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Correio da Manhã

Desporto
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Petit disfarça Simãozite

Só de bola parada, e apenas pelo pé do médio-centro, o Benfica conseguiu equilibrar um jogo (2-2) em que o Rio Ave foi melhor.
7 de Novembro de 2005 às 00:00
Petit remata para o primeiro golo do Benfica ontem à noite: o médio esteve imparável na conversão de livres directos
Petit remata para o primeiro golo do Benfica ontem à noite: o médio esteve imparável na conversão de livres directos FOTO: Nacho Doce, Reuters
Só aos 72’, Nuno Gomes conseguiu fazer o seu primeiro remate do jogo. Por sinal, de fora da área rasteiro e sem potência que o pudesse livrar da morte suave nas mãos de Mora. O eclipse de Nuno Gomes é sintoma da doença que grassa neste Benfica e que deu os primeiros sinais frente à Naval, agravou-se no jogo com o Villarreal, e ganhou foros de crónica neste jogo perante um excepcionalmente bem conduzido Rio Ave. O mal do Benfica tem nome: Simãozite aguda. Quando o capitão não joga (caso do jogo frente à Naval e agora com o Rio Ave), o flanco esquerdo perde capacidade de penetração e de contenção. Quando joga diminuído, como frente ao Villarreal, idem.
Na noite de ontem, o inspirado Zé Gomes passou por Geovanni, que fazia de Simão, e por Leo, que suspirava por Simão, como faca por manteiga morna. Foi assim que o Rio Ave chegou ao 1-0. Zé Gomes partiu todo o flanco esquerdo do Benfica, centro largo e Cleiton fuzilou o débil Rui Nereu. Petit e Beto garantiam segurança no meio-campo, mas João Pereira – por falta de classe – e Geovanni – por ausência de alma – tornavam o jogo de flancos inexistente. Nélson voltou a estar desinspirado, e Karagounis é um erro de casting. Se o que o Benfica pretendia era um médio de ataque dinâmico, contratou o grego errado, lento, cego pelos olhos na bola, sempre com um drible a mais. Ou Karagounis melhora ou merece entrar em campo com uma placa evocativa onde se leia “neste corpo, habitou em tempos um bom jogador”.
Com todos estes problemas, Petit fez de Simão nas bolas paradas, repondo o empate por duas vezes, sempre de livres directos em posição frontal. A segunda vez que Petit repôs o empate, faltavam 5’ para os noventa. No minuto seguinte Nuno Assis quase fazia o 3-2. Mas depois, até final, o Rio Ave controlou o jogo, sempre próximo da área do Benfica.
O MELHOR: O MESTRE ANTÓNIO SOUSA
O Rio Ave surpreendeu pelos recursos colectivos disponíveis. A equipa tem dois sistemas muito mecanizados. Quando é remetida à defesa, parte para o contra-ataque com velocidade e passes largos, fazendo chegar ao ataque um mínimo de três peças. Quando se instala no meio-campo contrário, consegue uma pressão-alta que lhe permite recuperação de bolas sempre com soluções de perigo.
O PIOR: KOEMAN VOLTA A DELIRAR?
Quando falta Simão, Koeman está ainda mais proibido de inventar. Por que fez alinhar Rocardo Rocha em vez de Anderson? Qual a lógica de desviar Geovanni para a esquerda retirando entendimento ao flanco direito? Por que insiste o treinador em Karagounis como segundo homem mais avançado? Nuno Assis não merece uma oportunidade séria? O almirante voltou a confundir os barcos.
EQUIPAS CULPAM ARBITRAGEM
A equipa de arbitragem liderada por Paulo Pereira foi alvo do descontentamento das duas formações. Nem José Veiga, director-geral dos ‘encarnados’, ficou calado. “O Sr. José Carlos Santos [auxiliar] prestou um péssimo serviço à arbitragem ao não marcar fora-de-jogo no lance do segundo golo. Já com a Naval sofremos um golo em fora-de-jogo. Se alguém está a ser levado ao colo não é o Benfica”, disse. “As coisas estão a complicar-se e ninguém é punido. Uns coçam os olhos e não vêem”. Veiga considera este “um problema geral da arbitragem”. “Vamos estar atentos ao que vai acontecer a alguns senhores. Chegou o momento de alguns irem para a jarra.”
Koeman também teceu críticas. “Se há um assistente a dormir no lance do segundo golo e não assinala um fora-de-jogo, isso é preocupante. São coisas incríveis que se passam em Portugal. Não culpo a arbitragem por não termos ganho, somos nós os culpados, mas são situações graves.”
António Sousa, por seu lado, considera que não existiram faltas nos lances que resultaram nos dois golos do Benfica.
FICHA DO JOGO
Local: estádio da Luz, em Lisboa (35.329 espectadores)
Árbitro: Paulo Pereira (Viana do Castelo)
BENFICA: Rui Nereu, Nelson, Luisão, Ricardo Rocha, Leo, Petit, Beto, João Pereira (Mantorras, 64m), Geovanni (Nuno Assis, 75m), Karagounis (Karyaka, 56m) e Nuno Gomes. Treinador: Ronald Koeman.
RIO AVE: Mora, Zé Gomes, Idalécio, Danielson, Milhazes, Mozer, Niquinha, Delson (Marquinhos, 75m), Cleiton, Chidi (Evandro, 74m) e Gaúcho (Keita, 89m). Treinador: António Sousa.
Marcador: 0-1, Cleiton (24m); 1-1, Petit (32m); 1-2, Chidi (55m); 2-2, Petit (85m)
Acção disciplinar: Amarelos - Mozer (51m) e Evandro (86m)
Melhor jogador: Petit
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