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Correio da Manhã

Desporto
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O Melhor do Mundo não admite discussão

O nosso José Mourinho vai terminar o ano coberto de glória e unanimidade. Não há ninguém com um mínimo de imparcialidade que lhe recuse o estatuto de “melhor treinador do mundo”, e é mais ou menos consensual que no panorama actual só há dois/três nomes que podem fazer sombra ao fenómeno português: Fabio Capello (Juventus), Rafael Benitez (Liverpool) e Franklin Rijkaard (Barcelona).
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
O Chelsea joga hoje com Birmingham em Stamford Bridge e é muito natural que some a 11.ª vitória consecutiva em casa (!), mantendo pelo menos os 11 pontos de vantagem sobre o Manchester de Alex Ferguson.
Mourinho é um fenómeno fácil de explicar por números – 46 vitórias, nove empates e duas derrotas em 57 jogos na Premier!!! – mas difícil de compreender face à histórica competitividade do futebol inglês. Mérito dele: o Chelsea acelera para o ‘bi’ com a naturalidade das coisas inevitáveis e, mesmo tendo em conta a impressionante ascensão do Liverpool, era preciso que o Chelsea se distraísse muito para não festejar o bi-campeonato em Maio... Porque os ‘blues’ ganham mesmo quando não jogam bem (como na quarta-feira passada, no City of Manchester) e porque José instituiu no clube uma cultura de vitória que roça a obsessão – o Chelsea joga para ganhar e ganha, os outros esperam e desesperam.
Não há memória de uma equipa dominar a Liga inglesa de uma maneira tão nítida, vincada e incontestável. O registo do Chelsea na era Mourinho é um assombro. Nem o fabuloso Liverpool de Bob Paisley-Joe Fagan (1976-1984) conseguiu atingir este patamar de superioridade sobre a concorrência, embora, comparativamente, jogasse um futebol muito mais brilhante e apelativo.
Outra particularidade interessante no percurso de Mourinho é o facto de continuar a ganhar sem precisar de recorrer a ‘estrelas’, mesmo tendo à disposição a fortuna de Abramovich. O Chelsea tem um leque alargado de futebolistas de bom nível – nenhum ‘galáctico’ – que Mourinho transformou em máquinas de competição de uma eficiência terrível.
Tirando Joe Cole – e note-se ‘este’ Joe Cole é produto do treinador português – não há um jogador dos campeões que se destaque pela habilidade, pelo virtuosismo técnico, pela criatividade, pelo ‘rasgo’ de génio. Nenhum, nem mesmo o incombustível Lampard. A estrela da equipa está no banco.
(Chelsea-Birmingham, Hoje, 13h00, Directo Sport TV)
AMEAÇA VERMELHA
O Liverpool está demolidor – nove vitórias consecutivas na Premier! – e não há dúvida de que Rafael Benitez é um adversário de peso para Mourinho... e para o Benfica, na Liga dos Campeões. O espanhol demorou a acertar ‘agulhas’ mas valeu a pena esperar. Este Liverpool já não tem nada a ver com o que terminou em 5.º na época passada: o futebol é mais aprimorado e envolvente e muitíssimo mais contundente nas acções ofensivas, que era a grande pecha da equipa.
De resto, a defesa continua a muralha que se sabe e os jogadores, liderados por Gerrard, exibem a confiança e a autoridade típicas das grandes equipas. O trabalho de Benitez poderá não chegar para o Liverpool ganhar o primeiro campeonato em 15 anos – Mourinho não deixa – mas como se viu em Istambul, Maio passado, os ‘reds’ são suficientemente poderosos para compensarem a coisa na Liga dos Campeões. Prepara-te Benfica, não vai ser nada fácil.
(Liverpool-W.B.A, Hoje, 15h00, Sem transmissão)
O 'EXCITANTE ANCELOTTI...
Carlo Ancelloti, treinador do Milan, disse há dias que jogar a final da Champions com o Chelsea seria “um tédio”. Descontando a deselegância para Mourinho, não há dúvida de que Carlo sabe muito bem como tornar uma final excitante – foi precisamente o seu Milan quem desperdiçou uma vantagem de 3-0 ao intervalo para acabar feito em cacos pelo Liverpool. Realmente, não houve tédio em Istambul. Graças ao bravíssimo Carlotto!!!
...E O BARÇA ANTITÉDIO
Foi a insuspeita ‘Gazzetta dello Sport’ quem o disse a toda a largura da primeira página: o Barcelona é a equipa mais brilhante e excitante da Europa. Acontece que Ancelotti quer jogar a final da ‘Champions’ com o Barça antitédio (Rijkaard também, de certeza!...) mas talvez não tenha essa oportunidade. É que o Chelsea e o Bayern estão no caminho dos dois – os tipos do tédio, os chatarrões, percebem?
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