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Correio da Manhã

Desporto

PORTO TAMBÉM ERA FAVORITO

O Benfica já está em Banska Bystrica, uma pequena e pacata cidade da Eslováquia, onde defronta hoje (19h30, TVI) o Dukla Bystrica, um adversário desconhecido e teoricamente inferior aos ‘encarnados’, em partida da 1.ª mão da 1.ª eliminatória da Taça UEFA.
16 de Setembro de 2004 às 00:00
Ainda assim, Giovanni Trapattoni mostra-se muito cauteloso e na conferência de Imprensa de lançamento da partida foi cuidadoso nas palavras, recusando sempre assumir o favoritismo na eliminatória.
E a avaliar pelo treino de ontem, o onze que amanhã vai entrar em campo não será muito diferente daquele que tem sido utilizado nos últimos jogos. Karadas deverá jogar no ataque apoiado por Zahovic e novidades, só as entradas de Fyssas e João Pereira.
Escondendo um pouco o jogo quanto ao onze que vai utilizar diante a formação eslovaca, o treinador italiano não entra em euforias.
“Este é um jogo muito importante para nós. Temos 180 minutos para decidir a eliminatória e amanhã [hoje] vamos disputar apenas a primeira parte. Vai ser difícil porque vamos ter pela frente um adversário motivado e que no seu reduto joga com entusiasmo e tem um apoio forte dos adeptos”, referiu, acrescentando: “Vi três jogos em vídeo desta equipa. Sei que têm bons jogadores e que três deles estão castigados. Um amigo disse-me para ter cuidado, pois esta é uma equipa com coração forte e alertou-me para o ambiente que se vive neste estádio”, revelou, recusando favoritismos. “O meu vocabulário não está habituado a essa palavra. Creio que o FC Porto também era favorito com o CSKA de Moscovo e empatou. Essa palavra é muito perigosa”.
Sempre que questionado sobre a possibilidade de utilizar dois avançados, situação que tem vindo a testar nos últimos treinos, o italiano fugiu à questão e deu a entender que vai continuar, pelo menos para já, face à pouca condição física de Nuno Gomes, a jogar com apenas um. “Hoje [ontem] à noite vou falar com os jogadores e vou dizer-lhes quem vai jogar. Temos de ver como estão, até porque domingo temos um outro jogo importante, frente à Académica”, salientou, explicando depois as razões por que Nuno Gomes não jogou no último encontro diante o Moreirense. “No domingo os nossos adeptos não perceberam que ele ainda não está bem. Estava ainda com problemas”, explicou.
Ambicão eslovaca
Fazer um bom resultado e ir a Lisboa discutir a eliminatória. Este é o objectivo do técnico do Dukla Brystica, Ladislav Molnar. “Queremos fazer um bom resultado aqui. Vamos tentar dificultar a vida ao Benfica, pois não queremos ir a Lisboa para fazer turismo”, afirmou Molnar, que diz conhecer bem os portugueses. “Sei que são fortes no ataque. Dizem que Trapattoni é um treinador defensivo, mas vi um jogo deles ao vivo e não me pareceram nada defensivos”.
NÃO É COM ASSOBIOS QUE SE MOTIVAM EQUIPAS
Ontem, à partida para a Eslováquia, onde o Benfica defronta hoje o Bystrica, o presidente dos ‘encarnados’, Luís Filipe Vieira, comentou os assobios dos adeptos no último encontro da SuperLiga, frente ao Moreirense, quando o treinador das ‘águias’ substituiu Zahovic por Paulo Almeida. O dirigente máximo lembrou aos sócios e adeptos que não é “dessa maneira” que se moraliza a equipa e elogiou Giovanni Trapattoni considerando-o “um técnico realista”.
“O passado de Trapattoni fala por ele, não pode sofrer contestações. Ele já demonstrou que sabe e não sou eu, um mero dirigente, que o vou pôr em causa. Escolhemos um perfil de treinador e entre as possibilidades havia um senhor chamado Trapattoni que foi o que nós escolhemos e é com esse que vamos trabalhar. No ano passado, no jogo com o Moreirense, estávamos a ganhar 1-0 e também assobiavam. Depois entrou um ponta-de-lança e empatámos. Este treinador se calhar foi mais realista e ganhámos. Os sócios e adeptos têm de perceber que não é com assobios que vão motivar a nossa equipa, pelo contrário. Não vale a pena fazer pressões, porque neste momento quem manda no Benfica e quem foi eleito para o comandar fui eu. A estratégia está traçada. Eu sou um homem determinado e não ando a reboque de ninguém”, revelou o presidente, que voltou a assumir a candidatura ao título: “Temos um grupo muito coeso, com objectivos claro e definidos e assumimos já que queremos ser campeões”.
Outro dos assuntos abordados pelo presidente foi a renovação de Sokota. Vieira revelou que está para breve a assinatura. “Tudo se saberá a seu tempo, mas deverá suceder brevemente. Não há problemas nenhuns”.
SOLTAS DE BYSTRICA
LÍNGUA
Para quem visita a Eslováquia rapidamente percebe que a língua que se fala no país nada tem a ver com o português. No entanto, não se admire se nas ruas de uma qualquer cidade eslovaca encontrar palavras semelhantes às portuguesas. É que, por exemplo, polícia e teatro escreve-se exactamente como na língua de Camões.
AEROPORTO
Banska Bystrica não tem aeroporto. Por isso, os ‘encarnados’ aterraram num aeroporto militar em Sliac, a dez quilómetros, cujas estruturas deixam muito a desejar. As bagagens foram retiradas do avião e carregadas em paletes. Após colocadas numa carrinha eram descarregadas por um monta-cargas e deixadas nos autocarros.
6500 PESSOAS
O Estádio do Dukla Bystrica tem capacidade para 11000 espectadores, mas hoje apenas estarão presentes 6500 pessoas, devido a uma imposição da UEFA por questões de segurança. Numa cidade onde os adeptos preferem o hóquei no gelo e o esqui, o futebol surge como terceiro desporto, mas ainda assim leva adeptos ao estádio.
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