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Correio da Manhã

Desporto
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Olhanense: Carrasco de Di Stefano

A 8 de Setembro de 1974, o Sporting desloca-se ao Algarve para a primeira jornada do campeonato. Apesar da má pré-época, que incluiu uma derrota por 6-0 frente aos brasileiros do Cruzeiro, os leões respiravam confiança. Em 32 jogos nunca tinham perdido com o Olhanense, eram campeões em título e tinham no plantel nomes como Vítor Damas e Yazalde. Além disso, no banco estava um mito do futebol mundial: o argentino Di Stefano.
19 de Setembro de 2009 às 00:30
Jorge Costa é o actual treinador do Olhanense
Jorge Costa é o actual treinador do Olhanense FOTO: Luis Costa

Tudo ia mudar naquela tarde de futebol. Um golo de um outro argentino, Lo Bello, concretizou a primeira, e até agora única, vitória dos algarvios sobre os de Alvalade. O ‘borrego foi morto’ e Di Stefano deixou o Sporting. Ao fim de apenas uma jornada.

“Tínhamos ido a Espanha fazer uma espécie de estágio”, recorda Reina, médio e capitão dessa equipa do Olhanense, “nunca tínhamos ganho mas havia sempre esperança”, acrescenta 35 anos depois. Se o Sporting apresentava nomes de respeito, também os de Olhão tinham fé na equipa orientada por Manuel de Oliveira. No plantel havia nomes como Ademir (depois jogador do FC Porto), Rui Lopes (até há pouco treinador-adjunto do V. Setúbal) e... Jorge Jesus. Esse mesmo, o actual treinador do Benfica.

“Era uma grande equipa, muito forte”, relembra Isidoro Sousa, o actual presidente do Olhanense, que na altura, com 17 anos, seguia os jogos da bancada. Naquela tarde, pela interdição do Estádio Padinha, a partida disputou-se no S. Luís, em Faro, e Isidoro fez a estrada de moto, com um primo.

Aos 72’ acontecia o momento mágico. No seguimento de um ressalto à entrada da área do Sporting, “o Lo Bello encheu o pé e marcou o golo”, relata Isidoro, que só lamenta não ter festejado a vitória em Olhão. A alegria de Reina também teve um senão. Apesar de capitão de equipa, viu todo o jogo no banco. “Mas depois comemorámos todos”, acrescenta, com um sorriso na cara.

Di Stefano, que apenas tinha um acordo verbal com o então presidente leonino João Rocha, abandonou o Sporting sem deixar saudades. Foi substituído por Osvaldo Silva (curiosamente, ex-jogador do Olhanense). Mas os algarvios tiveram poucos motivos para festejar. No final da época desceram de divisão, aonde só agora regressaram.

Tanto Isidoro Sousa como Reina acreditam que a equipa orientada por Jorge Costa pode repetir a proeza já nesta segunda-feira. Não desejam é o despedimento de Paulo Bento – e, acima de tudo, querem que o final do campeonato seja diferente do de 74/75.

JOGADOR FANTÁSTICO

Apesar de ter desempenhado as funções de treinador durante alguns anos (chegou a ser campeão de Espanha com o Valência, em 70/71), Di Stefano ficará para sempre recordado como um fantástico jogador.

A ‘flecha loira’ foi um ponta-de-lança temível e destacou-se principalmente no Real Madrid, onde venceu cinco Taças dos Campeões Europeus (as primeiras cinco disputadas).

Actualmente vive na capital espanhola, continuando como presidente honorário dos merengues.

SAIBA MAIS

17

Total de pontos do Olhanense no final da época 74/75, com seis vitórias, cinco empates e 19 derrotas.

70

Número de golos sofridos pelos algarvios nessa época, para um total de 41 marcados que não impediram a despromoção.

SALÁRIOS

A partir de Dezembro os jogadores deixaram de receber os ordenados e houve ameaças de greve (o 25 de Abril foi nesse ano).

Terceiro lugar

Na segunda volta, o Sporting venceu os algarvios por 7-0 e terminou o campeonato em terceiro lugar, com Fernando Riera, que substituiu Osvaldo Silva como treinador.

'JESUS AINDA RECORDA JOGO'

O então médio Jorge Jesus foi um dos jogadores da histórica partida. E ainda se lembra. 'Ainda agora, quando defrontámos o Benfica, no Torneio do Guadiana, falei com ele sobre essa vitória', conta Isidoro Sousa, que aproveitou a ocasião para recordar o momento com o actual treinador do Benfica.

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