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Correio da Manhã

Desporto

POESIA NO ADEUS PORTUGUÊS

Portugal despediu-se do Mundial de Andebol com uma vitória por 28-27 sobre a Tunísia. Com este sofrido triunfo a equipa lusa classificou-se no terceiro lugar do Grupo 2 da segunda fase da prova, condição essa que lhe garante desde já a melhor classificação de sempre em Campeonatos do Mundo (entre o 9.º e 13.ª lugares).
31 de Janeiro de 2003 às 00:25
Regressando à partida, uma prestação inconsequente assinalou o adeus do nosso país ao Mundial. Não faltou empenho e vontade em vencer, mas a verdade é que, quer na defesa quer no ataque, existiram muito ciclos de ‘altos e baixos’ não só na sequência de erros próprios, mas também de inúmeras dificuldades colocadas pelos campeões africanos.

Como se previa a defesa sempre complicada, arriscada e extremamente agressiva dos tunisinos (3x3 transformado em 1x2x5), emperrou a organização ofensiva portuguesa, cortando a linha de passe, forçando à perda da bola e quando isso não resultava, parava o desbobinar dos lances lusos com recurso à falta.

Sendo assim, o melhor rendimento português acabou por se centrar no contra-ataque. Ou seja, quando o sector da retaguarda bloqueou o ataque africano, a equipa nacional retirou muitos dividendos das movimentações tendentes à libertação do ‘diabólico’ extremo esquerdo (Rui Rocha) incontestavelmente a grande figura do jogo. Pelos golos que marcou (9) e pelos muitos livres de sete metros sacados aos adversários. Uma exibição de sonho deste pequeno grande andebolista, que já leva dois livros de poesia publicados.

O embate foi quase sempre equilibrado. Todavia, a parte final da partida, fez estremecer os corações portugueses quando já com o jogo terminado, Carlos Ferreira (outra excelente exibição), susteve o livre de sete metros marcado por Siou que, a ser transformado, daria o empate à Tunísia.

Enfim, o encontro de despedida, Portugal lutou mais do que jogou. Mostrou atitude e nervo. Mas é evidente que ainda há algumas arrestas por limar, nomeadamente no adquirir de uma consistência competitiva que evite quebras de produção e a ‘fuga’ à apetência para oscilações do foro psicológico e emocional.

No outro jogo do grupo 2, a Alemanha empatou com a Jugoslávia (31-31) e garantiu a passagem às meias-finais, onde vai defrontar a França.

'ESTOU DUPLAMENTE SATISFEITO'

A selecção nacional de andebol despediu-se do Mundial com um triunfo e o seleccionador Garcia Cuesta, analisando tudo o que aconteceu, não sai desiludido.

"O nosso objectivo eram os Jogos Olímpicos. Não fomos capazes pois fomos inferiores à Islândia, à Alemanha e à Jugoslávia. O balanço é positivo porque ganhámos o que tínhamos de ganhar. Estou duplamente satisfeito porque queríamos terminar a nossa prestação com um triunfo e porque os jogadores conseguiram manter a motivação após a derrota com a Jugoslávia", adiantou o espanhol.

No meio desta saída prematura, Carlos Resende conseguiu ver as coisas de uma perspectiva optimista. "Traçámos um objectivo ambicioso. Há que salutar a nossa melhor posição de sempre em Mundiais, o que acaba por confirmar a subida internacional sustentada do nosso andebol. Batemo-nos até ao final".
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