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Correio da Manhã

Desporto

Pessoas que nós conhecemos

Os espanhóis nunca tinham visto jogar “aquele” Cristiano Ronaldo.
3 de Julho de 2010 às 00:00
Pessoas que nós conhecemos
Pessoas que nós conhecemos

A imprensa espanhola está fascinada com o Cristiano Ronaldo que viu no jogo dos oitavos-de-final deste Mundial. É normal que assim aconteça. Ao contrário de nós, portugueses, que tanto vemos o nosso madeirense com a camisola do Real Madrid como o vemos com a camisola das quinas, os espanhóis, jornalistas e adeptos, tiveram na terça-feira a oportunidade de, pela primeira vez e com a atenção devida, ver Cristiano Ronaldo em plena síndrome lusitana.

 

O seu espanto é mais do que justificado. Se da selecção de Carlos Queiroz conheciam pouco, de Cristiano Ronaldo conheciam tudo. Isto é, julgavam eles que conheciam tudo e, por isso mesmo, temiam o jogador que equipado de branco viram marcar golos à catadupa na maior Liga ibérica e na Liga dos Campeões. A pálida exibição do jogador português teve foros de sensação porque, na realidade, “aquele” Cristiano Ronaldo nunca tinham visto jogar. Nós já e muitas vezes. Lendo a imprensa espanhola constata-se que a vitória da Espanha não foi sobre Portugal, foi sobre Cristiano Ronaldo e esse tem sido um gozo amplamente saboreado pelos nossos vizinhos do lado.

 

O Mundial também serve para estas coisas de espantar. Veja-se, por exemplo, o caso de Fábio Coentrão. Foi-lhe preciso fazer quatro jogos na África do Sul para que uma multidão de teóricos nacionais conseguisse descobrir, finalmente, que o ponta-esquerda de Caxinas que Jorge Jesus inventou como lateral-esquerdo é muito mais do que um razoável jogador. Ao serviço do Benfica, ao longo de toda a época, Coentrão terá feito mais de cinquenta jogos ao mesmíssimo nível mas foi sempre olhado como um adaptado com esforço a uma posição que não era a sua. Elogios, ouviu alguns, mas não muitos e nada que se compare com as loas que agora lhe cantam. Até parece que só os benfiquistas é que não se consideram minimamente surpreendidos com as exibições de Fábio Coentrão no Mundial. Pudera, nós conhecemo-lo e sabemos do que é capaz.

 

Outro jogador do Benfica, Óscar Cardozo, também é um nosso conhecido. Foi ele quem converteu o penalty decisivo que colocou o Paraguai nos quartos-de-final da competição no desempate com o Japão. Ver Cardozo correr para a bola na marca de grande penalidade foi, ao longo da temporada de 2009/2010, um verdadeiro sufoco para os adeptos do Benfica. O paraguaio falhou por quatro vezes o pontapé de onze metros em jogos do campeonato e tivesse ele tido melhor pontaria o Benfica teria, certamente, comemorado a conquista do título umas semaninhas mais cedo. O seleccionador paraguaio provou que conhecia o histórico de Cardozo ao serviço do Benfica quando se trata de grandes penalidades. Deixou-o para o fim, na esperança de já não ser preciso e, depois, quando viu a bola rematada por Cardozo entrar na baliza desatou num pranto convulsivo de alegria. E de alívio.

ERRAR É HUMANO

 

Os árbitros de que a FIFA gosta

 

Para os adeptos românticos, que acreditam que mais cedo ou mais tarde se faz justiça no futebol, o golo mal anulado a Frank Lampard aos 38 minutos do jogo com a Alemanha, no Mundial de 2010, não foi mais do que uma correcção divina do golo mal validado a Geoff Hurst na final do Mundial de 1966 entre a Inglaterra e a Alemanha. Há 44 anos, o golo que não foi golo permitiu à Inglaterra, já no prolongamento, desfazer a seu favor o empate de 2-2 que se registava. Há menos de uma semana, o golo de Lampard que não foi golo, apesar de ser golo, impediu a Inglaterra de fazer o 2-2 e de se relançar no jogo.

 

Para os alemães foi uma alegria redobrada. No dia seguinte, o “Bild” fazia manchete com o inevitável sentimento que percorria a Alemanha: “Agora já sabem o que nós sentimos em 1966.”

 

Para a FIFA estas coisas não têm importância nenhuma. Os árbitros erram hoje como erraram ontem e errarão amanhã. E Jorge Larrionda, o árbitro uruguaio do último Inglaterra-Alemanha vai continuar a pertencer ao quadro de elite da FIFA, onde está muito bem acompanhado por Olegário Benquerença, ou árbitro mundialista que, já há alguns anos, não conseguiu ver a bola remata por Petit dentro da baliza de Vítor Baía.

 

POSITIVO

 

Eduardo impecável

 

O guarda-redes do Sporting de Braga assinou uma exibição do mais alto nível no jogo contra a Espanha. Deve-se única e exclusivamente a Eduardo o facto de a selecção nacional não ter saído copiosamente goleada do Mundial.

 

NEGATIVO

 

Simão a falar

 

Simão já devia saber que, em futebol, “prognósticos só no fim”. Meteu-se com Mourinho antes do jogo com a Espanha e depois teve de ouvir o que não queria: “Ao contrário do Eto’o, Simão foi um mau lateral”, disse o “Especial”.

 

Costa porquê?

 

Queiroz levou dois defesas laterais direitos para a África do Sul, Miguel e Paulo Ferreira, mas ao cabo dos dois primeiros jogos apostou num central, Ricardo Costa, para fazer o lugar. Foi um grande presente para David Villa.

 

Pérola

 

“Perguntem ao Queiroz”

CRISTIANO RONALDO

 

Esta será, sem dúvida, a frase que vai marcar para sempre as futuras memórias sobre a campanha da selecção portuguesa no Mundial de 2010 na África do Sul. Nem sequer nos podemos queixar. Neste Mundial já se ouviram frases bem piores de jogadores para seleccionadores. Comparado com Anelka, Ronaldo foi um príncipe.

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