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Correio da Manhã

Desporto
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Obra-prima no Dragão

Começou mal para a equipa de Villas-Boas a sua obra-prima nesta Liga Europa. A colocação de Nilmar na direita, de onde partia em diagonais para o meio, fez mossa logo aos 5 minutos, obrigando Fernando a ver um amarelo. O brasileiro voltou a gelar o estádio dois minutos mais tarde, surgindo isolado perante Helton, que defendeu para canto.
29 de Abril de 2011 às 00:30
Falcão ficou com a bola do jogo, depois de ter marcado quatro golos diante do Villarreal
Falcão ficou com a bola do jogo, depois de ter marcado quatro golos diante do Villarreal FOTO: Fernando Veludo/EPA

Não era acidental: Borja Valero e Soriano, no meio, estrangulavam nesta altura a construção portista, lançando contra--ataques bem desenhados, como o que permitiu a Rossi contornar Helton, antes de um carrinho milagroso de Rolando (22’).

A agilidade das saídas espanholas fazia pairar uma ameaça no Dragão, mesmo nos momentos em que o FC Porto ameaçava, como numa bomba de Hulk que passou a rasar o poste (31’). Com Guarín longe da acção, as subidas de Álvaro Pereira eram o argumento ofensivo dos portistas, mas abriam espaços nas costas do uruguaio, que Nilmar e Cani exploravam a conta-gotas.

Nasceu assim o balde de água fria, em cima do intervalo, quando o FC Porto até parecia respirar melhor. Pelo que se tinha visto até aí, não se podia falar de injustiça.

A reviravolta na segunda parte foi total, e teve dois protagonistas made in Colômbia: Guarín e Falcão. O médio, mais adiantado, não demorou a deixar a sua marca no jogo, lançando Falcão para um derrube claro de Diego Lopez na área. O penálti convertido foi o ponto de não retorno para o ‘Submarino Amarelo’, afundado por 45 minutos de vendaval absoluto, com Guarín como principal alimentador de um Falcão em estado de graça.

A excepção foi o lance do 2-1, nascido de uma incursão de Guarín pela direita, concluída a dois tempos (61’). Por essa altura, já a defesa do Villarreal estava à deriva e sujeitava-se a um massacre, quer através de explosões, como aquela com que Hulk, lançado por Guarín, ofereceu o 3-1 a Falcão, quer nos lances de bola parada que permitiram ao colombiano assinar o seu primeiro ‘poker’ na competição, encerrando o duelo com Rossi pelo título de melhor marcador na Liga Europa. Só uma catástrofe, nesta altura impensável, impedirá o FC Porto de estar em Dublin a 18 de Maio, garantindo que esta Liga Europa já não foge a Portugal.

ANÁLISE

POSITIVO: DUO MARAVILHA

O desempenho de Falcão na prova já está para lá de qualquer adjectivo, mas é de destaque obrigatório o despertar de Freddy Guarín, que esteve na origem de quatro golos.

NEGATIVO: ESQUERDA A MAIS

Na primeira parte, o jogo esteve sempre demasiado inclinado para o flanco esquerdo da equipa do FC Porto. Tanto no melhor (as subidas de Álvaro Pereira), como no pior (os problemas defensivos perante o duo Cani-Nilmar).

ARBITRAGEM: NADA IMPRESSIONADO

Quase nada a apontar ao trabalho do holandês Kuipers, que não se deixou intimidar pelo ambiente (esteve bem ao amarelar Hulk por simulação) e teve um critério disciplinar coerente.

FC PORTO: FALCÃO VOA A GRANDE ALTURA ATÉ DUBLIN

Falcão – Exibição perfeita. Marcou quatro golos numa meia-final da Liga Europa, de todas as maneiras e feitios, num jogo que salientou as suas muitas qualidades.

Helton – Grande defesa a remate do isolado Nilmar. Seguro.

Sapunaru – Lançou Guarín para o 2-1 em exibição segura.

Rolando – O mais certo da defesa. Evitou um golo de Rossi.

Otamendi – Mais discreto do que o companheiro, mas sólido.

Álvaro Pereira – Sofreu muito na primeira parte com Nilmar, acalmou com o tempo.

Fernando – Falhou a marcação a Cani, no golo do Villarreal, mas acabou por estar ao seu bom nível.

Guarín – Ajudou a virar o jogo. Descobriu Falcão para o penálti, marcou o 2-1 e assistiu Falcão no 5-1.

Moutinho – Fundamental a equilibrar a equipa, abafou o Villarreal.

Hulk – Arrasador a servir Falcão para o 3-1. Bom jogo.

Rodriguez – O mais apagado do ataque.

Varela – Levou vivacidade.

Souza – Enérgico.

James – Marcou o canto do quinto golo.

"PÉS BEM ASSENTES NO CHÃO"

"Temos de ter os pés bem assentes no chão, pois o ambiente agora vai ser de euforia", foi desta forma que André Villas-Boas abordou a goleada de 5-1 ao Villarreal que abre praticamente as portas da final da Liga Europa no dia 18 em Dublin.

Apesar de ter ido para o intervalo a perder, o técnico portista elogiou a reacção da equipa, alertou para o jogo de Espanha e elogiou Falcão: "É um goleador fantástico. Saída? Há cláusulas de rescisão [30 milhões] para pagar".

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