Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
4

Pensar no futuro

Quando a crise chegou, Portugal já era outro país, apesar das raivas que latejavam em muitos sectores.
13 de Junho de 2009 às 09:00
Pensar no futuro
Pensar no futuro

Sócrates ainda está a digerir os resultados das últimas eleições. Com efeito, eles exigem uma reflexão cuidadosa, lúcida e fria, antes de se esboçar um plano criterioso para as legislativas. O primeiro ponto que merece análise aprofundada prende-se necessariamente com as principais causas da derrota.

É óbvio que assumir o projecto ambicioso de reformar um país anquilosado, como o nosso, chegaria por si só, para justificar todas as derrotas. Sobretudo se a ambição de mudar depressa um País manhoso como este não fosse temperada (como não foi) por uma estratégia inteligente e prudente de não levantar todos os demónios contra a acção do governo.

Claro que as reformas se impunham quando se conhecem os atrasos crónicos deste país e quando se assume a missão de governar depois de uma calamitosa situação económica em resultado da acção governativa incompetente e irresponsável de Durão Barroso, Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite. Sócrates não acautelou nada. Avançou para a área da saúde e foi derrubando o sistema iníquo e ultrapassado em que vivia este sector.

Decidiu fazer frente à maior corporação do País, a dos professores, acabar-lhes com os privilégios, retirar-lhes os vícios, para desencadear uma reforma do ensino que acertasse o passo com o resto da Europa desenvolvida. Não há memória de se ter feito tanto em tão pouco tempo. A redução do défice orçamental para os níveis exigidos pela comunidade europeia, a cobrança de impostos a todos os cidadãos, e não só a alguns, gerou descontentamentos impressivos a quem estava habituado a lesar o Estado com diversas artimanhas.

Quando a crise chegou, Portugal já era outro país, apesar das raivas que latejavam em muitos sectores e que foram ampliados pelas traições internas e acções inusitadas como as de Manuel Alegre. Se Sócrates resistiu a tudo, até chegar a crise que devastou todos os países do mundo, não teve força para o ‘tsunami’ que apareceu. Apesar dos erros cometidos pelo Governo, foi nessa altura precisa que Sócrates começou a desfalecer.

A maior acção de contra-informação desencadeada no sentido de afirmar que o culpado da crise era o governo produziu os efeitos desejados. Sócrates não soube travar mais esta investida, ainda por cima com porta-vozes, como Santos Silva, que em vez de mudarem a onda agravaram os seus efeitos, com tantas baboseiras. Foi por tudo isto que Sócrates perdeu. Agora é hora de renovar a estratégia para novos desafios que aí vêm.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)