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Correio da Manhã

Desporto

PIMENTA MACHADO: É POR ELE SER CREDÍVEL QUE NÃO ESTÁ CÁ FORA

Pimenta Machado voltou a insistir que não ficou com dinheiro do V. Guimarães no âmbito da transferência de Fernando Meira para o Benfica, ao mesmo tempo que reconheceu que Marcelo Santos Oliveira - cujo paradeiro é desconhecido -, da empresa Sportmedia, foi "um elemento que teve interferência no negócio".
19 de Dezembro de 2002 às 00:12
Um dado que contrasta com a posição ainda ontem defendida por Vale e Azevedo (ver pág. 33), o qual garante que terá havido negociação directa entre os dois clubes: "Mas é exactamente por ele ser credível que não está cá fora. Acho que devem acreditar...", contra-atacou o presidente do Vitória, poucos minutos depois de ter assistido no banco dos vimaranenses ao triunfo sobre o Paredes na Taça.

De acordo com Pimenta Machado "o Tribunal está por dentro de tudo", recordando que quando teve oportunidade de apresentar os documentos foi posto em liberdade, mesmo tendo em conta o alegado "ambiente de terrível pressão que alguma comunicação social criou para continuar detido".

O presidente do Vitória sustenta que "quem for minimamente inteligente deve tirar conclusões", ao mesmo tempo que se refugia na confidencialidade dos negócios para não argumentar com mais dados para a opinião pública.

DIA DE EMOÇÕES

Ontem, Pimenta Machado teve mais um dia intenso e foram muitos os sinais de solidariedade que foi recebendo. Desde os adeptos que quase encheram o Estádio das Laranjeiras, em Paredes, ao grupo de trabalho do futebol profissional. O futebolista Romeu não se conteve aquando do primeiro golo da eliminatória e foi abraçar o presidente: "Nos momentos difíceis, as manifestações de solidariedade por muito pequenas que sejam têm sempre uma relevância superior". Pimenta voltou a ressalvar alguns aspectos positivos "dentro deste turbilhão e vulcão" em que esteve envolvido, como por exemplo a "solidariedade humana sobretudo do povo anónimo”.

Por tudo isto, Pimenta volta a insistir na possibilidade de se recandidatar nas eleições de Janeiro: "Aconteceram determinados condicionalismos de ordem emocional, que me fazem reflectir. Não posso esquecer que num dia de intempérie os sócios vieram à rua quando fui detido. Seria uma desonestidade associativa se também não houvesse da minha parte o correspondente apoio e a colaboração de podermos avançar no mesmo projecto".

MANUEL RODRIGUES DESAFIA PIMENTA

Manuel Rodrigues, candidato à presidência do Vitória de Guimarães, continua a aguardar pelas explicações de Pimenta Machado, considerando que o presidente vimaranense ainda não dissipou as dúvidas que caíram sobre a sua gestão.

“Pimenta Machado ainda não esclareceu nada nem ninguém quanto às acusações que lhe foram feitas nos últimos dias. Achava por bem que o presidente dissesse o que se passa quanto à Bayer e à Olivedesportos, por exemplo, pois esclareceria todas as acusações que a Imprensa lhe fez. Continuo a aguardar que o presidente possa dissipar as dúvidas aos sócios do Vitória e, se está de facto inocente, como todos esperamos, falta apenas prová-lo”, referiu em tom de desafio.

Manuel Rodrigues condenou ainda alguns comportamentos de associados, que culminaram com a agressão a alguns jornalistas, mostrando-se desagradado com o clima que se vive na cidade de Guimarães.

“Estamos contra o que se está a passar na cidade. Houve agressões físicas e verbais a jornalistas e isso é lamentável. É importante o Vitória revelar o civismo próprio da grande instituição que é, mesmo vivendo um momento conturbado”.

Desconhecendo ainda se vai defrontar Pimenta Machado nas eleições em Janeiro, Manuel Rodrigues reiterou a sua decisão de avançar.
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