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Correio da Manhã

Desporto
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Paulo Fonseca: escravo das suas palavras

Fonseca tem tentado disfarçar as más exibições

Fernando Sobral 5 de Outubro de 2013 às 15:00
Fernando Sobral, jornalista
Fernando Sobral, jornalista FOTO: Jorge Paula

Nunca se saberá se Paulo Fonseca foi contratado para se adaptar aos jogadores que tem e à tradição do FC Porto ou se, na realidade, foi escolhido para que todos se adaptassem às ideias com que venceu no Paços de Ferreira. Os últimos jogos dos dragões mostram que o FC Porto (excepto na primeira parte contra o Atlético de Madrid) está claramente a jogar abaixo das expectativas e mesmo do que mostrou na temporada passada e que, pelo contrário, Paulo Fonseca assimilou o discurso cheio de espinhos que tem feito escola no Dragão.

Após o jogo com o Vitória de Guimarães, que ganhou com uma penalidade muito forçada, Paulo Fonseca reabriu velhas feridas sofridas no jogo com o Estoril: "Pelo menos, esta grande penalidade, foi dentro da área". Antes do jogo com o Atlético de Madrid, Paulo Fonseca, tentou teorizar, classificando os madrilenos de equipa "italiana". No dragão, os comandados de Diego Simeone, mostraram porque ganharam ao Real Madrid: não cedem a bola com prazer e andam sempre atrás dela, funcionando como um harmónio.

Durante grande parte do segundo tempo, foi o FC Porto, que pareceu uma equipa "italiana", se seguirmos o registo teórico de Paulo Fonseca. O problema dos dragões não são os parcos jogos perdidos ou empatados esta época: é a qualidade de jogo. Perdeu-se o jogo vistoso e a equipa, a partir de certa altura, parece deixar de ter oxigénio para respirar.

Paulo Fonseca arrisca-se a tornar-se escravo das suas próprias palavras, disfarçando más exibições com tiros disparados ao acaso e sem sentido. Nestas semanas Paulo Fonseca pareceu ter perdido o equilíbrio e o seu discurso começa a oscilar demasiado entre a ficção e a realidade. O seu manual de estilo é cada vez mais semelhante ao do FC Porto. Ou seja, Paulo Fonseca perdeu a hipótese de moldar o clube ao seu próprio estilo. A primeira parte do jogo do FC Porto contra o Atlético de Madrid esteve mais próximo da fórmula de sempre: pressão constante com um Fernando a funcionar como uma ceifeira debulhadora de todo o meio-campo espanhol. Assim os dragões surpreenderam os madrilenos e impediram os seus ataques. Só que o Atlético de Madrid de Simeone não é uma equipa "italiana". É, se quisermos, muito mais "argentina".

O PALCO PERFEITO DE MOURINHO, O MESTRE

No último fim-de-semana, o mestre e o pupilo, ou melhor o criador e a criatura, defrontaram-se no palco histórico do futebol: Inglaterra. Depois de dias de declarações dúbias sobre o passado, o drama teve como epílogo um empate entre Tottenham e Chelsea. No final José Mourinho e André Villas-Boas pareceram fumar o cachimbo da paz. Foi um jogo emocionante. E o Chelsea, depois de um mau começo, parecem mais convictos de que a magia está de volta. Aquele que parecia ser a ovelha negra de Mourinho, Juan Mata, foi determinante na grande segunda parte do Chelsea. Mas sobretudo viu-se um jogo com qualidade técnica acima da média e com os jogadores mais criativos a inventarem jogadas que poderiam ser letais. Uma beleza.

A expulsão de Fernando Torres serviu para Mourinho se mover onde é um ás: a conferência de imprensa esteve cheia de frases fortes para as televisões e os jornais. Aí, Mourinho é mestre. Destroçando o defesa do Tottenham, o belga Vertonghen, Mourinho saiu-se com uma frase fatal: "Quando eu cheguei pela primeira vez aqui em 2004, tinha uma série de jogadores de outros países que tive de educar". Ou seja, Mourinho vestiu a farda de professor da "educação britânica", mostrando-se mais britânico do que os que nasceram na Grã-Bretanha. É assim que se conquistam os adeptos. Com palavras que lhes tocam no coração.

SOBE
Polvo Fernando - O médio brasileiro do FC Porto foi enorme contra o Atlético de Madrid. Um grande jogo de quem é o pêndulo da equipa.

A saúde de Gaag - Ao longo dos anos, como tenaz defesa e treinador, Van der Gaag, afirmou-se como uma personalidade diferente entre nós. O coração afastou-o. Esperemos que volte.

DESCE
Fraco Proença - Os árbitros são um alvo fácil. Mas às vezes, com asneiras, põem-se a jeito, como Pedro Proença no FC Porto-Guimarães.

APANHA-BOLAS
"Diria que era razoável que (Bruno de Carvalho) recebesse mais (que 5000 euros)"

Dias Ferreira - Ninguém duvida. Mas os exemplos são assim, depois de tantos disparates remuneratórios anteriores.

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