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Correio da Manhã

Desporto
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O meu vizinho do lado

Será o Sporting um clube que convive maravilhosamente com os segundos lugares mas que não se suporta ver um ou dois patamares mais abaixo? Sabendo-se que o objectivo, no futebol, é a vitória, o primeiro lugar entre todos, como se explica e se entende este fenómeno tão particular? Ou será que o fenómeno é outro?
7 de Novembro de 2009 às 00:00
O meu vizinho do lado
O meu vizinho do lado

Nas últimas quatro temporadas oficiais, o Sporting classificou-se sempre no segundo lugar e festejou-o com grande gosto. Na corrente época, o Sporting tem estado só um bocadinho mais para trás do segundo lugar, que tanto aprecia.

No sábado à noite, depois de o FC Porto ter empatado com o Belenenses e depois de o Benfica ter perdido em Braga, o Sporting estava na quarta posição. No domingo à noite, depois de empatar em casa com o Marítimo, caiu uns escassos três degraus na tabela – desceu para a sétima posição –, tendo sido ultrapassado pelo Rio Ave, pelo Nacional e pela U. Leiria, sexto classificado.

Diga-se em abono da verdade que o Sporting tem exactamente os mesmos pontos da U. Leiria: 13 no total. Mas acontece que os leirienses, ao cabo de nove jornadas, têm melhor diferença de golos.

Não se compreende, portanto, a absurda contestação à figura e aos méritos de Paulo Bento por parte de alguns gritantes sectores de adeptos do Sporting. O que acabou por forçar a saída do técnico.

E mais cruéis do que os que, por Alvalade, condenaram Paulo Bento e exigiram vê-lo dali para fora são os que, entre os sportinguistas, utilizam como argumento e dogma em defesa do treinador o facto de nunca ter conseguido, em quatro épocas, ganhar um campeonato mas ter conseguido – SEMPRE! – ficar em SEGUNDO LUGAR, atrás do FC Porto, pois, sim senhores, mas à frente do BENFICA!

E é, precisamente, esta a razão da crise. A crise do Sporting chama-se Benfica. E se nos últimos quatro anos sempre ouvimos os responsáveis sportinguistas orgulharem-se da série de segundos lugares à frente do Benfica, no momento presente – e basta ler os jornais – o que preocupa os adeptos são os 9 pontos de atraso em relação ao velho rival. Da distância em relação ao Braga e ao FC Porto ninguém fala… Não haveria, portanto, a menor contestação a Paulo Bento nem desacatos no final dos jogos se o Sporting,  pudesse olhar para baixo na tabela e visse o vizinho do lado, o tal Benfica, colocado no oitavo lugar. O que, de facto, não acontece.

ERRAR É HUMANO 

FERGUSON, PARA BEM DELE, VIU MUITO POUCO 

Depois de uma breve ausência, por força dos maus procedimentos internos, os árbitros portugueses voltam a apitar no estrangeiro, nos grandes palcos. Na última ronda da Liga dos Campeões, dois juízes cá dos nossos estiveram em acção. Olegário Benquerença dirigiu o Manchester United-CSKA de Moscovo que terminou empatado 3-3 e Pedro Proença foi o escolhido pela UEFA para apitar o Bayern de Munique-Bordéus, que terminou com a sensacional vitória dos franceses por 2-0.

Não venham agora acusar os árbitros portugueses de serem “caseiros”. Dessa fama já estão livres. Na terça-feira, o Manchester e o Bayern jogaram em casa e, com Olegário e Proença, não conseguiram ganhar. É bom que os responsáveis da arbitragem europeia vão atentando nestes pormenores lusos porque é assim que a nossa arbitragem se vai ressarcindo dos danos que causou a si própria e é assim que vai reconstruindo o seu prestígio internacional ainda um bocado abalado.

No entanto, e lamentavelmente, há sempre descontentes.

E tinha que vir um Cavaleiro da Rainha Isabel colocar em causa a qualidade portuguesa. Sir Ferguson, desagradado com o empate em Old Trafford e com a arbitragem sem mácula de caseirismo de Olegário Benquerença, atirou-se ao árbitro nosso compatriota em termos ásperos. A propósito de um “amarelo” a Darren Fletcher, Ferguson reagiu especialmente mal: “Uma das piores decisões que já vi na vida. Nem queria acreditar. É um erro muito mau, um erro humano mas muito mau.” Incrível, não é? Incrível como ao longo de uma vida tão longa, Sir Alex Ferguson nunca viu nada assim. Ou está a brincar ou viu muito pouco. Olhem a sorte dele.

POSITIVO

CÉSAR A VALER

O Benfica brindou o Everton com 6 golos em dois jogos. Está de parabéns o ataque. Mas também está de parabéns o jovem guarda-redes Júlio César que parece garantir estabilidade onde mais de precisa.

MUITO ESPECIAL

O Inter de Mourinho tem exibido grandes facilidades no campeonato italiano e tem sentido grandes dificuldades na Liga dos Campeões. Por isso, a reviravolta, em Kiev, nos minutos finais do jogo foi mesmo muito “especial”.

NEGATIVO

SHAFFER SEM VEZ

 

Muito deve desesperar Shaffer, o lateral-esquerdo que o Benfica foi comprar à Argentina. Preterido em benefício de César Peixoto, de Fábio Coentrão e, em Liverpool, de David Luiz. Shaffer, sem vez.

 

PÉROLA

SIMÃO SABROSA: “ESPERO QUE RONALDO NÃO JOGUE”

Não, não, calma! Não é o que pode parecer. Simão Sabrosa está apenas a fazer votos para que Cristiano Ronaldo não regresse hoje à equipa do Real Madrid, adversário do Atlético no “derby” da capital madrilena. Não, não, Simão não estava a fazer votos para que Ronaldo não jogue pela selecção contra a Bósnia.

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