Bruno de Carvalho vai ter uma luta dura com os empresários
O amor à camisola foi uma história da Carochinha que desapareceu quando os clubes de futebol se transformaram em SADs, os presidentes em administradores e os treinadores em executivos. Os jogadores passaram a ser "activos" que empenhados empresários colocam em clubes ávidos de vitórias. Não é por acaso que o Benfica não tem espaço para jovens portugueses e o FC Porto deixou de ser uma escola de defesas-centrais. Todos andam em busca das célebres comissões garantidas por empresários que colocam craques nos clubes europeus com dinheiro, chamem-se eles Mónaco, PSG, Chelsea ou Manchester City.
O Sporting tem destoado, de alguma maneira, deste desprezo pela formação de jogadores. É certo que nem todos os dias se cria um novo Cristiano Ronaldo, mas na Academia sportinguista têm surgido várias jóias por lapidar. Todas elas já com um empresário que lhes prometeu o céu num relvado em França, Inglaterra ou Espanha. O caso de Bruma é o último de uma série conflitos entre o clube, os jogadores e os seus empresários. E por isso compreende-se a irritação de Bruno de Carvalho, numa altura em que se abre uma nova frente de batalha com o FC Porto por causa de João Moutinho.
O presidente do Sporting sabe que nenhum jovem jogador (com tutela de um empresário) tem já amor à camisola com a qual cresceu. Mas é evidente que os clubes que apostam na formação não podem ceder quando se lhe pedem salários que ainda não foram justificados no relvado. Bruma poderá vir a ser um grande jogador. Por enquanto é uma promessa. E de promessas não cumpridas está o inferno do futebol cheio. Por isso o choque frontal de Bruno de Carvalho com Pini Zahavi promete ser o primeiro de muitos outros.
O presidente escusa de pensar que vai ser um Dom Quixote a cavalgar contra os moinhos de vento. E que vai vencer essa luta desigual. Este é futebol cruel é o que temos com o qual o Sporting vai ter de viver. E do qual terá de aprender a defender-se. Bruno de Carvalho deve saber isso. Mas tem de mostrar que está disposto a negociar com mão de ferro. É a única forma de não ser trucidado pelo sistema. O poder dos empresários e dos chamados fundos de jogadores na gestão dos plantéis é demasiado real. E não tem contemplações. Nem com presidentes de clubes.
JESUS E O BENFICA
O SEGREDO DO POLICHINELO QUE TODOS CONHECIAM
O segredo sobre a renovação de Jorge Jesus com o Benfica era igual ao de muitos daqueles que os concorrentes da Casa dos Segredos levavam para esse programa. Era um segredo que todos conheciam. Por isso o novo acordo entre Luís Filipe Vieira e Jesus sempre foi um muito decepcionante segredo de Polichinelo. A novela serviu para fazer esquecer um ano sem qualquer vitória, aquilo que os adeptos mais desejam. Porque durante estes dias em que os benfiquistas discutiram animados se ele devia ou não ficar, Jesus e Vieira já estavam a planear a próxima época, as vendas e as compras. Só que a sua aliança é demasiado frágil: o presidente, ao dizer que Jesus era o seu treinador, colocou-se nas suas mãos; e Jesus parte para uma nova época sem espaço para erros.
Ao primeiro percalço o som do terceiro anel será ensurdecedor e Jesus não poderá desculpar-se com os dirigentes entretanto caídos em desgraça e afastados. Jesus renova mas deixou de ser um treinador intocável e acima de todas as críticas, porque não são as grandes vendas de jogadores que consagram um líder. São os títulos. São os espectáculos em campo dados pelos jogadores e os golos que fazem soar as palmas. A aliança estabelecida novamente por Vieira e Jesus para a nova época tem pés de barro. E ambos sabem isso. Ou, pelo menos, deveriam saber. Sem vitórias nada deste acordo sobreviverá.
SOBE
SÉNICA VENCEDOR
A vitória inédita da equipa de hóquei em patins do Benfica na Liga Europa teve o selo de qualidade de Luís Sénica.
SUPER NEYMAR
O avançado do Santos chega a Barcelona para ser a companhia ideal de Messi. O espectáculo está prometido no campeonato espanhol e na Liga dos Campeões.
DESCE
VIOLÊNCIA JUVENIL
O jogo de juvenis entre FC Porto e Benfica foi marcado por agressões entre jogadores. Um belo exemplo para o futuro...
APANHA-BOLAS
"As minhas paixões são o Inter e o Chelsea" (José Mourinho)
Já se percebera que o casamento com o Real Madrid era de conveniência, mas julgava-se que tinha havido amor com o FC Porto.
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