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Correio da Manhã

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"O distrito de Setúbal merece o Vitória na Liga"

Bruno Ribeiro tem hoje o primeiro teste fora de portas no comando do V. Setúbal. O treinador diz que não se sentirá nervoso em Guimarães, pois, frisa, gosta de estar ao lado dos jogadores. E elogia o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, Manuel Fernandes
12 de Março de 2011 às 00:00
'O distrito de Setúbal merece o Vitória na Liga'
'O distrito de Setúbal merece o Vitória na Liga' FOTO: DR

Correio Sport – Estando há tão pouco tempo à frente do V. Setúbal [uma semana], já deu para mudar alguma coisa?

Bruno Ribeiro – Não deu para mudar muito. Vamos trabalhar muito e tentar fazer o melhor possível até o final da época. O plantel é constituído por bons jogadores e reúne condições para a manutenção. O distrito e a região de Setúbal, aliás, merecem o Vitória na Liga.

– Que tenciona fazer para inverter os maus resultados, que ditaram a saída de Manuel Fernandes?

– Motivar os jogadores de modo que estejam sempre disponíveis para dar tudo por tudo pelo Vitória de Setúbal. Se isso acontecer, tenho a certeza de que vamos conseguir os nossos objectivos.

– Que lhe pediu o presidente Fernando Oliveira?

– Para motivar os jogadores e conseguir o mais cedo possível a manutenção. O clube merece todo o sacrifício que o plantel possa fazer.

– O facto de ter partilhado o balneário com grande parte do plantel pode facilitar o seu trabalho?

– No ano passado fiz parte do plantel. Penso que é uma vantagem, pois conheço a atitude dos jogadores dentro e fora do relvado. E sei que eles estão prontos para ajudar-me nesta missão.

– Vai introduzir alterações em relação às habituais escolhas de Manuel Fernandes?

– Posso mudar uma peça ou outra. Estamos a oito jornadas do final do campeonato e não se justificam grandes mudanças. Os jogadores precisam apenas de conseguir bons resultados para se motivarem.

– Como era a sua relação com Manuel Fernandes?

– Tenho uma grande amizade pelo Manel. Foi um dos treinadores que me lançaram no futebol. No início da época passada, quando fui emprestado ao Chaves, regressei a Setúbal três meses depois, porque assim que Manuel Fernandes assumiu o comando da equipa, decidiu ir buscar-me. Estava a atravessar um momento muito difícil, ainda por cima na fase final da minha carreira. Estar-lhe-ei eternamente agradecido por tudo o que fez por mim.

– Ambos são da casa, mas isso não impediu que Manuel Fernandes saísse, contestado pelos adeptos. Acredita que consigo vai ser diferente?

– Comecei a jogar futebol neste clube e sempre fui acarinhado pelos simpatizantes. Quando assumi o comando da equipa, recebi muitas mensagens de apoio, de adeptos e gente ligada ao clube. Espero ter, como treinador, o mesmo apoio que senti aqui como jogador.

– No passado, o Vitória de Setúbal destacava-se pelo trabalho na formação. Porque abandonou esta política?

– O sector da formação já está a trabalhar muito melhor. Houve alguns problemas no passado recente, é verdade. Porém, acredito que dentro de pouco tempo o Vitória vai voltar a ser a ‘fábrica’ de talentos que já foi no passado.

– No seu primeiro jogo [0-0, com o Olhanense], dirigiu a equipa na bancada devido a castigo. Em Guimarães, a estreia irá provocar nervoso miudinho?

– Não, e até considero vantajoso estar junto dos jogadores. No banco, mais perto dos acontecimentos, a adrenalina é outra. Encaro isto como mais uma etapa da minha vida e vou estar concentrado nos meus jogadores e no jogo, do princípio ao fim. O adversário é forte e joga em casa, mas temos condições para arrancar um bom resultado em Guimarães. Do ponto de vista psicológico, também seria importante para a equipa.

– O Vitória pode ser uma rampa de lançamento para a sua carreira?

– Esperemos que sim. Já aconteceu isso como jogador e espero que o mesmo suceda como treinador. Devo dizer, no entanto, que estou aqui para servir o Vitória de Setúbal, seja em que posto for. Não vou pôr a carroça à frente dos bois. Para já, o objectivo é conseguir a manutenção, depois logo se vê.

– Quem é a sua referência como treinador?

– José Mourinho, que considero o melhor treinador do Mundo. Tacticamente é perfeito e é um verdadeiro líder. Consegue ter sempre os jogadores com ele.

– E que estilo de liderança pensa impor no Vitória de Setúbal?

– Serei exigente no dia-a-dia com os meus jogadores, mas estarei sempre disponível para o diálogo. Melhorar a qualificação do Vitória na tabela classificativa [14º lugar, com 20 pontos] é tudo o que desejo.

– A nível interno, que treinador destaca esta época?

– Portugal tem muitos e bons treinadores. Este ano, destacaria vários, começando pelo André Villas-Boas, pelo excelente trabalho que está a fazer no FC Porto; Jorge Jesus, por aquilo que fez pelo Benfica na época passada e está a fazer este ano; Rui Vitória, que está a dirigir muito bem o Paços de Ferreira; e Leonardo Jardim, que se demitiu do Beira-Mar mas deixou a equipa numa situação confortável.

– Está na moda queixar-se das arbitragens. O Vitória de Setúbal também se sente prejudicado?

– Temos de deixar a arbitragem em paz. Nós também erramos, por isso temos de dar o benefício da dúvida aos árbitros.

– Que é preciso fazer para melhorar este estado de coisas?

– Tem de haver mais honestidade por parte das pessoas que estão à frente do futebol, e depois há que saber perder. Em Portugal, muita gente não tolera perder e isso cria muitos problemas.

– Jogou muitos anos em Inglaterra. Em matéria de fair-play, temos de aprender com os ingleses?

– Em Inglaterra há mais fair-play por parte dos jogadores, dirigentes, e também dos adeptos. Eles querem é jogar. Não estão interessados em saber de guerrinhas e politiquices. Todas as semanas vemos na televisão como os estádios estão sempre cheios e o futebol é uma festa.

– Há muita polémica no futebol português, mas o País tem três equipas na Liga Europa, com três equipas. Como se explica isso?

– Sempre foi assim, e com mais organização os feitos dos clubes nacionais podiam ser ainda mais relevantes. Contudo, é complicado mudar este estado de coisas.

– O campeonato está entregue ao FC Porto?

– Penso que sim, sobretudo depois da derrota do Benfica em Braga. Se em 22 jogos o Porto não perdeu, não será em oito jornadas que vai deitar tudo a perder. Tem onze pontos de diferença sobre o Benfica e vai , com certeza, saber gerir a situação. O FC Porto vai ser campeão e há que reconhecer-lhe o mérito.

PERFIL

Bruno Miguel Fernandes Ribeiro nasceu a 22 de Outubro de 1975 (35 anos) em Setúbal e iniciou a carreira profissional no Vitória, em 1992/93. Em Inglaterra, representou Leeds e Sheffield, e em Portugal, U. Leiria, Beira-Mar, Santa Clara e Chaves. Foi internacional Sub-21 em cinco ocasiões. Casado com Vanda Ribeiro, Bruno pôs fim à carreira em 2009/10, após 18 jogos nessa época. Coordenava o futebol juvenil do clube sadino quando foi chamado pelo presidente, Fernando Oliveira, para render Manuel Fernandes, despedido após a 21.ª jornada da Liga. Estreou-se com um empate (0-0) diante do Olhanense, no Bonfim.

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