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Correio da Manhã

Desporto
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Outro bilhete para o título

Um jogo de intensidade elevadíssima, digno da equipa de antigamente, permitiu ao Boavista vencer o FC Porto (2-1) e relançar a dúvida na corrida pelo título. Ao perder no Bessa, o líder do campeonato deixou que se emitisse mais um bilhete para o comboio que leva a taça – a entregar ao vencedor do dérbi de Lisboa – e perdeu igualmente o direito ao erro: daqui para a frente só lhe resta mesmo ganhar todos os jogos se não quiser ser surpreendido por Sporting ou Benfica.
29 de Abril de 2007 às 00:00
O portista Jorginho (à esq.) tenta passar por Ricardo Silva, autor do primeiro golo do Boavista
O portista Jorginho (à esq.) tenta passar por Ricardo Silva, autor do primeiro golo do Boavista FOTO: Estela Silva, Lusa
Jesualdo Ferreira voltou a apostar em Jorginho para o meio-campo e em Postiga como falso extremo-direito mas, em vez de ganhar o jogo por aí, começou foi a perdê-lo – aliás, foi sem surpresa que os dois saíram quando foi preciso mudar o rumo da partida. Do outro lado, além de dar a estreia na Liga a Jehle, Pacheco utilizou um meio-campo forte e inclinou a equipa para a esquerda, com Mário Silva e Grzelak a aproveitarem o abandono a que estava vetado Bosingwa. Por ali, o Boavista foi empurrando o FC Porto para trás, foi ganhando cantos e, num deles, fez o 1-0, por Ricardo Silva (15’).
Apesar da superioridade, o 2-0 não apareceu e, em contrapartida, foi o FC Porto que beneficiou do normal afrouxar da pressão boavisteira para chegar mais à frente: ganhou o primeiro canto e fez o primeiro remate a sério aos 28’. O que aconteceu depois do intervalo, no entanto, chegou para provar que o problema do Boavista era de pulmão: com o bloco mais recuado, lançou contra-ataques velocíssimos em direcção à baliza de Helton e marcou mesmo o 2-0, por Zé Manel.
Faltavam 40 minutos para o fim do jogo, mas só nos últimos vinte o FC Porto apareceu. E tudo por culpa de Jehle, que viu dois amarelos em quatro minutos, o segundo por causa de um penálti sobre Adriano. Lucho converteu e o Boavista enfrentou com heroísmo e algum antijogo vinte minutos a jogar com dez e com o FC Porto a despejar bolas para a área.
JESUALDO CRITICA JOGADORES
“Perdemos por não termos sido uma equipa coesa, unida e junta como conseguimos fazer em grande parte do campeonato, nomeadamente nos últimos jogos. Só tenho de dar os parabéns aos Boavista”, disse Jesualdo Ferreira no final do jogo com o Boavista.
O técnico dos FC Porto adiantou ainda que os azuis-e-brancos fizeram uma “má” primeira parte: “Sofremos um golo de bola parada que não estava nos nossos planos, apesar de o Boavista ser forte nesse tipo de lances. Depois fizemos um segundo tempo forte. Criámos inúmeras ocasiões de golo, mas não fomos felizes. Agora faltam mais três finais. Estamos à frente, independentemente do resultado do jogo [Benfica-Sporting] de amanhã [hoje].”
Já Jaime Pacheco afirmou que o Boavista teve a “felicidade” que faltou noutros jogos: “Apetece-me perguntar, onde é que andaram estes jogadores? Mas esta foi uma vitória fantástica. Às vezes é preciso ter sorte e nós hoje tivemos essa sorte.”
POSITIVO: 1.ª PARTE DO BOAVISTA
Vigor físico, poder de choque a meio-campo e muita velocidade pela esquerda permitiram ao Boavista surpreender o FC Porto e mandar no jogo durante a primeira meia hora. Pacheco viu onde estava a vulnerabilidade portista e meteu ali todas as fichas: foi assim que começou a ganhar o jogo.
NEGATIVO: INGENUIDADE DE JEHLE
Apesar dos erros de William e Khadim, Pacheco nunca apostara em Jehle. Fê-lo no dérbi e o guarda-redes do Liechtenstein ia deitando tudo a perder. Viu um amarelo por demora na reposição da bola em jogo e, apenas quatro minutos depois, viu outro, por causa de um penálti que relançou o jogo.
ÁRBITRO: TRABALHO DE BOM NÍVEL
Jorge Sousa esteve ao nível de um jogo intenso e difícil de dirigir. Decidiu bem no lance do segundo golo do Boavista – Kazmierczack não fez mão – e no penálti não podia fazer outra coisa: Adriano poderia ter evitado o choque, mas aproveitou a generosidade que foi a entrada destravada de Jehle.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio do Bessa, no Porto (8.000 espectadores)
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
BOAVISTA: Peter Jehle, Lucas, Hélder Rosário, Ricardo Silva, Mário Silva, Cissé (Essame, 90m), Kazmierczack, Tiago, Zé Manuel, Linz (William, 71m) e Grzelak (Marquinho, 83m). Treinador: Jaime Pacheco.
FC PORTO: Helton, Bosingwa, Ricardo Costa, Bruno Alves, Cech (Renteria, 74m), Lucho González, Raul Meireles, Jorginho (Lisandro Lopez, 54m), Hélder Postiga (Anderson, 46m), Adriano e Quaresma. Treinador: Jesualdo Ferreira.
Marcador: 1-0, Ricardo Silva (15m); 2-0, Zé Manuel (50m); 2-1, Lucho Gonzalez (72m, gp)
Acção disciplinar: cartões amarelos – Bruno Alves (23m), Tiago (42m), Kazmierczack (46m), Quaresma (52m), Anderson (53m), Peter Jehle (65 e 69m) e Marquinho (90m); cartão vermelho – Peter Jehle (69m)
Melhor jogador: Kazmierczack
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