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Olegário salvo no meio do desastre

Arbitragem europeia foi um descalabro no Mundial, o que realça pela positiva o trabalho de Olegário Benquerença nos primeiros dois jogos e o prémio da terceira nomeação.


3 de Julho de 2010 às 00:00
Olegário salvo no meio do desastre
Olegário salvo no meio do desastre FOTO: Yves Herman/Reuters

Três árbitros não europeus e Olegário Benquerença nomeados para os quartos-de-final do Mundial espelham a análise da FIFA à arbitragem na primeira fase da prova. Pelo número de erros graves e maior dificuldade de interpretarem critérios de direcção estritos e firmes, os árbitros da UEFA foram os piores da competição, perdendo claramente para os sul-americanos e os asiáticos. Em 2006, nos quartos-de-final, apitaram três europeus e um argentino.

Com o menor número de sempre de equipas europeias ainda em prova, seria de esperar uma maior oportunidade de nomeações. Mas a FIFA preferiu um uzbeque, um japonês e um guatemalteco. E guarda para meias-finais e finais o argentino Baldassi [4 jogos, 0 erros, o melhor até agora] e o brasileiro Simon, para o caso de os seus países não chegarem lá, juntamente com o húngaro Kassai, o mexicano Archundia e o colombiano Ruiz.

Os árbitros europeus estavam em menor número, mas assinalaram mais faltas, cometeram mais erros (19 contra 13), mostraram menos cartões e marcaram menos penaltis. Mas Olegário Benquerença exibiu um estilo mais próximo dos não europeus, embora poupado na exibição de cartões.

O juiz português teve o prémio de uma terceira nomeação numa fase avançada da prova depois de não ter cometido qualquer erro nas duas partidas que se esperava viesse a dirigir na primeira fase e pode sair da África do Sul como o melhor europeu. É certo que o inglês Webb tem fortes possibilidades políticas de ser empurrado para a final, depois de a FIFA ter aparentemente ignorado a sua condescendência com os italianos Cannavaro e Pepe, mas se o juiz de Leiria não tiver comprometido no jogo de ontem, acabará por regressar à Europa com três estrelas no ombro e a perspectiva de subir bastante na hierarquia continental, ultrapassando alguns dos maiores derrotados da prova.

O italiano Rosetti, o suíço Busacca, o francês Lannoy, mas também o belga De Bleekhere e o alemão Stark, foram os piores árbitros do Mundial, só comparáveis com o maliano Coulibaly, o que não deixará de exigir à UEFA uma reflexão à forma como escolhe e promove as suas estrelas do apito. Mesmo considerando que as nódoas caem muitas vezes no melhor pano: o uruguaio Larrionda estava na primeira linha para a final e acabou por ser sumariamente afastado da prova por causa de um erro inadmissível do seu auxiliar, no primeiro golo de Carlitos Tevez frente ao México.

CRITÉRIO LARGO PARA MÃO NA ÁREA

Se o golo de Luís Fabiano frente à Costa do Marfim condenou o francês Lannoy à dispensa prematura, muitos outros casos de mão na bola dentro da área não assinalados parecem ter sido pouco valorizados pela FIFA. Um dos árbitros com um lance desses, o japonês Nishimura, acabou por ser nomeado para os quartos-de-final, o que confirma a latitude de critério que os responsáveis admitem para estas situações, à falta de uma jurisprudência inequívoca. Na mesma linha, ao inglês Webb parece consentir-se uma enorme condescendência disciplinar de que não beneficiou qualquer dos outros árbitros, em particular os não europeus, que mostraram mais cartões.

MELHOR PORTUGUÊS NO MUNDIAL

Pelo menos até ao jogo de ontem à noite, o árbitro foi o melhor de todos os portugueses no Campeonato do Mundo, ultrapassando com distinção os objectivos de ser nomeado para duas partidas. Com o seu jeito bem português de apitar muito (mais faltas e menos cartões que as médias do Mundial), teve um grande controlo sobre as equipas, com muita serenidade e não cometeu erros. Ao seu nível só o húngaro Kassai e o espanhol Undiano, o que também lhe deve manter abertas as portas das grandes competições até 2014.

RAZIA NAS VEDETAS EUROPEIAS

Se o alemão Stark e o belga De Bleekhere, os que mais erros cometeram, tivessem acompanhado o suíço Busacca, o italiano Rosetti e o francês Lannoy na dispensa após a primeira fase, teriam sobrado apenas três europeus na África do Sul. Entende-se assim como estratégia política a sua manutenção no grupo de prevenção. Também o inglês Webb cometeu vários erros, mas de índole disciplinar, que não terão sido tão valorizados, pelo que, de todas as vedetas da arbitragem europeia, será o único ainda com algumas hipóteses de voltar a apitar.

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