não me choca, a partir do momento em que já havia outras situações do género, casos de Deco e Pepe. Isso não pode ser visto como um drama, desde que não seja regra e sim excepção. Há que fazer entender isso às pessoas.

– Que leitura faz da necessidade de adaptar laterais-esquerdos e da escassez de ‘matadores’ portugueses?

– Isso não é um problema só português. Se percorrermos a maioria das ligas europeias vemos que o problema não é só nosso. Claro que os países mais populosos têm mais possibilidades de encontrar miúdos com talento para essas posições. Falando do presente – e de avançados-centro –, Portugal poderá contar ainda com o Nuno Gomes e o Hugo Almeida.

– Ronaldo pode ser ausência  frente à Bósnia. Seria péssimo?

– Era preferível que Ronaldo estivesse em condições, mas temos algumas soluções. Simão e Nani estão em bom momento de forma e podem ser muito úteis.

– Mesmo na estrutura da FPF já se pediu maior rendimento a Ronaldo...

– Cristiano Ronaldo pôs o nome de Portugal no topo e temos de estar-
-lhe agradecidos por isso. Mas não é o mesmo jogar num clube ou numa selecção, os automatismos são diferentes. Nos clubes há um trabalho semanal constante, o Ronaldo fazia 50 jogos por época no Manchester United, pela Selecção quatro ou cinco. Lembro-me de que no Manchester United não fazia golos em alguns períodos, embora jogasse sempre. Na Selecção joga de três em três meses.

– Os clubes nacionais não se têm dado bem na Grécia. O Benfica, por exemplo, foi goleado na época passada pelo Olympiakos (5-1) e nesta perdeu  com o AEK. Houve comentários dos gregos?

– Tenho dois clubes, o AEK é um deles, e também tenho amigos dos dois lados. Sabendo disso, as pessoas mostram respeito e não me falam dos resultados desses jogos.

– O AEK ainda pode aspirar apurar-se na Liga Europa?

– O AEK tem uma equipa forte, venceu aqui na Grécia o Benfica (1--0), mas dependia muito do resultado negativo com o BATE Borisov [a equipa grega perdeu por 2-1]. Pelo que se tem visto no grupo I, penso que, em condições normais, passam o Benfica e o Everton à fase seguinte da competição.

PERFIL

Fernando Manuel Costa Santos nasceu em 1954, em Lisboa, e iniciou a carreira futebolística no Benfica. Representou o Marítimo e o Estoril, assumindo o comando desta equipa em 1987/88. Após orientar o Estrela da Amadora chegou ao FC Porto em 1998 para ser campeão. Passou depois pelo AEK, Panathinaikos e Sporting, antes de chegar ao Benfica na época 2006/07. Actualmente treina o PAOK, na Grécia

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