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Correio da Manhã

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O que fazer com Saviola?

Argentino perdeu a titularidade e pode acabar num plano subalterno idêntico ao de Nuno Gomes nos últimos dois anos.

10 de Setembro de 2011 às 00:00
O que fazer com Saviola?
O que fazer com Saviola? FOTO: Fotomontagem CM

Os últimos três jogos do Benfica trouxeram a situação nova da dispensa para o banco de suplentes de uma das primeiras figuras da equipa, do favoritismo dos adeptos e do topo da folha de salários. Javier Saviola saiu do onze-tipo de Jorge Jesus, por causa de soluções tácticas inovadoras em função de alguns novos contratados, e se ainda foi chamado a actuar no play-off com o Twente, na deslocação à Madeira já não chegou a sair do banco.

A evolução negativa do tempo de utilização de Saviola nos jogos do acesso à Liga dos Campeões, em que a nova táctica foi posta em prática inicialmente, retrata a evidente perda de influência do jogador neste começo de temporada: baixou de 90 minutos no primeiro jogo com o Trabzonspor para 75 no segundo e depois para 26 e, finalmente, apenas 14 nas partidas com os holandeses. E como corolário, não saiu do banco na Madeira.

Em contraponto ao apagamento de Saviola, assiste-se a um reconhecimento também progressivo, no sentido inverso, do trabalho de Pablo Aimar, que até mereceu uma referência explícita do treinador após ter feito os 90 minutos, coisa rara, frente ao Twente. Porque Aimar, um avançado com características de organizador de jogo e não apenas de definidor como Saviola, encaixa melhor num sistema de 4x2x3x1 do que o seu compatriota.

A época é longa, mas a situação pode tornar-se desconfortável. Saviola não deve ser a primeira opção de substituto de Cardozo, sofrendo a concorrência de jogadores com mais capacidade de choque e de finalização, embora muito menos experientes, como Rodrigo ou Nélson Oliveira.

Os próximos dois meses e alguns jogos em que a experiência pode marcar a diferença, em particular na Liga dos Campeões, serão cruciais para o futuro de Saviola no Benfica, com o risco de o treinador o atirar para um plano subalterno idêntico ao vivido por Nuno Gomes.

                  AIMAR      SAVIOLA

Épocas        4               3

Jogos           123           94

Minutos (média por jogo)    72'              78'

Golos          14               34

Assistências  30            22

 

Aimar sempre a melhorar

Embora com uma imagem de alguma fragilidade e intermitências, por causa das limitações físicas impossíveis de esconder em algumas ocasiões, o rendimento de Pablo Aimar tem sido progressivo e melhorou a cada ano, ainda que da época do título nacional tenham ficado números globais mais expressivos. Nessa temporada teve participação directa em 20 golos, além de três assistências indirectas (início de lances de bola parada) e três penaltis sofridos. Na última temporada baixou o número de assistências, mas voltou a aumentar o número de golos marcados, permitindo estabelecer em dez a fasquia para a quarta temporada na Luz e em 20 a meta para a soma de golos e assistências, mercê de um posicionamento mais perto da finalização.

GÉMEOS FALSOS

Os dois velhos amigos argentinos reencontraram-se na Luz, um ano depois da chegada de Aimar, e apresentam estatísticas semelhantes nas épocas em conjunto, sob as ordens de Jorge Jesus, excepto no número de golos marcados, a diferença de Saviola: 123-94 em jogos, 30-22 em assistências e 14-34 em golos. 

Um lugar para dois

A nova táctica assumida por Jorge Jesus, na sequência da contratação de Witsel, reduz o espaço ao habitual segundo ponta de lança, apoiador de Cardozo, e obriga a uma opção difícil: só há um lugar para dois grandes jogadores, em função dos adversários.

Um grande desperdício no banco

A passagem de Saviola pelo banco do estádio da Madeira sem entrar nas contas de Jorge Jesus em função da grande concorrência que o plantel agora oferece suscita a questão sobre a perda de importância relativa do n.º30, que antes só ficara três vezes sem utilização, duas delas no final da última época, por causa de limitações físicas. A única vez que ficara de fora por opção do treinador fora na visita ao Dragão, nos célebres 0-5, preterido a favor de Kardec por razões insondáveis do treinador. Embora raramente consigam realizar os 90 minutos, Aimar e, em particular, Saviola não são jogadores de banco.

Saviola em perda

Saviola mantém um rendimento constante, próprio de um avançado cuja função principal deixou de ser a finalização, como era nos tempos do River Plate, mas a colaboração directa com os outros atacantes, que assumiu após os primeiros anos em Barcelona. Por isso, o número de golos baixou na segunda época no Benfica e, embora o de assistências tenha subido, a sensação que transmitiu foi de perda de influência. Parecia que o Benfica campeão do primeiro ano não podia funcionar sem ele, mas hoje não existe a mesma certeza. A pressão aumenta sobre ele e as próximas oportunidades podem ditar-lhe o futuro no clube, a poucos meses de tornar-se trintão.

A quebra de Javier

Nas últimas sete épocas, só uma vez (primeiro ano no Benfica) Saviola passou a barreira dos dez golos na Liga, totalizando 19 na época.

SAIBA MAIS

PROFISSIONAL - Nuno Gomes passou pela provação de não ter espaço na equipa titular de Jorge Jesus, aceitando com todo o profissionalismo a opção.

33 - número de jogos em que Jorge Jesus levou Nuno Gomes para o banco, mas não recorreu aos seus serviços.

13 GOLOS - Apesar de raramente utilizado, Nuno Gomes contribuiu com 9 golos e mais 4 assistências nas duas temporadas com Jorge Jesus. 

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