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Correio da Manhã

Desporto
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Pinto da Costa cedeu a muitas pressões

Víctor Fernández não escondeu a surpresa pela forma como foi despedido do FC Porto, acreditando que Pinto da Costa terá sido pressionado para tal medida: “Creio que houve muita pressão depois da última partida e o presidente deve ter sentido e acabou por ceder”, explicou o técnico à Cadena SER, acrescentando que tudo “foi muito rápido e na sequência de um jogo que teve duas caras. Joguei como líder da Liga portuguesa e terminei despedido”.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
O treinador explicou que foi convocado para um conversa “correcta e educada”, onde lhe foi sugerido que “era melhor não continuar, porque a equipa não caminha bem na SuperLiga. Perdemos muitos pontos em casa e era preciso mudar”, contrapondo Fernández que considerava “absolutamente injusto que se procurasse um único responsável”.
O espanhol também reconheceu que “não estava satisfeito pela forma como a equipa jogava em casa”. “Mas julgo que não era um argumento para tomarem uma decisão tão drástica”, disse, acrescentando que a equipa “estava a construir-se há cinco, seis meses e uma equipa não se constrói num ano nem em dois anos...”
Nesta entrevista à rádio espanhola, Fernández falou da sua experiência no FC Porto – “jamais como treinador vivi uma situação como esta, com muito movimento de jogadores em relação ao plantel da época passada” –, acrescentando que o risco havia sido assumido em conjunto com a SAD: “Todos assumimos que um ciclo havia terminado e que havia que sacar um grande rendimento e benefício económico, construindo uma equipa com muitos jovens e poucos consagrados”.
O técnico recordou que “vieram muitos jogadores jovens de 20 e 22 anos, brasileiros, que estão a fazer a sua estreia no futebol europeu. Tivemos de vender alguns jogadores importantes e vendemos muito bem”, apontando como exemplo o encaixe de 15 milhões de euros conseguido com a venda de Derlei e Carlos Alberto, no mercado de Inverno.
Víctor Fernández também recordou que não tem contado com Jorge Costa, Nuno Valente e Maniche, que reapareceu no domingo para jogar apenas cinco minutos.
UMA REVOLUÇÃO QUE TOCA 32 JOGADORES
Já saíram dois treinadores (Del Neri e Víctor Fernández), dezanove jogadores (Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Mário Silva, Rossato, Deco, Pedro Mendes, Paulo Assunção, Hugo Leal, Alenitchev, Ricardo Fernandes, Sérgio Conceição, Carlos Alberto, Derlei, Marco Ferreira, Maciel, César Peixoto, Jankauskas, Bruno Moraes e Bruno Almeida) e entraram treze (Seitaridis, Pepe, Areias, Leandro, Diego, Raul Meireles, Ricardo Quaresma, Luís Fabiano, Helder Postiga, Leo Lima, Cláudio Pitbull, Ibson e Leandro do Bonfim) – eis o balanço do FC orto desde a final de Gelsenkirchen. Sem dizer que Rossato, Paulo Assunção e Hugo Leal chegaram e saíram em pouco tempo.
É esta demencial revolução da equipa campeã europeia que José Couceiro vai encontrar e que até agora tem menos vitórias (13) do que empates e derrotas (15) sendo nove empates e seis derrotas, das quais três na Superliga, duas na Liga dos Campeões e uma na Taça de Portugal, prova da qual foi eliminado). Também ganhou dois troféus – a Supertaça (1-0 ao Benfica em Coimbra) e a Taça Intercontinental (nos penáltis, ao Once Caldas).
Se com Mourinho havia dois jogadores para cada lugar, nesta época já houve alturas em que cinco pontas-de-lança lutavam por dois lugares e dois defesas-esquerdos se sentavam no banco, enquanto Ricardo Costa fazia o lugar.
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