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Correio da Manhã

Desporto
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POR FAVOR, ESQUEÇAM OS GRANDES

Em tempos que já lá vão chamava-se a um jogo assim um hino ao futebol. Agora os hinos continuam na moda, mas a expressão está gasta. Pensando bem, nem é preciso pensar muito para definir o Rio Ave-Belenenses (3-3) que fechou a segunda jornada: foi o que o futebol devia ser.
18 de Setembro de 2004 às 00:00
Quem joga daquela forma, na clandestinidade de uma segunda-feira à noite, merece que se comece a análise à terceira jornada por ali, olhando para duas equipas que têm o mérito de ser treinadas por pessoas que já provaram gostar de futebol. É um bom princípio, como se sabe, mas infelizmente não é universal.
O futebol anda cheio de treinadores que há muito se cansaram do jogo, continuando porém a desejar ganhar, o que abre caminho a perigosos desvios. Mas em Belém e Vila do Conde nem pensar. E é por isso que o adepto descomprometido devia pensar em estar amanhã no Restelo, para um dos mais curiosos desafios deste arranque de Superliga, o Belenenses-U. Leiria.
Os dois clubes têm muito em comum. Treinadores interessantes, bons jogadores, futebol com bons princípios e escassez de adeptos. Resultado previsível: uma boa tarde de futebol, num estádio quase vazio. Dá para levar a família, sem apertos. Quanto ao notável Rio Ave tem em Penafiel a oportunidade de transformar em pontos o jogo agradável.
Por falar em oportunidade, o F.C. Porto não pode deixar escapar esta. Recebe o Estoril, uma equipa que dá a sensação de ainda não ter entrado na SuperLiga. Ninguém pode dizer que a equipa de Fernández anda a jogar mal, nada disso, mas também é indisfarçável o ligeiro incómodo. Afinal, há 28 dias que os portistas não ganham. Somar menos de três pontos é abrir a porta a uma discussão séria.
Bem menos simples a vida do Benfica, amanhã. Certo, a Académica ainda não venceu, tem um singelo ponto, mas que ninguém se iluda. Duelo curioso nos bancos, onde 25 anos separam Carlos Pereira e Trapattoni. E a idade não é a maior das diferenças. Numa cidade de estudantes, aguarda-se com ansiedade mais uma lição de cultura táctica. Ou lá o que é.
Na distante segunda-feira à noite, primeiro teste à sugestão revolucionária de José Peseiro: vejam primeiro, manifestem-se depois. Se os adeptos levarem a coisa a sério em Alvalade conseguiremos ouvir o desespero dos treinadores, a dor dos jogadores ofendidos pelas botas do adversário, o apito estridente do árbitro, o vento cortado pela trajectória da bola. Uma experiência sonora inesquecível. No final, palmas para os vencedores, apupos para os derrotados. Como na ópera e praticamente ao mesmo preço.
FIGURA
PETIT, A SOLUÇÃO
À partida o Benfica tinha um problema para resolver, a saída de Tiago. Ainda é cedo para dizer que o assunto pode ser esquecido, mas é justo notar que a entrada de Manuel Fernandes solta Petit, uma liberdade que o internacional português tem utilizado muito bem. Boas exibições e dois golos.
NÚMERO
SETE, SETE MESES
A última derrota da União de Leiria para a SuperLiga data de Fevereiro deste ano. Leram bem, estamos a falar da equipa de Vítor Pontes. Ninguém sabe como vai ser esta temporada, mas fica uma certeza: este treinador chegou para ficar.
E OS OUTROS?
UM 'DERBY' PARA DUROS
É na terça-feira, dia em que se encerra esta jornada. O Sp. Braga recebe o V. Guimarães, um clássico da Superliga, à sua dimensão. E mais importante para Jesualdo Ferreira do que para Manuel Machado. Fácil prever um desafio duro e intenso.
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