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Correio da Manhã

Desporto
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Os perdedores de pontos

Roberto não consegue atingir a fasquia demasiado elevada de conquistar com as mãos os pontos que escapam na frente de ataque e ainda deitou perder alguns com erros incompreensíveis

12 de Março de 2011 às 00:00
Roberto já perdeu mais pontos do que Quim e agora só pode redimir-se na coluna dos pontos ganhos, onde se regista uma igualdade.
Roberto já perdeu mais pontos do que Quim e agora só pode redimir-se na coluna dos pontos ganhos, onde se regista uma igualdade. FOTO: DR

Foi Jorge Jesus quem colocou a fasquia alta aos guarda-redes do Benfica. Primeiro, apostou em baixar das três dezenas para um máximo de 20 golos sofridos – objectivo cumprido à risca. Depois, foi à procura de um guarda-redes que lhe ganhasse pontos, uma missão alegadamente impossível de executar por Quim.

Este rótulo, aparentemente moralizador, transformou-se rapidamente num peso insustentável pelo espanhol, em parte responsabilizado à partida pelo elevado custo do seu passe. Sofreu golos impensáveis nas primeiras semanas, chegou a ser afastado da equipa e acabou por regressar com a defesa de um penalti, inspirando uma vitória e o final do ciclo pior da temporada.

Esses 3 pontos frente ao Vitória de Setúbal são mesmo os únicos que podem ser imputados como ganhos por Roberto, embora tenha realizado nos últimos meses exibições mais seguras e tranquilas. Porém, o golo sofrido em Braga, num livre muito idêntico ao que Hugo Viana já marcara no ano anterior a Quim, veio repor a discussão sobre a qualidade absoluta do espanhol e, sobretudo, a sua capacidade para "ganhar pontos" em vez de os perder.

Na época transacta, Quim garantiu o empate em Alvalade e o triunfo sobre o FC Porto, com duas defesas espantosas a remates de Miguel Veloso e Álvaro Pereira, respectivamente. Estes três pontos foram a sua marca no título – que Jesus considerou insuficiente.

Em contrapartida, erros de Quim custaram 3 pontos em Braga, 2 em Olhão e mais 2 no Dragão. Duas falhas enormes frente ao Vitória e ao Rio Ave não influenciaram o resultado.

Ora, o problema é que as coisas não melhoraram com Roberto. Em vez de ganhar pontos, perdeu mais, quando ainda faltam oito jornadas para o termo da Liga: -3 pontos frente à Académica, -3 na Choupana, -2 em Braga.

São poucos os guarda-redes que alcançam numa primeira época um sucesso tão reconhecível, como a conquista de pontos decisivos. Michel Preud’homme conseguiu isso no Benfica, Peter Schmeichel no Sporting, Helton no actual FC Porto – mas têm entre eles esse importante atributo da experiência e do carisma que faz vacilar e atrapalha os avançados adversários na hora da verdade. Foi o que condenou Quim aos olhos de Jorge Jesus e também o que tem apoquentado Roberto: falta de carisma de ganhador.

A ESCOLHA MAIS DIFÍCIL

Tem sido característica da carreira de Jorge Jesus  a dificuldade em designar e manter o guardião da baliza, de uma época para a outra. Cada ano na 1.ª Liga, teve um guarda-redes diferente, excepto no caso de Costinha, que o acompanhou de Leiria para o Restelo em 2006, acabando por ser trocado por Júlio César. Curiosamente, este brasileiro foi uma aposta sua para o Benfica, mas não conseguiu firmar-se como titular. As convicções, como acontece com Roberto, parecem fortes, mas as perdas súbitas de confiança também são drásticas, como aconteceu com Quim.

MAIS JOGOS EM BRANCO

Embora vá, provavelmente, sofrer mais golos do que Quim na época passada, Roberto pode apresentar no final da temporada um número superior de jogos em branco. Neste momento já soma 13, contra o total de 16 de Quim, faltando ainda oito jornadas. Foi a goleada do Dragão que desequilibrou as contas.

ESPANHOL CEDE NOS FINAIS

Ao contrário de Quim, que sofreu três quartos dos seus golos antes do intervalo e teve vaias entradas em falso, Roberto tem cedido bastante no segundo tempo e em particular nos últimos dez minutos. Dos 19 golos sofridos pelo espanhol, 12 ocorreram após o intervalo e nove depois do minuto 80.

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