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Correio da Manhã

Desporto

Outro Robertazo a fazer história

Ao fim de 58 anos, o Benfica voltou a perder dois jogos consecutivos no início do campeonato, numa partida em que os guarda-redes fizeram toda a diferença. Bracalli defendeu tudo e deu enorme segurança ao Nacional, Roberto voltou a falhar nas bolas paradas e a afundar os campeões na tabela classificativa, protagonizando um ‘Robertazo’ no Estádio da Madeira.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
David Luiz em luta com o o brasileiro Diego Barcello
David Luiz em luta com o o brasileiro Diego Barcello FOTO: Homem Gouveia/Lusa

O Nacional marcou por duas vezes, em lances de bola parada, depois do intervalo: aos 50’, por Luís Alberto a cabecear sem oposição na pequena área, e de recarga por Orlando Sá, aos 66’, outra vez sem oposição e com a bola a fugir das mãos de Roberto.

O Benfica ainda reduziu no prolongamento, com um tiro de raiva de Carlos Martins, mas o desfecho estava consumado. Foi a terceira vez que o Benfica perdeu nas primeiras duas jornadas da Liga (46-47 e 52-53, quando não era campeão), mas o pior ainda estará para vir, se Jorge Jesus não mudar a capacidade de finalização no ataque, mas sobretudo na extrema defesa, onde tudo se pode ganhar ou perder.

A primeira parte do jogo foi muito interessante, pela vontade do Benfica em jogar depressa, embora nem sempre bem, e pela réplica descomplexada e competitiva do Nacional.

O Benfica teve duas oportunidades que podiam ter resolvido a contenda, primeiro por Gaitán, de baliza aberta a passe de Maxi Pereira (12’), e por Saviola num cabeceamento frontal superiormente defendido por Bracalli.

SAVIOLA FOI UMA ILHA

Roberto – Mais dois frangos nos golos do Nacional, ao sair em falso e a não chegar com a cabeça onde chegou Luís Alberto e depois a não chegar com as mãos à trave – tem 1,93 m. Catastrófico.

Maxi Pereira – Bem defensivamente, ofereceu um golo a Gaitán que o argentino enjeitou. Depois perdeu a chama.

Luisão – Confiou em Roberto e deixou Orlando Sá cabecear para o 2-0. Muito mais vítima do que réu.

David Luiz – Não se impôs nas bolas despejadas para a área do Benfica. Nervoso e descontrolado.

Coentrão – Saiu disparado um par de vezes para a área do Nacional e lançou assim o pânico. Sofreu um penálti. Desequilibrou na velocidade e teve grande atitude e fibra.

Javi García – Que é feito do jogador dominador da época passada? Luís Alberto deu-lhe uma lição de futebol.

Ruben Amorim – É alérgico a jogar à linha. Pôs Orlando Sá em jogo no 2-0. Está fora de forma e nem o apego ao jogo o disfarça.

Gaitán – Uma perdida escandalosa ao segundo poste e um cruzamento exemplar para Saviola. Mas não justifica o investimento

Aimar – Muito interventivo de início, no estilo de futebol tricotado deu alguns momentos de boa costura ao ataque benfiquista, mas foi perdendo influência.

Cardozo – Apagado, foi anulado por Felipe Lopes. Um desastre em contra-ataque, também falhou no primeiro golo do Nacional. Não resolveu, só atrapalhou. Efeitos de querer sair da Luz?

Jara - Desta vez entrou e não marcou, numa fase em que a maré futebolística do Benfica estava vazia.

Carlos Martins – Livre espectacular com resposta à altura de Bracalli. Rematou de longe e foi compensado com um golo nos descontos.

Nuno Gomes – Para a ‘molhada’. 

Saviola – O mais perigoso no ataque do Benfica, com dois remates que iam para golo – um para defesa estrondosa de Bracalli. Também combinou bem e fez boas assistências para Aimar, Gaitán e Cardozo, todas desperdiçadas. Inconformado. 

JESUS: "ROBERTO PODIA TER FEITO MELHOR"

"O Roberto podia ter feito melhor no segundo golo. Agora, no primeiro, acho que não tinha qualquer hipótese", disse Jorge Jesus, no final da partida.

O técnico encarnado voltou a ter uma atitude de protecção para o guarda-redes espanhol, que custou aos cofres da luz 8,5 milhões de euros. "Qualquer golo que o Benfica sofra, a culpa é sempre atribuída ao Roberto. Todos os guarda-redes do Mundo têm uns dias melhores e outros piores."

Sobre o jogo, Jesus reconheceu que a equipa "intranquilizou-se" após sofrer o primeiro golo do Nacional. "Depois do 2-0, pedi à equipa para defender com cinco elementos apenas, e é um facto que conseguimos defender minimamente bem. Infelizmente, não conseguimos fazer mais do que um golo", destacou o treinador do Benfica no dia em que foi noticiada em Espanha a possibilidade de o holandês Drenthe rumar à Luz.

O grande herói da partida, o guarda-redes Rafael Bracalli, elogiou o "valor do adversário", mas reconheceu que o Nacional acabou por ser mais forte e ganhar "com justiça".

FICHA DO JOGO

LIGA - 2.ª Jornada - 21/08/2010

Estádio da Madeira - Assistência: 3620 

Golos: 1-0 Luís Alberto (50’), 2-0 Orlando Sá (66’), 2-1 Carlos Martins (90 3’)

NACIONAL

Bracalli, Patacas, Felipe Lopes, Danielson, Tomasevic, Mihelic (Todorovic 65’), Skolnik, Bruno Amaro, Luís Alberto, Orlando Sá (Mateus 84’), Diego (Edgar Costa 78’).

Treinador: Pedrag Jokanovic 

BENFICA

Roberto, Maxi (Jara 58’), Luisão, David Luiz, Coentrão, Javi Garcia, Ruben Amorim, Aimar  (Nuno Gomes 82’), Gaitán (C.Martins 66’), Saviola, Cardozo.

Treinador: Jorge Jesus

Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Disciplina: amarelos: Mihelic (37’), Maxi (41’), Javi Garcia (49’), Saviola (55’), Luisão (68’), D.Luiz (68’), Skolnik (73’), Patacas (76’), Ruben Amorim (77’), Orlando Sá (80’), Tomasevic (84’), Carlos Martins (90 4’)

Classificação do jogo: 7 

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