Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
4

O melhor Cristiano

Cristiano Ronaldo já ficou por três vezes em pódios de grandes competições: um 2.º, um 3.º e um 4.º lugar. Falta-lhe um título, mas a certeza que fica do Europeu agora encerrado é que dificilmente outro jogador português conseguirá tal palmarés, sem matar a esperança de que ainda poderá chegar ao degrau mais alto.
30 de Junho de 2012 às 15:00
RONALDO, SELECÇÃO, FUTEBOL, CRISTIANO RONALDO
RONALDO, SELECÇÃO, FUTEBOL, CRISTIANO RONALDO FOTO: Mario Cruz/Lusa

A época de Cristiano Ronaldo terminou e com ela a batalha quase obsessiva pelo maior número de golos com o rival Lionel Messi. O argentino conseguiu distanciar-se, mas sem desfazer a enorme evolução do português também ao serviço da selecção nacional.

Com um total de 9 golos numa temporada, três deles na fase final do Europeu, Cristiano Ronaldo superou os 7 da sua melhor temporada ao serviço da selecção, nos tempos de Scolari.

Estes nove golos apontados desde Agosto, incluindo três livres directos, resultam de um melhor aproveitamento por parte do actual seleccionador, que opta por não condicionar as responsabilidades do jogador, deixando-o exprimir-se mais à vontade.

Há muito, é vaticinado que Ronaldo quebre todos os recordes da selecção, incluindo o número de golos, pertença de Pauleta (47) e de Eusébio (42). Com 35 já contados, é quase impossível que tal desafio não seja superado no prazo máximo de dois anos, no balanço desta época com Paulo Bento – aliás, já lá teria chegado sem aquele hiato de dois anos com Carlos Queiroz.

Aos 27 anos, Cristiano permite antever que o melhor dele ainda estará para vir, pelo menos com a camisola de Portugal vestida. O Mundial do Brasil, local de grande encontro com Messi (e com Neymar), com uma complicada fase de apuramento, é o estimulante objectivo que se segue, a prometer uma contabilidade de golos com dois dígitos, cada ano.

12 GOLOS COM P. BENTO

O sucessor de Carlos Queiroz devolveu a Cristiano a confiança para rematar com mais frequência, voltando a gerar diversos golos de longa distância, mas a aposta táctica num jogo exterior retirou-o da zona central e dos lances aéreos. O golo à República Checa foi o primeiro de cabeça em cinco anos.

21 GOLOS COM SCOLARI

O rendimento de Cristiano no período sob comando de Scolari foi positivo, começando muito cedo a prometer números inéditos, mas algumas lesões e o afastamento da área de baliza acabaram por deixá-lo aquém do que prometia. Com o brasileiro, marcou 8 golos de cabeça, uma qualidade que perdeu nos últimos anos.

SÓ DOIS GOLOS COM QUEIROZ

Nas duas temporadas com Queiroz, Cristiano sofreu o maior apagão da carreira, tendo marcado somente duas vezes: de penalti num encontro particular com a Finlândia e com uma finalização meio atabalhoada na goleada à Coreia do Norte, em pleno Mundial. Muito pouco para um total de 17 presenças neste período.

SCOLARI

APRENDIZ DE LÍDER

Quando chegou, Ronaldo enfrentou um grupo enorme de grandes figuras, como Figo, Rui Costa, Fernando Couto, entre outros, e aproveitou a oportunidade para crescer antes de receber o testemunho. A ideia de dar-lhe a braçadeira de capitão funcionou como a graduação no final do curso.

QUEIROZ

MARCANDO PASSO

Ao contrário do que se tomava como certo, o reencontro com o antigo adjunto do Manchester United não correu muito bem. Hesitante entre uma equipa em final de percurso e a aposta táctica numa estrela ainda imatura, o treinador praticamente fez Ronaldo marcar passo durante dois anos.

BENTO

ENTREGA TOTAL

Com simplicidade e procurando não interferir nos processos desenvolvidos com José Mourinho, o seleccionador actual conseguiu potenciar ao serviço da selecção nacional uma boa parte dos atributos de Cristiano, incluindo maior eficácia no livres directos, que acabou por falhar no Europeu.

RONALDO SELECÇÃO FUTEBOL CRISTIANO RONALDO
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)